Luz.
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Gênio e Neurose. Texto de A Grande Síntese. Psicografia: Pietro Ubaldi. Ponto máximo do conhecimento.
Concluiremos a exposição da teoria do super-homem, observando como se manifestou na revolução biológica em forma de gênio, procurando compreender, em seguida, as afinidades que, por conclusões erradas, foram ressaltadas entre seu tipo e a degradação neurótica; finalmente, buscando definir o fenômeno da degradação biológica no processo genético do psiquismo. Enquanto a mediocridade estacionária para em sua fase, em perfeito equilíbrio, contra quem tenta novos caminhos, levantam-se todos os assaltos das forças biológicas. O misoneísmo, como garantia de estabilidade, é impulso de nivelamento, e a vida põe asperamente à prova as antecipações e as criações. Se o gênio passa por sobre a Terra como um turbilhão, a massa a ele gruda-se para mantê-lo embaixo. No tipo comum, os instintos são proporcionais às condições ambientais e existe uma correspondência, estabelecida antes que a criatura nasça, entre ela e a coletividade; esta o espera de forma a que já encontre pronto o esforço e sua satisfação. A compreensão é automaticamente perfeita. O gênio, ao contrário, monstruosa hipertrofia de psiquismo, situado numa posição biológica supernormal, encontra-se defasado em tudo e por tudo; é impossível estabelecer uma correspondência entre seu instinto, que normaliza o supernormal, e o ambiente que exprime outra fase e oferece outros choques. A diferença de nível produz uma desproporção; não se esboça uma compreensão; o desequilíbrio entre sua alma e o mundo é insanável, impossível é a conciliação entre sua natureza e a vida. O gênio passa, solitário e dolorido, mas cônscio do próprio destino, incompreendido e gigantesco, repugnando os ídolos da multidão, atordoado pelo estrépito da vida, desatento e inepto, porque sua alma é toda ouvidos para um canto sem fim que lhe sai de dentro e voa ao encontro do infinito. Estranho sonhador, preso no sagrado tormento da criação, absorvido nos ócios fecundos em que amadurece o invisível trabalho íntimo, sofre com uma paixão em que não é o homem, mas o universo que responde. A imensidade do infinito está próxima e ele não vê a Terra, que atrai todos os olhares e todas as paixões. Vive de lutas titânicas. Pede à vida a realização do ideal, sem possibilidade de concórdia com a mediocridade, aspirado como um turbilhão pela ânsia da evolução. Conhece o medo de quem se debruça sobre o abismo dos grandes mistérios, a vertigem das grandes altitudes, a amargurada solidão da alma diante da inconsciência humana; conhece a luta atroz contra a animalidade que retorna, as imensas fadigas e os perigos que aguardam os que querem alçar-se ao vôo. Os cegos dizem: é louco! Sente-se esmagado pelo inútil peso do número; compreende a baixeza de quem não o compreende. Mesmo a ciência, filha da mentalidade utilitária da mediocridade incompetente, mas ávida de julgar, sentencia: neurose! Mas o gênio não pode descer; sente seu Eu gritar e não pode calar. Ele não é um corpo apenas, como os outros, é, acima de tudo, uma alma. O espírito que dormita em tantos e deve nascer, aparece nele como um gigante, evidente, troveja e se impõe; quem poderá compreender suas lutas titânicas? A humanidade caminha lenta, debaixo do esforço da própria evolução; ele está à frente e carrega toda a responsabilidade, arrasta o peso de todos. A massa diz: anormal; a ciência fala: neurose. Mas conhece a ciência as relações entre dor e ascensão espiritual? Entre doença e gênio? Conhece os profundos equilíbrios em que se esconde a função biológica do patológico? Conhece por quais leis de compensação física e moral funcionam as íntimas harmonias da vida? Mas se a ciência ignora todos os fenômenos sutis da alma, até negando-a totalmente, que pode entender essa ciência fragmentária, incapaz de sínteses, sobre a complexidade de leis superiores, de cuja existência ela sequer suspeita? Como pode constranger-se o supranormal, a antecipação biológica, nos limites do tipo médio? Por que aquele que representa o valor mais medíocre deve ser escolhido como modelo humano? Que significa esse nivelamento, essa redução de altitude em categorias preconcebidas, esse apriorismo que emborca a visão do fenômeno, exaltando no gênio apenas o lado pseudo patológico da neurose? Não é patológico o cansaço proveniente de enorme trabalho, o desequilíbrio inevitável que provocam as antecipações evolutivas, o tormento e o esforço das maturações mais altas, a inconciliabilidade inevitável entre o conquistado superpsiquismo e o organismo animal. Esses caminhos de aperfeiçoamento moral prosseguem e continuam, exatamente, a evolução orgânica darwiniana; e a ciência, que compreendeu uma, deveria, por coerência, compreender a outra. É lei de equilíbrio natural que qualquer hipertrofia, como também qualquer atrofia, seja compensada. Como no campo orgânico, cada indivíduo tem normalmente um ponto de menor resistência e maior vulnerabilidade, que fica compensado por um reforço proporcional em outros pontos estratégicos. Assim, no campo psíquico verifica-se um desenvolvimento de qualidades que a média sequer suspeita. Não se pode julgar um tipo psíquico de exceção com os critérios e