Luz.

Luz.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O útil e o inútil.

O inútil é que é útil.
O útil não serve para muita coisa.
O útil critica o inútil, mas ele não
sabe o que diz. O útil nada entende.
O útil detesta o inútil, mas ele nada entende.
O inútil ri da correria vã do útil.
O útil odeia a serenidade do inútil,
ele prefere morrer  esmagado  ao
peso de sua correria insana e  inútil.
O útil pensa que sabe alguma coisa,
mas ele nada entende, pobre útil!
O útil venera a multidão louca,
o inútil é apaixonado por sua  solidão.
O útil  quer comprar o mundo para
erguer um pedestal à deusa vaidade,
o qual ruirá sob o guante do tempo
que transforma tudo em poeira.
O inútil quer amar e sonhar com
as estrelas que pairam acima de
nosso miserável mundo infame.
O útil está amarrado ao chão
que macula  e degrada nossa alma.
O inútil está ligado ao céu, que
jorra sua luz cintilante até os
confins do universo infinito.
O útil corre, o inútil pensa.
A corrida fortalece o corpo,
O pensamento edifica mundos.
O útil rasteja nas estradas ilusórias
do tempo que passa e leva tudo.
O inútil voa para as constelações,
a caminho da eternidade de Deus.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Arte e decadência.

Estou relendo “ A montanha mágica ” de Thomas Mann, seguramente um dos maiores escritores do século 20. A obra tem todas as características de uma obra de alta qualidade.
Thomas Mann é o último representante de uma rara e pouco numerosa série de escritores de primeira categoria. A partir de sua morte o nível mundial da literatura, que já vinha caindo desde a virada do século 19 para o  20,  despencou totalmente nos dias atuais. Por certo, sempre haverá aqui e ali algum  grande escritor genuíno, daqueles que não se sujeitam a prostituir seu talento em troca de vantagens passageiras; daqueles que tem um sincero e apaixonado amor à arte. É graças a pessoas assim que a chama do ideal não extingue-se totalmente nas trevas da ignorância humana. Esses raros artistas legítimos sabem da importância de escrever com correção e elegância, não importando-se com a atual  ignorância da maioria, muitas vezes completamente despreocupada com cânones literários. Nos dias atuais a onda bárbara de vulgaridade invadiu tudo, não ficando a literatura isenta de sua influência desastrosa.
O grande mal disso é que as gerações atuais estão tornando-se cada vez mais estúpidas.  Basta observar o comportamento dos adolescentes para notar as infelizes consequências desta onda de vulgaridade.
Os escritores tem uma missão muito importante com resultados e consequências muito além do que imaginam. O  ato de escrever, seja o que for, é de uma responsabilidade que poucos compreendem em toda sua extensão. Ao escrever,  transmite-se determinada mensagem  com determinado conteúdo ao leitor. Essa mensagem e conteúdo fixam-se no subconsciente e motivam, mesmo inconscientemente, o comportamento do leitor a agir  de acordo com a mensagem e conteúdo recebido na leitura. Um  livro, um texto escrito via internet, vão influenciar de forma permanente milhões de mentes durante um período, dependendo da qualidade da obra, imprevisível.
Estudando a história observamos a influência permanente dos escritores. No caso específico do ocidente, basta  observar  o caso da Grécia antiga até os dias de hoje. Quem será capaz de  superar Sófocles, Homero.  Ésquilo e outros? São esses escritores que influenciam outros escritores  a escrever e lançar ideias que transformam o mundo sempre.
Voltando a  Thomas Mann, ele tem atributos admiráveis: um raro talento para escrever com prolixidade, mas sem entendiar ou cansar o leitor. Como bom  alemão, muito diferente dos franceses, sua prosa é longa, mas tem uma beleza, um encanto que cativam o leitor ao máximo. É daquelas obras inesquecíveis, que lamenta-se parar de ler.