VII OS IDEAIS E A REALIDADE DA VIDA.
A Técnica das revoluções no processo evolutivo.
Quando os ideais descem à Terra, são transplantados para um plano biológico mais baixo. Observemos então que reações tem eles de suportar, a que transformações e adaptações devem ser submetidos, para poder sobreviver no nível evolutivo inferior do mundo, e que uso em tais condições faz deles a vida para poder utilizá-los para os seus fins. Certamente é inevitável que o ideal, dado que ele representa um modelo de vida mais avançado, deva suportar um retrocesso, para poder subsistir naquele nível inferior em que desce, o que se faz necessário para que este possa avançar. Pelo fato de o impulso do progresso em direção ao alto procurar impor a ascensão, isto não significa que a realidade biológica, ou seja, o que de fato a vida é na Terra, esteja pronta para transformar-se. Esta realidade tem as suas leis férreas, verdadeiras neste plano onde dirigem a vida, e de modo algum estão dispostas a deixar-se destronar. Por um lado, o ideal impõe justiça, honestidade, sinceridade, altruísmo, bondade etc. por outro lado a vida se baseia sobre um princípio bem diverso, que é a luta pelo triunfo do mais forte, pelo que vale aquele que vence com qualquer processo, mesmo que se contradiga totalmente o ideal, e ainda que seja injusto, desonesto, falso, egoísta, malvado etc. Se esta é a lei do animal humano que predomina na Terra, eis que a descida do ideal, se é vista de baixo pode parecer um assalto à integridade da vida, pelo menos na forma em que ela é entendida e quer realizar-se neste plano biológico. Como se conduz ela então em sua própria defesa, para permanecer no seu nível? A princípio resiste, reage à mudança, rebela-se; depois acaba por adaptar-se, e por fim, assimilando o novo, se transforma. Então a função do ideal naquele determinado nível evolutivo acabou e pode descer outro ideal mais avançado, para tomar com o mesmo método, o mesmo trabalho, mas num nível um pouco mais alto. Enfrentam-se, assim, em nosso mundo, o ideal e a realidade biológica, em posição de luta, cada um para dirigir a vida à sua maneira e impor-se como regra absoluta. Qualquer dos dois possui a sua moral, coloca-se como lei de vida, sobre a qual o seu próprio plano baseia a sua existência. Não é fácil, portanto, sair disto. A moral do ideal é a superação da realidade biológica, isto é, do tipo de vida vigente do animal humano e com este fim impõe o esforço para realizar a ascensão evolutiva, renegando o mundo. A moral do plano terrestre, é, pelo contrário, a da sobrevivência a qualquer custo, lutando só por isto e evitando desperdiçar energias, ao buscar aventuras evolucionistas, duvidosas superações, preferindo ficar no nível atual, conservando as velhas posições, antes confirmando e assegurando-se melhor a vida no mundo. Estes princípios opostos não aparecem na Terra somente como teorias abstratas, mas concretizados na pessoa de tipos biológicos opostos que são o do evoluído, que representa e vive o ideal, e o do involuído, que representa e vive a realidade biológica do ambiente terreno. O primeiro é uma antecipação do futuro, o segundo é um resíduo do passado, e eles chocam-se no presente, que é um período de transição do segundo para o primeiro. O evoluído, porque é mais avançado, cumpre no equilíbrio biológico, a função de guia, de exemplo, de impulso que dinamiza, estimulando a subir. O involuído, por ser atrasado, representa a resistência, o obstáculo ao progresso, a revolta, o impulso oposto, ou seja, o da negação. A luta reside entre dois biótipos que personificam os dois princípios opostos. O evoluído encontra-se deslocado na Terra, que não é o seu ambiente, mas cumpre ali a sua grande função evolutiva. O involuído encontra-se à sua vontade na Terra, no seu ambiente, a ele proporcionado; por este motivo, se sente incomodado pelo ideal que pretende deslocar as bases da sua vida, e defende-se dele, bem armado para a resistência. E no momento atual, por ser ele maioria, tem razão de ser na Terra. Mas a humanidade entrou já numa fase de transição evolutiva, pelo que, com gradual adaptação ao novo, a sua resistência começa a ceder e se inicia a assimilação e a transformação. Só depois de compreendermos isto, podemos entender o porquê da contradição entre bom e mau, entre verdade e mentira, de que está impregnada a vida do homem atual. Nele coexistem luz e trevas, e a tentativa da primeira realização do ideal aparece no mundo saturado de animalidade, tenazmente radicada no passado, revoltada e resistente. É assim que o ideal, apesar de descer do Alto, quando chega à Terra para se realizar, encontra-se subordinado às leis desta, ligado aos acontecimentos do desenvolvimento histórico, submetido à incerteza da tentativa que impera nas coisas humanas, ainda que no fundo do fenômeno fique o superior impulso do ideal, a sua potência e decisiva vontade de realizar-se. Assistimos assim a um choque de elementos opostos, o humano e o divino, que poderá fazer uma pausa, atrasar-se, mas que nunca poderá ser obrigado a deter-se pelo elemento humano. A força do ideal é interior, vem-lhe de dentro, porque lhe vem de Deus. O que luta é esta força interior que quer alcançar o seu florescimento exterior que é a sua manifestação na forma. Mas o fato do Alto tolerar estas resistências do mais baixo, não significa que o ideal seja o mais débil e que no fim ele não seja vitorioso sobre tudo mais. Se estas resistências subsistem, é porque formam parte da estrutura do processo evolutivo, o qual tem a sua razão de ter tal forma e não outra. A descida do ideal é um presente do Alto, é uma irradiação que provém de Deus, que assim se faz imanente até aos mais baixos planos involutivos para salvar o ser, atraindo-o a