Luz.

Luz.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Texto do livro "Relatos da vida." Irmão X. Psicografia: Chico Xavier

O Livro – Dádiva do Céu

Quando o Divino Mestre, nascituro, abria os braços tenros à luz suave da noite, na estrebaria singela, eis que fulgura no alto sublimada estrela...
E quantos velavam na Terra compreenderam que o Divino Rei havia nascido.
Toda a província Romana da Palestina recebeu, de improviso, na claridade silenciosa, do astro solitário, a esperada revelação.
Sacerdores e oráculos, políticos e príncipes da Judéia tremeram espantados.
Onde estaria o excelso Embaixador? No templo de Jerusalém ou no domicílio aristocrático de algum dos veneráveis doutores do Sinédrio?
Poderosos dignatários imperiais, nas vilas de repouso da Galiléia, empalideceram, surpreendidos.
Em que privilegiado ponto do mundo permaneceria o Celeste Redentor? No palácio de Augusto ou no lar patrício de algum legado importante?
Ricos senhores da Samaria confiaram-se, perturbados, à insônia... Em que região venturosa da Terra teria surgido o Salvador? Em algum santuário do monte ou em abastada propriedade particular?
Negociantes de Cesaréa de Felipe, viajores do extenso vale do Jordão, caravaneiros que vinham da Fenícia, peregrinos de Decápole e todos os homens e mulheres acordados, desde o topo nevado do Hermon até as águas imóveis do Mar Morto, estáticos e felizes, viram a estrela descer vagarosamente, assinalando o berço divino, e os pastores e as crianças, almas simples da natureza, foram os primeiros a descobrir que o Rei Celeste brilhava na manjedoura...
Desde então, Jesus permaneceu vivo entre os homens, ensinando, reajustando, curando, redimindo...
Através de sombras e pesadelos, de calamidades e guerras, em quase vinte séculos de luta, a geografia sentimental do Cristianismo estendeu suas linhas da Palestina Ocidental a todos os círculos do Planeta e a estrela da grande Revelação, personificada hoje na idéia santificadora da fraternidade e da paz, continua luzindo no firmamento das nações, anunciando a Era Nova...
Onde encontraremos o Senhor? Prosseguem perguntando os inumeráveis viajores da vida...
Nos castelos primorosos da fé? Nos monumentos que consagram o domínio exclusivista? Nas cerimônias santuárias do culto exterior? Nos preciosos discursos da convicção dogmática?
Eis, porém, que a claridade cintilante da idéia conduz o coração que se faz simples e sincero ao Evangelho da Vida e o livro, em seu humilde arcabouço de papel, representa a nova manjedoura, em que realizamos o nosso encontro com o Espírito do Senhor...
Veremos no livro o santuário de nossa ascensão espiritual.
Quando o povo missionário se desvairava na idolatria, O Todo Poderoso salvou-o, com o livro dos Dez Mandamentos, por intermédio de Moisés.
Quando o Mestre Divino veio trazer à Terra as justas diretrizes da redenção, determinou o Todo Compassivo que um livro – O Evangelho da Boa Nova – lhe fixasse a luz.
Quando a civilização se desequilibrava com as tempestades morais, luminosas e destruidoras, da Revolução Francesa, o Todo Sábio amparou o mundo, então no declive de tenebrosos despenhadeiros, oferecendo-lhe o livro dos Espíritos, através de Allan Kardec.
Depois da oração, o livro é a única escada pela qual o Céu pode descer a Terra.

Em verdade, quando um povo abandona o livro, começa a penetrar, sem perceber, o vale da estagnação e da morte.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Dor: uma nova percepção.

Muito mudará no futuro a compreensão humana sobre a dor.
As gerações futuras herdarão o produto de todas as transformações pelas quais passa a civilização atual. Nossa civilização está passando por mudanças radicais que vão alterar a existência humana até as bases. Isto se deve ao trabalho histórico de forças sutis poderosíssimas governadas pela vontade de Deus objetivando a implantação definitiva do bem no inferno do mundo.
As gerações pósteras, transformadas moral e intelectualmente, terão uma visão mais esclarecida referente à dor.
A dor será valorizada como um recurso infalível da vida para amadurecimento, transformação, sensibilização e refinamento da baixa, egoísta e perversa alma humana. É à dor que a humanidade deve sua evolução moral contínua. A dor é a linguagem que todos entendem. Ela nos aperta de todos os lados, tudo o que existe sente sua pressão poderosa. É fútil e tolo tentar fugir de suas investidas, todas as forças do universo estão ligadas a ela. É uma criação poderosa e absolutamente eficaz a qual devemos a transformação da bruta, perversa e estúpida alma humana em uma criatura madura, bondosa, consciente e sensível amanhã.
Não nos revoltemos quando ela bater à porta de nosso destino, ela é o mensageiro disfarçado o qual traz das fontes profundas da vida o remédio definitivo à nossa redenção.
Ai de nós se a sabedoria de Deus não criasse esta poderosa força. A imatura alma humana não tem esta percepção, mas o tempo há de iluminar sua cegueira trevosa.

Sempre que encontrarmos alguém chorando sob a pressão desta potência universal, lembremos sempre: este é o caminho que conduz até Deus.