Luz.

Luz.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O senhor mediocridade.

O senhor mediocridade é tranquilo. Inteligência mediana, razoável, egoísta e amigo dos prazeres mundanos, ele vive satisfeito como um caracol em uma concha, formada por sua mesquinha, baixa e inconsciente existência animal.
Ele é motivado apenas pelo baixo interesse. Não faz nada por amor ou bondade. Só faz algo em troca de alguma vantagem.
Ele desconhece o espírito, a fonte da luz e da verdade; não tem cultura intelectual, desconhece totalmente as grandes questões filosóficas que amarguram àqueles que pensam, amigos dos livros e do saber. O foco de sua vida está todo em sobreviver, isto é: engordar seu ventre e desfrutar dos ilusórios, banais e fúteis prazeres do mundo.
Sua vida é uma teia de mentiras e ilusões, desde quando abre os olhos todos os dias quando desperta, até o momento quando fecha os olhos quando adormece. Vive em um mundo alienado de convenções tolas e vazias, produto de nossa civilização superficial e perversa.
Ele é enganado, explorado a todo o momento, mas também engana e explora por sua vez, às vezes até inconscientemente. Não tem coragem, determinação e superioridade moral para combater o mal e a iniquidade universal.
Pobre senhor mediocridade! Vive como uma criança ignorante e malvada em um mundo de crianças malvadas.
O maior ponto fraco deste tolo é sua vaidade orgulhosa. Ele não suporta a mais leve crítica.
O mundo o espreita, atento para aproveitar-se de sua estupidez natural e ganhar dinheiro explorando sua vaidade, orgulho e futilidade.
Quando o senhor mediocridade caminha pelas cidades do mundo ele depara-se com os mais variados convites que poderiam ser traduzidos assim:   
“Não compre a futilidade de meu concorrente, compre a minha. Facilito o pagamento.”
“Não perca tempo em meu concorrente, perca tempo aqui. Minhas cadeiras são mais confortáveis.”
“Não arrase sua saúde, nem apresse sua morte com bebidas alcoólicas e cigarros no estabelecimento de meu vizinho, arrase aqui. Aceito cartão de crédito.”
“Não seja cruel no restaurante de meu vizinho, devorando a carne de nossos irmãos inferiores e endividando-se com a justiça de Deus, para sofrer dores medonhas amanhã. Seja cruel aqui, dou desconto.”
“Não vá à clínica de meu colega para desrespeitar as leis eternas da natureza de Deus e estragar seu corpo para sempre com injeções, cortes na pele, cirurgias irresponsáveis, criminosas perante a lei de Deus e remédios sintéticos artificiais. Faça isto em minha clínica, facilito até seis vezes.”
A vida do senhor mediocridade seria uma eterna comédia ridícula, penosa e perversa se não existisse a dor e a morte.
A dor transforma os mais empedernidos e duros corações, sensibiliza as mais frias almas, amadurece e faz vir à tona a gama de sentimentos elevados cobertos no fundo de todos os corações por uma aluvião de perversidade e misérias.
A morte causa um impacto fatal e poderoso na psicologia humana. Diante dela caem todos os véus que encobrem a verdade e vão por terra todas as ilusões que cegam a alma humana em seu caminho trevoso de lama, maldade e ignorância.

Este impacto fatal é o recurso sábio utilizado por Deus e sua misericórdia magnânima, para nos arrancar do lodaçal imundo e perverso em que vivemos neste inferno e nos lançar às esferas celestes, nas quais predominam o amor infinito de Deus, o bem e a verdade para sempre.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Meu tesouro.

Sempre fui romântico e sonhador. Desde garoto sempre amei olhar as estrelas e sonhar.
Quando estava na escola distraía-me constantemente da lição. O lápis em minha mão transformava-se em uma nave espacial a voar pelo céu...
Minha alma sempre amou o rico mundo da imaginação.
“A imaginação é mais importante que o conhecimento.” Disse Einstein. Discordo da afirmação, mas este gênio revelou ao mundo a importância desconhecida da imaginação.
A imaginação é a porta que abre o universo maravilhoso onde reina a beleza eterna, o bem e a verdade.
Todos os grandes artistas da humanidade foram grandes sonhadores, amigos diletos da imaginação. É muito pobre uma obra artística sem imaginação.
É forte nas crianças a influência da imaginação. A alma infantil, ainda não corrompida pela infernal psicologia humana, carrega dentro de si este tesouro herdado das profundas regiões sublimes, onde anjos e arcanjos criam suas magníficas criações divinas, sob o manto estrelado de milhões de astros luzentes.
Muito deve a humanidade aos grandes artistas e suas grandes obras que despertam a admiração de gerações sem fim.
Eles mantêm a chama do ideal acesa. É graças a eles que a beleza eterna não fenece nas trevas da psicologia humana e sua loucura perversa.
O ser humano tem necessidade de beleza como tem necessidade de alimento que o sustenta.
Ninguém pode apagar do coração humano este amor à beleza. Mesmo as mais degradadas criaturas mantêm em seu coração esta chama sagrada que pulsa sob o ritmo das constelações.
É um dom sagrado doado por Deus e espalhado por Seu amor por toda a criação.