si, impulsionando-o a evoluir em direção ao alto. Mas este impulso por si só não basta se ele não for secundado pela boa vontade e esforço do ser, cuja liberdade é respeitada, pelo que ele pode aderir ou não, de maneira que livremente se resolva evoluir. O esforço para subir deve ser da criatura, porque a justiça quer que nada se ganhe sem ter sido merecido, por fim, as dificuldades para vencer são necessárias não só para que o esforço se realize e assim se haja ganho o mérito, mas também para que a experiência vivida ensine e por meio dela o indivíduo aprenda e construa as novas qualidades que constituem a sua evolução. Os obstáculos superados representam a resistência na qual se enrijece o lutador, o valor do soldado no campo de batalha, a prova da capacidade adquirida, o seu diploma de honra que o qualifica para ser admitido num plano evolutivo mais alto. Não há, pois, que desencorajar-se, se por um momento o mundo vence o ideal este no final sabe igualmente triunfar mesmo que no seu percurso terreno ele seja manchado, maltratado, mutilado, emborcado. É lógico que não possa ser diferente deste, o seu trajeto terreno que vai desde a sua aparição até à sua afirmação. Para poder transformar os demônios em anjos, os anjos devem misturar-se com eles sem deixar por isso de ser anjos. Para iluminar melhor a Terra, a estrela tem de descer até o lodo, mas não por isso deixando de ser estrela, pelo contrário tratando de iluminá-lo para lhe vencer a opacidade, até que o lodo se transforme em estrela. As condenações, as perseguições, as quedas ao longo do caminho são parte necessárias do processo da descida dos ideais e da sua afirmação. Se se observa bem, descobre-se que estes impulsos negativos terminam-se por emborcar-se, funcionando positivamente, não contra, mas a favor; que estas dificuldades têm uma potência criadora porque excitam uma reação a favor do perseguido, que adquire assim auréola de martírio, e que automaticamente excita a admiração do mundo. Tanto é assim que para os grupos humanos de qualquer tipo, o mártir, que se sacrificou pela ideia sobre a qual se baseiam sua existência, é mercadoria muito procurada, porque eles sabem muito bem que potência psicológica de proselitismo existe em favor do grupo e portanto da sua potência, representado por tal exemplo. A derrota de um momento no qual é o involuído o vencedor, se torna por meio dele, a semente do futuro desenvolvimento do ideal, um instrumento de vitória. O homem moderno, tornado mais astuto, enquanto vai em busca de perseguidos para o ideal do seu próprio grupo, para venerá-los a seu próprio favor e para desacreditar os grupos inimigos acusando-os de perseguição, evita praticar perseguições abertas, porque compreendeu a potência que existe em favor dos perseguidos e do seu grupo. Concluindo, pela sabedoria com que arquitetado este fenômeno, é a própria derrota do evoluído e a vitória do involuído, que leva ao triunfo do ideal. Tratemos de desenvolver estes conceitos observando alguns casos nos quais resulta mais evidente a contradição entre os dois opostos, o ideal e a realidade biológica. Esta contradição se manifesta porque está escondida debaixo do ideal, mas no entanto aquela realidade acaba por aparecer. Porque, frequentemente, o ideal é usado sobretudo para mascarar esta outra verdade bem diversa. Assim se explica como é que, o fato de seguir o mesmo princípio e programa que deveria levar a união entre os seguidores, na prática leva à sua rivalidade e divisão; então em vez de somar-se eles se destroem e o fraternizar conduz ao sectarismo e aos antagonismos religiosos. Aqui vemos dois impulsos opostos em luta: o do evoluído que quer levar à unificação na ordem (Sistema), e o do involuído que tende ao separatismo que culmina no caos (Anti-sistema). O ideal é neste caso utilizado, como dizíamos agora, como uma coberta de aparência formosa para camuflar a realidade dos interesses que se escondem ali por baixo. Trata-se de um fenômeno que se encontra em todos os campos, religioso, político, social, nos terrenos mais diversos, mesmo de natureza oposta. Porque em todos os casos a substância do fenômeno é a mesma, isto é, não é dada pelo ideal professado, utilizado para escondê-la, mas dada pelo grupo humano que o representa, pelos seus interesses, pela luta que ele tem de conduzir para a sua sobrevivência. Na realidade, a vida está feita de tal maneira que o mais urgente a salvar-se em primeiro lugar, são os interesses e não o ideal. O que assegura a continuação necessária da vida não é a moral da superação, mas a moral da sobrevivência. É assim que hoje assistimos o mesmo fenômeno, em dois campos muito diversos: por um lado vemos que os seguidores do mesmo Cristo estão divididos em religiões diferentes e rivais, e o fato das religiões adorarem o mesmo Deus não as une mas as divide; por outro lado, vemos os comunistas de todo o mundo, seguidores do mesmo Marx e Lenine, lutarem entre Rússia e China em nome do mesmo ideal. A realidade é que, debaixo da bandeira dos mesmos princípios, se formaram grupos com interesses diversos e são estes que prevalecem. Assim o ideal se adapta e se transforma a serviço de fins mais próximos e concretos, que não têm nada em comum com ele e terminam por substituí-lo. Debaixo da revolta religiosa de Lutero, havia um desejo de emancipação do império da Roma latina, um contraste de raças, percebido pelas massas, e sem isso a emancipação não teria acontecido. Esta é a substância, mesmo que queira justificá-la com o escândalo da venda das indulgências por parte de Roma, do qual o próprio Lutero não tinha o direito de queixar-se, pois que por sua parte cuidava igualmente dos seus interesses. E por séculos, sob o mesmo Cristo, as duas partes continuaram acusando-se de erro.
