Sempre fui apaixonado por solidão. Concordo plenamente
com as palavras de Thoreau: “Não conheço melhor companhia do que a solidão.”
A maioria da humanidade, - aqueles que não pensam - não
pode compreender este amor à solidão. Isto é totalmente descabido para a
mentalidade comum, voltada totalmente ao mundo exterior e suas vaidades vazias
e fúteis.
Pobres criaturas! Não compreendem a riqueza do mundo
interior. Um santuário sagrado onde Deus guardou a fonte de luz que um dia vai
jorrar seus raios divinos e iluminar tudo ao redor de si.
As provações da vida, o martelamento contínuo da dor têm
como finalidade interiorizar a alma humana.
Apenas a velhice e sua condição solitária desperta o
interesse para o mundo interior. É um sábio recurso da vida criado pela
sapiência infinita de Deus, o qual força a alma a olhar para dentro de si.
Então, muitos reconhecem tardiamente o tesouro magnífico que carregaram dentro
de si toda a vida sem perceberem.
A existência humana não é propícia à vida interior. A
superficialidade, o artificialismo caprichoso, a vaidade e tantos outros
fatores alienantes arraigados até o fundo em nossa cultura universal, impedem a
introspecção. Um crime contra a luz perene que irradia das esferas celestes.
Muitos fogem da solidão devido a seu vazio interior. Seu interior
é pobre e oco.
Todas as grandes almas que peregrinaram neste inferno
sempre foram grandes amigas da solidão. Sempre foram introspectivas e
contemplativas. É uma das mais marcantes características do gênio, como
demonstra a história.
É no mundo interior que está o espírito: o mundo da
verdade, da luz, da beleza, do amor, da bondade, da perfeição; da paz e da
harmonia.
É lá que fala a voz de Deus a todos nós, – ovelhas tresmalhadas
do seu rebanho – de vários modos. Iluminando, guiando e amparando todos nós nas
trevas que nos cercam.
Esta voz nunca se cala. Uma prova cabal de Sua
misericórdia infinita, sem a qual chafurdaríamos para sempre no lodaçal de
nossa miséria perversa.