Sempre amei este dom. Guardo em meu coração este sagrado tesouro precioso como o objeto de minha mais alta paixão. Um amor magnífico e excelso que resplandece dentro de mim como um poderoso sol e ilumina minha alma cansada em sua eterna tristeza.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Canto da Alma.

O que vai despertar o espírito da humanidade em seu pesado sono milenar?
O que vai sacudir o jugo das coisas banais e vazias que adormentam e envenenam multidões gigantescas todos os dias?
O que vai quebrar as correntes que aprisionam o coração e acabrunham nossa esperança?
Qual estrela pairando majestosa sobre nossa cabeça vai iluminar a escuridão vazia que atormenta dentro de nós?
Quem vai retardar a hora suprema que chega sorrateira e lançará nossas ilusões no bojo fatal da morte?
Quem vai suportar o peso imponderável que carrega dentro de si?
Quem vai ouvir o clamor de nossa agonia cotidiana que queima dentro de nós dia a dia?
Para onde vai o grito de nossa angústia, o qual sufocamos para dentro de nós coberto de banalidades e ilusões vazias?
Quem poderá fugir da hora certeira que pesa em seu destino e afundará sua ilusão dentro de si?
Quem vai soltar o sonho que fenece dentro de si e lança-lo às estradas luminosas do universo infinito?
Quem vai suportar o peso de sua luz divina, oprimida no fundo de sua alma por sua miséria perversa?
Quem vai enxugar nossas lágrimas vertidas por nossa mágoa secreta, que pesa dentro de nós como uma rocha gigante?
Qual vento provindo do espaço coberto de constelações gigantescas apagará este fogo que arde dentro de nós?
Quem poderá resistir ao convite de sua alma que lampeja veemente dentro de si?
Quem vai ressuscitar sua alma dentro de si, morta e enterrada sob o chão das coisas podres?
Quem devolverá para nós aquela paz perdida na multidão venenosa das mil coisas de todos os instantes?
Qual anjo se apiedará do peso inútil e doloroso que carregamos dentro de nós?

Quem vai suportar o peso de sua alma sem afundar nos abismos eternos, onde paira a loucura e a dor para sempre?

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Solidão e riqueza interior.

Sempre fui apaixonado por solidão. Concordo plenamente com as palavras de Thoreau: “Não conheço melhor companhia do que a solidão.”
A maioria da humanidade, - aqueles que não pensam - não pode compreender este amor à solidão. Isto é totalmente descabido para a mentalidade comum, voltada totalmente ao mundo exterior e suas vaidades vazias e fúteis.
Pobres criaturas! Não compreendem a riqueza do mundo interior. Um santuário sagrado onde Deus guardou a fonte de luz que um dia vai jorrar seus raios divinos e iluminar tudo ao redor de si.
As provações da vida, o martelamento contínuo da dor têm como finalidade interiorizar a alma humana.
Apenas a velhice e sua condição solitária desperta o interesse para o mundo interior. É um sábio recurso da vida criado pela sapiência infinita de Deus, o qual força a alma a olhar para dentro de si. Então, muitos reconhecem tardiamente o tesouro magnífico que carregaram dentro de si toda a vida sem perceberem.
A existência humana não é propícia à vida interior. A superficialidade, o artificialismo caprichoso, a vaidade e tantos outros fatores alienantes arraigados até o fundo em nossa cultura universal, impedem a introspecção. Um crime contra a luz perene que irradia das esferas celestes.
Muitos fogem da solidão devido a seu vazio interior. Seu interior é pobre e oco.
Todas as grandes almas que peregrinaram neste inferno sempre foram grandes amigas da solidão. Sempre foram introspectivas e contemplativas. É uma das mais marcantes características do gênio, como demonstra a história.
É no mundo interior que está o espírito: o mundo da verdade, da luz, da beleza, do amor, da bondade, da perfeição; da paz e da harmonia.
É lá que fala a voz de Deus a todos nós, – ovelhas tresmalhadas do seu rebanho – de vários modos. Iluminando, guiando e amparando todos nós nas trevas que nos cercam.

Esta voz nunca se cala. Uma prova cabal de Sua misericórdia infinita, sem a qual chafurdaríamos para sempre no lodaçal de nossa miséria perversa.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Justiça divina e perversidade humana.