Luz.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Beleza e palavras.
“Tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo: uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo. Também se pode bordar nada. Nada em cima de invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro.”
Machado de Assis.
Belas e profundas palavras, escritas por um genial artista da língua portuguesa. Este trecho abunda sabedoria e perspicácia. Para apreendê-lo, não basta cultura intelectual, há de se “conectar” ao mundo interior deste gênio superior para penetrar a clareira de seu pensamento.
O contexto do trecho se presta a isto. Machado de Assis, como todos os grandes escritores da humanidade, os mestres supremos da arte de escrever, tinha o dom de “sugerir,” intelectualmente falando.
Os grandes artistas da sagrada arte de escrever, não lançam afoitamente suas ideias ao espírito do leitor. Eles escolhem palavras e frases e ajeitam-nas de forma a produzir um determinado efeito intelectual na mente de quem ler, mas de forma sutil e delicada. Sem perceber como, o leitor apreende imediatamente o pensamento oculto sob a mensagem escrita e assimila seu conteúdo.
Só os grandes escritores da humanidade, os mestres supremos da palavra e do pensamento tem este dom, esta magia sublime de expressar-se. Suas palavras penetram imediatamente as camadas profundas do inconsciente e vão direto ao coração de quem lê, causando um profundo efeito no mundo íntimo do leitor, arrastando o leitor às alturas ignotas que pairam sobranceiras sobre nossa cabeça.
É um dom sublime este, o dom de cativar o leitor e fazer sua alma transportar-se ao infinito. O leitor é transportado imediatamente de seu meio, de sua existência estreita, baixa e vulgar; de sua vida pequena, mesquinha e prosaica, para o universo mágico na eternidade de Deus, onde uma multidão de anjos louvam encantados a beleza eterna e o bem sempiterno no seio de Deus.
Esta é uma das principais diferenças entre os talentos medíocres e o gênio. O gênio não precisa de esforço para atingir a excelência. Sua alma voa entre as alturas permanentemente, enquanto os demais rastejam com extrema dificuldade para dar um passo além.
No texto de Machado de Assis acima, a palavra “bordar” tem um papel preponderante na interpretação contextual. “Bordar,” ou melhor: “enfeitar” revela a ideia central do texto, a intenção primordial do autor.
Podemos notar isto na frase: “Também se pode bordar nada.” Ao leitor desavisado e superficial parecerá que Machado de Assis quis dizer: “Também não se pode bordar coisa alguma,” mas a frase seguinte: “Nada em cima de invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro,” dá a entender que a palavra “nada” não tem o significado comum de “coisa nenhuma,” mas sim o sentido filosófico do termo.
Podemos chamar isto de ousadia criativa. Machado de Assis afrontou os cânones literários a favor da beleza, ao aplicar deliberadamente um pseudo sentido à palavra “nada” mais de acordo à sua intenção literária.
É bem clara esta conotação no trecho: “Nada em cima do invisível”... É óbvio que “nada” aqui tem um sentido totalmente diferente, pois o “nada” não pode causar qualquer efeito, muito menos pousar “em cima” de algo.
O “nada” a que se refere Machado de Assis está mais para uma visão do mundo encantado das alturas sublimes, o universo mágico e luminoso dos anjos, duendes e fadas, ao qual o gênio vive conectado a vida inteira. É isto que Machado quis dizer com o verbo “bordar,” enfeitar a realidade com a luz mágica dos sonhos, para não morrermos extenuados no cansaço cotidiano, famintos de luz e beleza, sob o vazio frio e rasteiro que pesa terrível em nossa miserável vida.
Machado de Assis.
