O senhor mediocridade é tranquilo. Inteligência mediana,
razoável, egoísta e amigo dos prazeres mundanos, ele vive satisfeito como um
caracol em uma concha, formada por sua mesquinha, baixa e inconsciente
existência animal.
Ele é motivado apenas pelo baixo interesse. Não faz nada
por amor ou bondade. Só faz algo em troca de alguma vantagem.
Ele desconhece o espírito, a fonte da luz e da verdade; não
tem cultura intelectual, desconhece totalmente as grandes questões filosóficas
que amarguram àqueles que pensam, amigos dos livros e do saber. O foco de sua
vida está todo em sobreviver, isto é: engordar seu ventre e desfrutar dos
ilusórios, banais e fúteis prazeres do mundo.
Sua vida é uma teia de mentiras e ilusões, desde quando
abre os olhos todos os dias quando desperta, até o momento quando fecha os
olhos quando adormece. Vive em um mundo alienado de convenções tolas e vazias,
produto de nossa civilização superficial e perversa.
Ele é enganado, explorado a todo o momento, mas também
engana e explora por sua vez, às vezes até inconscientemente. Não tem coragem,
determinação e superioridade moral para combater o mal e a iniquidade
universal.
Pobre senhor mediocridade! Vive como uma criança
ignorante e malvada em um mundo de crianças malvadas.
O maior ponto fraco deste tolo é sua vaidade orgulhosa.
Ele não suporta a mais leve crítica.
O mundo o espreita, atento para aproveitar-se de sua
estupidez natural e ganhar dinheiro explorando sua vaidade, orgulho e
futilidade.
Quando o senhor mediocridade caminha pelas cidades do
mundo ele depara-se com os mais variados convites que poderiam ser traduzidos
assim:
“Não compre a futilidade de meu concorrente, compre a
minha. Facilito o pagamento.”
“Não perca tempo em meu concorrente, perca tempo aqui.
Minhas cadeiras são mais confortáveis.”
“Não arrase sua saúde, nem apresse sua morte com bebidas
alcoólicas e cigarros no estabelecimento de meu vizinho, arrase aqui. Aceito
cartão de crédito.”
“Não seja cruel no restaurante de meu vizinho, devorando
a carne de nossos irmãos inferiores e endividando-se com a justiça de Deus,
para sofrer dores medonhas amanhã. Seja cruel aqui, dou desconto.”
“Não vá à clínica de meu colega para desrespeitar as leis
eternas da natureza de Deus e estragar seu corpo para sempre com injeções, cortes
na pele, cirurgias irresponsáveis, criminosas perante a lei de Deus e remédios
sintéticos artificiais. Faça isto em minha clínica, facilito até seis vezes.”
A vida do senhor mediocridade seria uma eterna comédia
ridícula, penosa e perversa se não existisse a dor e a morte.
A dor transforma os mais empedernidos e duros corações,
sensibiliza as mais frias almas, amadurece e faz vir à tona a gama de
sentimentos elevados cobertos no fundo de todos os corações por uma aluvião de
perversidade e misérias.
A morte causa um impacto fatal e poderoso na psicologia humana.
Diante dela caem todos os véus que encobrem a verdade e vão por terra todas as
ilusões que cegam a alma humana em seu caminho trevoso de lama, maldade e
ignorância.
Este impacto fatal é o recurso sábio utilizado por Deus e
sua misericórdia magnânima, para nos arrancar do lodaçal imundo e perverso em
que vivemos neste inferno e nos lançar às esferas celestes, nas quais
predominam o amor infinito de Deus, o bem e a verdade para sempre.
