Luz.

Luz.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Conto feérico.

Sua beleza inundava meus olhos de êxtase, eu sorvia sua beleza estupenda. Sentia-me como se fôssemos transformados em duas crianças, saltitando livres em um  mundo encantado. Este mundo era um jardim imenso. Eu e ela brincávamos junto a coelhinhos coloridos. Alimentávamos eles com sementes, estendendo nossas mãozinhas em forma de concha.
Nós corríamos por bosques floridos seguidos por uma multidão de coelhinhos que saltitavam alegres e livres.
O sol iluminava  tudo e parecia sorrir jubiloso. Seus raios difundiam por todo o bosque uma luz brilhante amarela, a qual cintilava sobre as folhas e as flores.
Eu peguei sua mãozinha e enlacei à minha. Corríamos felizes por bosques acompanhados de nosso gracioso cortejo. As árvores pareciam sorrir prazenteiras à nossa passagem. As flores pareciam falar palavras carinhosas umas às outras diante de nossa correria álacre.
Chegamos a um lindo bosque onde havia uma cachoeira. A água era cristalina. Os raios do sol refletiam na queda e reverberavam, ocasionando um clarão amarelo diáfano e vistoso.
Mergulhamos nus no lago. Passarinhos gorjeavam. Dois deles pousaram ao lado da multidão de coelhinhos parada à margem.
Brincávamos na água diante de nossa plateia pequenina e graciosa, seus olhinhos espiavam atentos nossos movimentos.
Saímos do lago e deitamos na relva acolchoada como um tapete verde para nos secar. Nossas mãozinhas estavam entrelaçadas. Os coelhinhos pulavam por cima de nós. Eu  beijei um deles. Ela aconchegou outro a seu rosto com a outra mão.
A fada dos bosques apareceu. Os coelhinhos abriram espaço para ela passar. Era criança como nós. Ela trazia um cesto contendo doces, bolos e frutas. Ficamos sentados no centro rodeados de olhinhos que nos fitavam atentos.
A fada dos bosques deixou o cesto na relva e partiu. Nós trocávamos doces  e frutas e saboreávamos gostosamente nosso repasto.
Os passarinhos colhiam as migalhas que caíam na relva e disputavam com os coelhinhos.
Voltamos a correr pelos bosques floridos, nós e nossos coelhinhos. Chegamos ao bosque onde morava a rainha das flores. Ela também era criança. Tinha um chapeuzinho colorido no lugar da coroa. Ela convidou-nos a dançar.
Nós dançamos a dança da roda. Os girassóis pareciam alegrar-se com nossos passos. As rosas lançavam seu olor fragrante sobre os ares, como gratidão à nossa jovialidade.
E nós girávamos de mãos dadas. O bosque todo passou a girar. O mundo todo girava…
Soltamos as mãos da rainha das flores e enlaçamos somente as nossas mãozinhas.
Dançamos a valsa das flores sob a sinfonia das estrelas.
Elas olhavam do alto silenciosamente, parecendo o sorriso de algum anjo a abençoar jubiloso, nosso casto amor, nossa sublime alegria.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Texto do livro "O evangelho segundo o espiritismo." Autor: Allan Kardec.

                  A VERDADEIRA PROPRIEDADE.
                                         Pascal. Genebra, 1860.

O homem não possui como seu senão aquilo que pode levar deste mundo. O que ele encontra ao chegar e o que deixa ao partir, goza durante sua permanência na Terra; mas, desde que é forçado a deixá-los, é claro que só tem o usufruto, e não a posse real. O que é, então, que ele possui? Nada do que se destina ao uso do corpo, e tudo o que se refere ao uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Eis o que ele traz e leva consigo, o que ninguém tem o poder de tirar-lhe, e o que ainda mais lhe servirá no outro mundo do que neste. Dele depende estar mais rico ao partir do que ao chegar neste mundo, porque a sua posição futura depende do que ele houver adquirido no bem. Quando um homem parte para um país longínquo, arruma a sua bagagem com objetos de uso nesse país, e não se carrega de coisas que lhe seriam inúteis. Fazei, pois, o mesmo, em relação à vida futura, aprovisionando-vos de tudo o que nela vos poderá servir. Ao viajante que chega a uma estalagem, se ele pode pagar, é dado um bom alojamento; ao que pode menos, é dado um pior; e ao que nada tem, é deixado ao relento. Assim acontece com o homem, quando chega ao mundo dos Espíritos: sua posição depende de suas posses, com a diferença de que não pode pagar em ouro. Não se lhe perguntará: Quanto tinhas na Terra? Que posição ocupava? Eras príncipe ou operário? Mas lhe será perguntado: O que trazes? Não será computado o valor de seus bens, nem dos seus títulos, mas serão contadas as suas virtudes, e nesse cálculo o operário talvez seja considerado mais rico do que o príncipe. Em vão alegará o homem que, antes de partir, pagou em ouro a sua entrada no céu, pois terá como resposta: as posições daqui não são compradas, mas ganhas pela prática do bem; com o dinheiro podes comprar terras, casas, palácios; mas aqui só valem as qualidades do coração. És rico dessas qualidades? Então, sejas bem-vindo, e teu é o primeiro lugar, onde todas as venturas te esperam. És pobre? Vai para o último, onde serás tratado na razão de tuas posses.