Belas e profundas palavras, escritas por um genial artista da língua portuguesa. Este trecho abunda sabedoria e perspicácia. Para apreendê-lo, não basta cultura intelectual, há de se “conectar” ao mundo interior deste gênio superior para penetrar a clareira de seu pensamento.
O contexto do trecho se presta a isto. Machado de Assis, como todos os grandes escritores da humanidade, os mestres supremos da arte de escrever, tinha o dom de “sugerir,” intelectualmente falando.
Os grandes artistas da sagrada arte de escrever, não lançam afoitamente suas ideias ao espírito do leitor. Eles escolhem palavras e frases e ajeitam-nas de forma a produzir um determinado efeito intelectual na mente de quem ler, mas de forma sutil e delicada. Sem perceber como, o leitor apreende imediatamente o pensamento oculto sob a mensagem escrita e assimila seu conteúdo.
Só os grandes escritores da humanidade, os mestres supremos da palavra e do pensamento tem este dom, esta magia sublime de expressar-se. Suas palavras penetram imediatamente as camadas profundas do inconsciente e vão direto ao coração de quem lê, causando um profundo efeito no mundo íntimo do leitor, arrastando o leitor às alturas ignotas que pairam sobranceiras sobre nossa cabeça.
É um dom sublime este, o dom de cativar o leitor e fazer sua alma transportar-se ao infinito. O leitor é transportado imediatamente de seu meio, de sua existência estreita, baixa e vulgar; de sua vida pequena, mesquinha e prosaica, para o universo mágico na eternidade de Deus, onde uma multidão de anjos louvam encantados a beleza eterna e o bem sempiterno no seio de Deus.
Esta é uma das principais diferenças entre os talentos medíocres e o gênio. O gênio não precisa de esforço para atingir a excelência. Sua alma voa entre as alturas permanentemente, enquanto os demais rastejam com extrema dificuldade para dar um passo além.
No texto de Machado de Assis acima, a palavra “bordar” tem um papel preponderante na interpretação contextual. “Bordar,” ou melhor: “enfeitar” revela a ideia central do texto, a intenção primordial do autor.
Podemos notar isto na frase: “Também se pode bordar nada.” Ao leitor desavisado e superficial parecerá que Machado de Assis quis dizer: “Também não se pode bordar coisa alguma,” mas a frase seguinte: “Nada em cima de invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro,” dá a entender que a palavra “nada” não tem o significado comum de “coisa nenhuma,” mas sim o sentido filosófico do termo.
Podemos chamar isto de ousadia criativa. Machado de Assis afrontou os cânones literários a favor da beleza, ao aplicar deliberadamente um pseudo sentido à palavra “nada” mais de acordo à sua intenção literária.
É bem clara esta conotação no trecho: “Nada em cima do invisível”... É óbvio que “nada” aqui tem um sentido totalmente diferente, pois o “nada” não pode causar qualquer efeito, muito menos pousar “em cima” de algo.
O “nada” a que se refere Machado de Assis está mais para uma visão do mundo encantado das alturas sublimes, o universo mágico e luminoso dos anjos, duendes e fadas, ao qual o gênio vive conectado a vida inteira. É isto que Machado quis dizer com o verbo “bordar,” enfeitar a realidade com a luz mágica dos sonhos, para não morrermos extenuados no cansaço cotidiano, famintos de luz e beleza, sob o vazio frio e rasteiro que pesa terrível em nossa miserável vida.
domingo, 27 de dezembro de 2015
Coração e realidade humana.
Acreditai! É lá dentro de nós que vem tudo! È das profundezas da alma que parte o veleiro do destino, o qual navega pelos oceanos da vida encontrando em sua rota os recifes da dor e do desespero.
O chicote da dor vem do exterior, mas está ligado ao imo de nossa alma.
Enquanto a humanidade descuidar da alma, é em vão que vai procurar fora o que só se encontra dentro de nós.
Parai de debater com as ondas ilusórias do exterior, estais nadando contra a correnteza da vida. Acabareis extenuados e prostrados até perderdes vossas forças e afogardes desalentados no mar do destino.
Não é à toa que vos vejo quase sempre tristes e desalentados. Vossas alegrias são falsas, vossos desejos são vãos. Sois crianças grandes, apenas substituís vossos brinquedos. Crescei no espírito, crescei na alma e podereis encarar frente a frente o universo.
Sois descendentes das estrelas, sabei aceitar isto, não perdeis vossa credencial divina trocando-a por tolas ilusões exteriores. Não deixeis morrer vossa luz divina.
Não vos aborreceis com o caos e as trevas dolorosas do mundo. Todos vivem no mundo que criaram para si, forjado dentro de si na esteira do tempo. Todos colhem o que plantam.
Olhai para o céu todos os dias! Olhai para o alto. Se não puderdes sentir vosso coração palpitar de emoção ao enxergar milhões de pontos luminosos alegrando o espaço infinito como um sorriso de Deus, se não sentirdes comovidos por tanta beleza é por que teu interior é vazio e pobre, estais mortos à luz.