Quem puder enxergar a verdade sem o véu da ilusão perversa que encobre e distorce sua visão, haveria de abismar-se com sua própria maldade.
Quem puder refletir sem a pressão da vaidade e orgulho a obscurecer seu entendimento, teria que ficar espantado com sua própria baixeza e egoísmo.
Não há como negar. Todos têm uma dívida eterna com a misericórdia de Deus. É por Seu amor infinito que não somos aniquilados. Não fosse Seu amor inesgotável e misericordioso a filtrar sua inexorável justiça, estaríamos todos no inferno.
Quem tem olhos bem abertos pode enxergar a ação poderosa e eficaz da justiça de Deus a todo o momento em todas as existências, distribuindo dores e alegrias no momento certo para todas as criaturas, sempre devolvendo a cada um o que plantou.
Cansei de observar a ação inexorável, poderosa e eficiente da justiça de Deus no destino de várias pessoas, as quais pude acompanhar durante anos. Eis um caso real:
Um homem, parente próximo meu, era extremamente turbulento, violento e muito egoísta, embora não fosse de todo mau. Era fisicamente forte, por isto abusava muitas vezes. Vivia envolvido em querelas, traía, mortificava e humilhava sua esposa. Constantemente lançava ao rosto de sua esposa seus bens, a qual era obrigada a suportar calada.
Foi assim durante anos. Assim, endividou-se com a justiça de Deus, a qual computou todas suas ações e armou uma rede de terríveis dores e humilhações angustiantes que desabaram em sua vida no momento certo.
Um câncer no pulmão arruinou lhe e devastou seu organismo. Ele sofreu terrivelmente, foi obrigado a parar de trabalhar. Isto o torturou demasiadamente. A doença progrediu rapidamente causando outros tormentos, devastando seu organismo. Sofria angustiantes falta de ar, problemas com o aparelho digestivo, problemas na fala. Perdeu a autonomia de movimentos, era alimentado e cuidado por outras pessoas; teve que amargurar ficar até o último dia de sua existência em uma cadeira de rodas. Perdeu a lucidez. Também perdeu peso demasiadamente, ficou com o corpo de um menino. Certamente uma punição aos abusos cometidos por ele quando era forte. Sua aparência ficou irreconhecível. Os traços de seu rosto alteraram-se, seus olhos ficaram embaciados, ficou com o ar aluado e a aparência de um demente. Ficou totalmente dependente dos outros, o que o mortificou terrivelmente.
Depois de um longo período de sofrimentos inenarráveis, morreu ainda relativamente cedo, deixando casa, carro e dinheiro na conta bancária para sua esposa, a qual suportou sua maldade e egoísmo durante anos.
Vi muitos chorar sua morte e alguns lamentar seu sofrimento. Mas eu pensava muito diferente de todos e mantinha-me sereno diante de tanta dor. Sei que Deus jamais erra. Sabia que ele estava colhendo o que plantou. A justiça de Deus é infalível.
Deus não se importa com a inconsciência humana, todos sempre vão colher o que plantam até o final dos tempos.

Já ouvi minha vizinha se queixar muitas vezes: “Ah! Não suporto mais sofrer,” sem perceber que ela é violenta e prepotente, tem um coração duro, espírito de furor, vive envolvida com intrigas, tiraniza o filho e outros parentes.
Lembro que certa vez estava na casa de uma conhecida, quando repentinamente ouvi gritos de uma mulher, os quais vinham de um quarto. Minha conhecida explicou que tratava-se de uma tia sua, a qual estava em uma cadeira de rodas e era entravada. Ela estava nesse estado há muitos anos. Ela só movimentava os olhos.
Depois de alguns minutos minha conhecida apareceu empurrando a cadeira de rodas com sua tia sentada. Observei-a atentamente: ela tinha um ar cruel. Seu olhar era duro e falso. Tinha um modo de olhar perverso onde percebia-se facilmente um coração frio e empedernido.


 Muita gente está de tal modo atolada no lodaçal da maldade que a perversidade tornou-se natural. Estas pessoas cometem barbaridades, violências, atos obscenos como se fosse a coisa mais natural do mundo, sem enxergar as nuvens de miséria e dor que se formam sobre suas cabeças, as quais a justiça de Deus desabará em suas vidas como uma tempestade de tormentos e dores torturantes.
É a obra do demônio, -as forças do mal inimigas de Deus e da luz- que predominam neste mundo desde o início da criação, as quais aproveitam-se da fraqueza, perversidade e de todas as misérias que infestam o coração humano para nos arrastar a seu lodaçal de imundície e perversidade.
Sempre que alguém ouve suas matreiras sugestões cai em seu laço astuto e manhoso, desliza para o caminho das trevas e amargará dores terríveis, sofrimentos atrozes; até que chegue o tempo de sua libertação determinado por Deus e sua inexorável justiça.
Seria inútil descrever mais exemplos. O mundo, a existência humana e sua miséria permanente é prova suficiente da falta de bondade, amor e luz de toda a humanidade.
Mas Deus é infinitamente poderoso. Seu amor não releva nossa miséria perversa e rebelde. Seu amor inesgotável salvará a todos nós, ainda que estejamos afundados até o pescoço em um mar de maldade, egoísmo e rebeldia.
Quando a vida nos faz deparar, como acontece tantas vezes, com quadros dolorosos e chocantes, elevemos nosso olhar ao céu e façamos nosso voto de confiança na bondade infinita e no poder de nosso Pai infinitamente amoroso. Afastemos para longe as sugestões maliciosas e perversas das trevas.

A natureza ilustra bem situações como estas. Estas pessoas presas e entravadas em seu leito de dor são como a lagarta presa em seu casulo submetida às leis poderosas e inflexíveis da natureza por um certo tempo, até que chegue o dia de sua libertação, quando transformadas e livres, ganharão asas e voarão pelo céu azul, exibindo suas novas cores vistosas e brilhantes sob os raios luminosos de nosso astro rei.