Pobre de ti, perdestes teu tesouro sublime. Deixastes morrer dentro de ti a planta viçosa do amor eterno que sobeja nas alturas. Deixastes teu coração ser invadido pelas ervas daninhas do orgulho, da vaidade, da maldade e da ignorância. Terás que perecer nas trevas dolorosas que criastes para ti mesmo.
Achais que podeis iludir as leis do universo por estardes bem posicionado na vida? Pobre de ti, formiguinha vaidosa e tola. O que sois para o universo, senão um tolo montículo de terra falante que se movimenta constantemente para cá e para lá?
Um mendigo que ajuda outro mendigo machucado a caminhar, um preso que alimenta outro preso impossibilitado de se alimentar por si próprio, tem mais valor para Deus de que tu com tua conta bancária recheada.
O coração é a verdadeira medida das coisas. É no coração que está escrita a lei invisível de Deus. E é lá bem no fundo da alma, que está guardado o sacrário da luz, do amor e da verdade, que um dia iluminará com seus raios cintilantes todo o mundo.
O chicote da dor vem do exterior, mas está ligado ao imo de nossa alma.
Enquanto a humanidade descuidar da alma, é em vão que vai procurar fora o que só se encontra dentro de nós.
Parai de debater com as ondas ilusórias do exterior, estais nadando contra a correnteza da vida. Acabareis extenuados e prostrados até perderdes vossas forças e afogardes desalentados no mar do destino.
Não é à toa que vos vejo quase sempre tristes e desalentados. Vossas alegrias são falsas, vossos desejos são vãos. Sois crianças grandes, apenas substituís vossos brinquedos. Crescei no espírito, crescei na alma e podereis encarar frente a frente o universo.
Sois descendentes das estrelas, sabei aceitar isto, não perdeis vossa credencial divina trocando-a por tolas ilusões exteriores. Não deixeis morrer vossa luz divina.
Não vos aborreceis com o caos e as trevas dolorosas do mundo. Todos vivem no mundo que criaram para si, forjado dentro de si na esteira do tempo. Todos colhem o que plantam.
Olhai para o céu todos os dias! Olhai para o alto. Se não puderdes sentir vosso coração palpitar de emoção ao enxergar milhões de pontos luminosos alegrando o espaço infinito como um sorriso de Deus, se não sentirdes comovidos por tanta beleza é por que teu interior é vazio e pobre, estais mortos à luz.
Pobre de ti, perdestes teu tesouro sublime. Deixastes morrer dentro de ti a planta viçosa do amor eterno que sobeja nas alturas. Deixastes teu coração ser invadido pelas ervas daninhas do orgulho, da vaidade, da maldade e da ignorância. Terás que perecer nas trevas dolorosas que criastes para ti mesmo.
Achais que podeis iludir as leis do universo por estardes bem posicionado na vida? Pobre de ti, formiguinha vaidosa e tola. O que sois para o universo, senão um tolo montículo de terra falante que se movimenta constantemente para cá e para lá?
Um mendigo que ajuda outro mendigo machucado a caminhar, um preso que alimenta outro preso impossibilitado de se alimentar por si próprio, tem mais valor para Deus de que tu com tua conta bancária recheada.
O coração é a verdadeira medida das coisas. É no coração que está escrita a lei invisível de Deus. E é lá bem no fundo da alma, que está guardado o sacrário da luz, do amor e da verdade, que um dia iluminará com seus raios cintilantes todo o mundo.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
O tempo: nosso amigo.
Bom dia amigo tempo! Tu és poderoso! Toda a criação te venera. Tua espada poderosa está suspensa sobre a cabeça de todas as criaturas. Tu tens parte com Deus, estás investidos de Sua suprema autoridade.
Como Deus, tu abominas o mal e combates impetuosamente esta praga maldita. Tu nunca perdoas ao mal. Tu nunca deixas o mal impune. Tua flechada certeira vai atingir inexoravelmente o coração de quem ousa te desafiar.
És invencível como Deus, coisa alguma, pequena como um átomo, ou gigantesca como o conglomerado de constelações infinitas, pode te burlar.
Tu estás investidos do manto sagrado da verdade. Tu vences tudo, coisa alguma pode superar-te.
Tu transformastes em pó as maiores civilizações do passado, tu lançastes abaixo da terra os mais poderosos exércitos do mundo. Transformastes em poeira pessoas e despojos.
O vento passeia por cima dos ossos, da ferrugem e da poeira deixada por gerações inteiras que vieram e foram pressionadas por tua vontade soberana.
Continuas teu trabalho divino para sempre, estás comprometido com a justiça de Deus e coisa alguma pode mudar isto.
Tu desprezas as loucuras humanas, tu não dá a mínima à ignorância e à maldade do mundo. Tu odeias a vaidade.
Tu te retiras em tua sabedoria silenciosa e lanças teu laço poderoso e invencível sobre o pescoço dos loucos, levianos e perversos. Tua laçada nunca falha.
Tu rorejas os segundos e constróis os séculos.
Tu abominas os tolos, os fracos e os covardes. És extremamente severo, não deixas passar coisa alguma.
Tu não suportas ilusões, tu aniquilas a todas as ilusões. Teu chicote severo investe impiedosamente contra as ilusões.
A morte é teu parceiro permanente. Juntos, tu e a morte curarão o mundo de sua estupidez inata e seu amor ao diabo.
Todos os dias tu sepultas sob a terra milhares de almas junto às suas loucuras e ilusões perversas. Lá ficarão até serem transformadas em pó para aumentarem o monte de poeira deixada no passado.
Tempo amigo, se tu não suportas a vaidade e a ilusão, tu amas a alma. O espírito é teu favorito. Abres todas as portas à luz da sabedoria.
Tu veneras o amor. Tu amas a humildade. És capaz de aniquilar o maior império do mundo, mas tu sorris embevecidos ao assistir uma mãe carinhosa acalentar seu filhinho.
Tu mandas às favas o orgulho vaidoso, para se ajoelhar diante da humildade de uma criança sorridente.
Tu chamas todas as estrelas do universo para iluminar a face de um bebê, sorridente e alegre em uma noite de verão.
Tu acodes ao chamado do desespero, para que não pereça a flor sagrada da esperança. Quem é teu amigo é fiel à luz divina por toda a vida e estará protegido por ti para sempre.
Como Deus, tu abominas o mal e combates impetuosamente esta praga maldita. Tu nunca perdoas ao mal. Tu nunca deixas o mal impune. Tua flechada certeira vai atingir inexoravelmente o coração de quem ousa te desafiar.
És invencível como Deus, coisa alguma, pequena como um átomo, ou gigantesca como o conglomerado de constelações infinitas, pode te burlar.
Tu estás investidos do manto sagrado da verdade. Tu vences tudo, coisa alguma pode superar-te.
Tu transformastes em pó as maiores civilizações do passado, tu lançastes abaixo da terra os mais poderosos exércitos do mundo. Transformastes em poeira pessoas e despojos.
O vento passeia por cima dos ossos, da ferrugem e da poeira deixada por gerações inteiras que vieram e foram pressionadas por tua vontade soberana.
Continuas teu trabalho divino para sempre, estás comprometido com a justiça de Deus e coisa alguma pode mudar isto.
Tu desprezas as loucuras humanas, tu não dá a mínima à ignorância e à maldade do mundo. Tu odeias a vaidade.
Tu te retiras em tua sabedoria silenciosa e lanças teu laço poderoso e invencível sobre o pescoço dos loucos, levianos e perversos. Tua laçada nunca falha.
Tu rorejas os segundos e constróis os séculos.
Tu abominas os tolos, os fracos e os covardes. És extremamente severo, não deixas passar coisa alguma.
Tu não suportas ilusões, tu aniquilas a todas as ilusões. Teu chicote severo investe impiedosamente contra as ilusões.
A morte é teu parceiro permanente. Juntos, tu e a morte curarão o mundo de sua estupidez inata e seu amor ao diabo.
Todos os dias tu sepultas sob a terra milhares de almas junto às suas loucuras e ilusões perversas. Lá ficarão até serem transformadas em pó para aumentarem o monte de poeira deixada no passado.
Tempo amigo, se tu não suportas a vaidade e a ilusão, tu amas a alma. O espírito é teu favorito. Abres todas as portas à luz da sabedoria.
Tu veneras o amor. Tu amas a humildade. És capaz de aniquilar o maior império do mundo, mas tu sorris embevecidos ao assistir uma mãe carinhosa acalentar seu filhinho.
Tu mandas às favas o orgulho vaidoso, para se ajoelhar diante da humildade de uma criança sorridente.
Tu chamas todas as estrelas do universo para iluminar a face de um bebê, sorridente e alegre em uma noite de verão.
Tu acodes ao chamado do desespero, para que não pereça a flor sagrada da esperança. Quem é teu amigo é fiel à luz divina por toda a vida e estará protegido por ti para sempre.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
O vendedor de ilusões.
O mundo é um grande
vendedor de ilusões. Vende-se a torto e direito todos os tipos de
ilusões. Ilusões caras, ilusões baratas, ilusões luxuosas,
ilusões humildes. Ilusões vaidosas, ilusões orgulhosas e ilusões
perversas.
O mundo é uma
gigantesca feira de vaidades onde a moeda corrente é a ilusão.
Troca-se tudo por uma ilusão. A ilusão é o pote de ouro que
fascina até mesmo os mais inteligentes.
Os tolos amam a
ilusão, os perversos a adoram e a multidão estúpida tem um amor de
louco por ela. Tentai desaferrolhar a alma da multidão dos liames
invisíveis que a prendem à ilusão e vereis surgir imediatamente
uma fera feroz e carrancuda.
Os mais inteligentes
tem sua ilusão culta, os mais ricos tem sua ilusão civilizada, os
mais pobres tem sua ilusão grosseira.
O
maior inimigo da ilusão é a sabedoria, por isto a multidão
estúpida odeia a sabedoria. Vasculhai a alma da multidão, revirai
ela completamente e encontrareis somente ignorância e trevas, filhos
legítimos do mal.
Não
enveredei pelas sombrias veredas palmilhadas pela multidão
ignorante. É um caminho tortuoso que levará ao paraíso dos loucos,
dos desalmados, dos arrependidos; daqueles que se perderam nas
insidiosas trilhas do mal e terminaram de mãos vazias frente a
frente à dor, à humilhação e ao desespero.
Quem
dorme sorrindo à ilusão, desperta chorando abraçado à dor.
A
vida é sábia. Ela jamais erra. Ela é a sabedoria de Deus em ação.
Se a
estupidez humana criou a ilusão, a sabedoria de Deus criou a morte:
a mais rigorosa destruidora de ilusões. Sua foice invisível está
suspensa sobre nossa cabeça nossa vida inteira, ela não abandona
seu posto nem por um segundo sequer. Seu convite forçado pode nos
chamar a qualquer momento. Ninguém pode recusar seu convite, ninguém
pode fugir à sua vigilância severa.
A
morte é uma prestação de contas à alma, ao conhecimento, à luz,
à bondade e ao amor. Diante dela, brilha o inexorável facho da
verdade. Diante dela morrem todas as ilusões. Elas caem uma a uma,
extenuadas, prostradas, arruinadas e sepultadas no túmulo de sua
ignorância malvada, sob o tacão invencível da vontade de Deus.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Deslumbramento.
Moro
atualmente em uma ilha no litoral sul do estado de São Paulo. Uma
pequena cidade, a qual dizem uns que é a segunda mais antiga do
Brasil, dizem outros que é a primeira.
Ainda
se encontra monumentos da era colonial, até mesmo um canhão
original. A cidade ficou muito tempo afastada culturalmente da
capital, o que atravancou seu desenvolvimento. O progresso chegou
muito tarde. O povo é pobre e ignorante, a maioria é constituída
por caiçaras ou descendentes de caiçaras.
Se
do ponto de vista socioeconômico a cidade é uma nulidade, do ponto
de vista histórico e antropológico é muito rica.
Aqui
a natureza é abundante. Há um contato frequente entre as pessoas e
a natureza. Frequentemente há um contato próximo entre pessoas e
animais. Há também uma quantidade incontável de insetos.
Um
dia uma parente minha deparou-se com um jacaré diante de seu portão,
ao sair de casa. É comum encontrar gambás por toda a cidade.
Avista-se golfinhos perto da cidade e muitos outros peixes de grande
porte.
Bem
no centro da cidade, em uma praça diante do mar e junto aos barcos
estacionados diante da praça, há uma agência bancária, a qual eu
frequento muitas vezes.
Em
um luminoso dia de verão, sob um radiante sol, o qual espalhava seus
raios brilhantes por tudo, iluminando e alegrando toda a cidade, eu
estava sentado em uma poltrona no interior da agência bancária
aguardando o atendimento. Talvez impressionado pela beleza do dia,
talvez mais encantado com a luxuriante natureza de Deus à minha
volta, eu olhei ao redor de mim no interior da agência. Havia muitas
pessoas àquela hora. Os poucos funcionários estavam atarefados em
suas funções, outras pessoas aguardavam, umas em pé e outras
sentadas.
Foi
ao virar meu rosto para o lado direito, que um forte sentimento
místico apossou-se de minha alma. Parecia que Deus havia tocado
minha alma. Uma sensação maravilhosa de paz, serenidade e beleza
tomou meu coração. Eu quase que via um magnífico raio colorido
vindo do infinito e derramando-se em meu coração, causando-me um
jubiloso êxtase. Minha alma soltou-se das algemas do tempo e do
espaço, senti-me como se estivesse subindo para as esferas ignotas e
radiosas no seio de Deus. Um magnífico sentimento de gratidão
surgiu repentino dentro de mim. Um desejo louco de abraçar toda a
criação e cantar hosanas a Deus para sempre. Senti uma vontade
súbita de cantar o amor de Deus para todo o universo.
Repentinamente,
fui chamado à realidade pelo alarme das senhas que anunciava o
número da próxima senha.
Meu
Deus! Um sentimento de piedade imenso apoderou-se de meu coração ao
observar os rostos atentos aos números, às conversas banais, aos
rostos medíocres, às expressões vazias estampadas nos rostos das
pessoas que me cercavam. Aquela era a realidade psicológica das
pessoas, mas não era a verdadeira e sim uma realidade factícia e
invertida, produto da loucura cotidiana e perversa. Funcionários e
clientes estavam de mãos dadas, formavam um mesmo batalhão em luta
contra a alma e o coração.
Foi
aí que percebi a baixeza da alma humana. Trilhões de estrelas
pululam sobranceiras sobre nossa cabeça. Milhões de galáxias
carregam um número infinito de mundos e satélites. Astros infinitos
embelezam as esteiras dos céus por estradas rutilantes infinitas e a
tola alma humana a se arrastar por este minúsculo grão de areia, perdido nas imensidões do oceanos celestes, que chamamos de mundo,
amarrada às convenções tolas, a minúsculos interesses; rasteiros,
egoístas e perversos.
Assim,
a alma humana passa o tempo brincando de viver, como uma criança
grande, mas nunca vive realmente.
Amo
a natureza! Bastou-me sair daquele ambiente artificial, estreito,
fechado e baixo, para respirar o ar livre e leve da praça; diante do
magnífico oceano, repleto de barcos àquela hora, sob o lindo astro
rei daquele dia de verão, para sentir meu amor enlevar-se dentro de
mim e transportar-me aos confins do universo, ao coração de Deus,
onde abunda a paz, o amor e a beleza para sempre, muito distante do
inferno mesquinho e rasteiro de nossa miséria cotidiana.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Minha amiga, a solidão.
Sou um grande amigo da solidão. Imitando o genial Thoreau, também acho que não existe melhor companhia do que a solidão.
Se estou só, minha alma sente-se livre e satisfeita. A harmonia, a paz, o silêncio são elementos essenciais para que desabroche a beleza perene que subjaz a tudo. Para mim basta aparecer uma pessoa para “quebrar” minha harmonia interior.
Não suporto multidão. A multidão causa-me um grande mal estar.
“O nosso grande mal é nunca podermos estar só.” Disse alguém, e tinha razão. A falta de contato com a luz interior que todos tem dentro de si afasta a maioria da fonte divina que jaz no fundo de todos nós, camuflada pela avalanche de coisas fúteis e banais, impostas a ferro e fogo pela massa ignorante de todos os tempos, as quais atulham a porta de nosso coração e não deixam a luz passar.
A massa ignorante é uma fera ciosa e invejosa que ama sua ignorância estúpida e não tolera que a libertem de seu lodaçal crasso. Ela se volta carrancuda e feroz a quem quiser libertar seus escravos cegos e hipnotizados pelas coisas exteriores, às quais a fera é apaixonada. Ela ama as trevas e quer impor seu amor a todos.
Dia a dia a alma das pessoas fica cada vez atulhada de coisas inúteis e alienantes, produtos e refugos universais de nossa civilização fria, perversa e sem alma.
O mundo não suporta a solidão, por isto inventa mil coisas fúteis para afastar quem ousar enveredar por este caminho. A massa ignorante e estúpida odeia a solidão.
Mas quem vai ligar para o que pensa a massa?
O gênio, os santos, nunca ligaram. Todos eles amavam a solidão.
Só mesmo com o cabelo todo branco, a pele cheia de rugas, a expressão cansada, triste, amargurada por doenças e mil incômodos, às portas da morte, a alma das massas vai deixar cair uma lágrima de arrependimento por descobrir tão tardiamente a fonte de luz maravilhosa que sempre carregaram dentro de si a vida inteira, mas não enxergaram isto, cegos que estavam fascinados pelo turbilhão vazio das mil coisas exteriores, ocas, fúteis e tortas, filhos espúrios, falsos e maldosos de nossa demoníaca civilização universal.
Se estou só, minha alma sente-se livre e satisfeita. A harmonia, a paz, o silêncio são elementos essenciais para que desabroche a beleza perene que subjaz a tudo. Para mim basta aparecer uma pessoa para “quebrar” minha harmonia interior.
Não suporto multidão. A multidão causa-me um grande mal estar.
“O nosso grande mal é nunca podermos estar só.” Disse alguém, e tinha razão. A falta de contato com a luz interior que todos tem dentro de si afasta a maioria da fonte divina que jaz no fundo de todos nós, camuflada pela avalanche de coisas fúteis e banais, impostas a ferro e fogo pela massa ignorante de todos os tempos, as quais atulham a porta de nosso coração e não deixam a luz passar.
A massa ignorante é uma fera ciosa e invejosa que ama sua ignorância estúpida e não tolera que a libertem de seu lodaçal crasso. Ela se volta carrancuda e feroz a quem quiser libertar seus escravos cegos e hipnotizados pelas coisas exteriores, às quais a fera é apaixonada. Ela ama as trevas e quer impor seu amor a todos.
Dia a dia a alma das pessoas fica cada vez atulhada de coisas inúteis e alienantes, produtos e refugos universais de nossa civilização fria, perversa e sem alma.
O mundo não suporta a solidão, por isto inventa mil coisas fúteis para afastar quem ousar enveredar por este caminho. A massa ignorante e estúpida odeia a solidão.
Mas quem vai ligar para o que pensa a massa?
O gênio, os santos, nunca ligaram. Todos eles amavam a solidão.
Só mesmo com o cabelo todo branco, a pele cheia de rugas, a expressão cansada, triste, amargurada por doenças e mil incômodos, às portas da morte, a alma das massas vai deixar cair uma lágrima de arrependimento por descobrir tão tardiamente a fonte de luz maravilhosa que sempre carregaram dentro de si a vida inteira, mas não enxergaram isto, cegos que estavam fascinados pelo turbilhão vazio das mil coisas exteriores, ocas, fúteis e tortas, filhos espúrios, falsos e maldosos de nossa demoníaca civilização universal.
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