unidades de medidas comuns, para relegá-lo sumariamente no anormal e no patológico. Insisto nisto porque assim inverte-se a apreciação desse novo tipo de homem, cuja criação é função justamente dos tempos modernos. Querer levar para o anormal tudo o que exorbita da maioria medíocre, é sufocar a evolução, fazendo do tipo humano mais comum, de valor duvidoso, o tipo ideal; é crime, querer esmagar embaixo o que não se compreende, este por em comum e confundir, colocando igualmente fora da lei o subnormal e o supernormal, fenômenos que estão simplesmente nos antípodas um do outro. Sem falar nas injustiças históricas, delineia-se ainda hoje, por vezes, o tipo humano que tende ao supernormal: é o terceiro tipo de homem, como vimos. É um tipo de personalidade que representa, por maturidade de instintos, refinamento moral e intelectualidade superior, a assimilação ocorrida dos mais altos valores espirituais, a aquisição das qualidades mais úteis à convivência social, constitutivas do edifício das virtudes: a formação realizada do tipo ao qual tende a humanidade em seu desenvolvimento. Inteligência, dinamismo, excepcional, sensibilidade e percepção do belo e do bem, uma retidão em que se fixaram os mais altos ideais de honestidade e altruísmo, que são o índice do grau de evolução, uma atitude superior que cimenta o conjunto social e funciona no organismo coletivo. Todos, sinais de nobreza de raça, de uma aristocracia de espírito. Mas, ao mesmo tempo, existe uma sensibilização dolorosa, que revela o esforço de novas adaptações, o tormento de um ser que geme sob o peso de violentos deslocamentos biológicos, a rebelião de um funcionamento orgânico não habituado; e não sabe submeter-se às exigências que um psiquismo preponderante impõe, na improvisada dilatação de suas potencialidades. Se hoje aparece como fraco, acumula em si qualidades e poderes espirituais que, um dia, admiti-lo-ão entre os futuros dominadores do mundo, ao passo que aos normais, aos equilibrados no ciclo das funções animais, restará por seleção natural a função dos servos. Se o gênio apresenta uma tendência à neurose, é porque seu temperamento de vanguarda que assume o risco da preparação das verdades futuras e executa uma grande função no equilíbrio da vida. Se em sua própria emotividade e afetividade, intensas demais, na exaltação da inteligência e da sensibilidade, na moral primorosa, existe algo de ultra-refinado — como da raça aristocrática que, por estar madura demais, agoniza e morre —, socialmente, é um fermento precioso de sensibilidade e atividade, uma centelha de vida entre u’a massa de medíocres, onde predomina a inércia, e a vida, que não sabe senão manter-se e reproduzir-se, fechada no ciclo de suas funções animais. Esses seres delicados foram e são constrangidos a viver num mundo de todos. Que terrível choque para eles reserva a luta do tipo comum, vazio de escrúpulos e de sensibilidade, que se conduz tão brutalmente! São generosos e honestos, não sabem prostituir a alma todos os dias para obter vantagem imediata, vivem daquilo que o mundo verá somente daqui a milênios e pagam caro sua superioridade. A dor, caminho das grandes ascensões, é sua companhia mais chegada. Neles, a natureza humana, que morre para dar vida ao psiquismo super-humano, sofre o tormento da agonia e, com uma afetuosidade intensa e incompreensível aos normais, implora desesperadamente ajuda, para não morrer. O mundo ri, mas já foi selado pela palavra do Grande entre os grandes: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. O homem, julgado inconsciente! Triste herança a normalidade! Tanto maior é o espírito, mais forte ele sabe bater a dor para sua ascensão. É lei da natureza que as grandes criações sejam filhas das grandes dores; que o processo das criações biológicas mais fecundas, seja mais trabalhoso, mais cheio de esforços. Existe trabalho mais forte que o de vencer a inércia biológica e superar no atavismo o impulso de forças milenares? É bem grave, para quem vive neste mundo e com esses labores, ter de acrescentar à luta exterior de todos a tensão dessas grandes guerras interiores, e conter, no centro de si mesmo, não um cérebro aliado e amigo que ajude na conquista material, mas um cérebro com objetivos diferentes; não acompanha, mas agride a vida; transforma-lhe o trabalho, complica-lhe os obstáculos, aumenta o sofrimento, e acrescenta às dificuldades do mundo exterior o enorme peso do drama interior que por si só, já é suficiente para esmagar o homem. Que tremendo problema se tornará uma vida assim traçada, suspensa entre a luta exterior e a interior, ambas sem tréguas? O deslocamento das aspirações humanas e o emborcamento dos valores comuns isola e vergasta; a realidade sensória insulta o sacrifício; o presente não quer morrer para dar lugar ao amanhã, o corpo para o espírito, o tangível para o imponderável. A construção de uma alma nova exige um grande esforço no deslocamento do eixo da vida e a revalorização de si mesmo num nível mais alto. A esse ser, diz a ciência: psicopata. Sem dúvida, existe uma neurose patológica como síndrome clínica mais ou menos evidente, em que se encontra justamente exaltado o tom da dor e da sensibilidade; mas, com muita frequência, a ciência quis incluir nela grande quantidade de fenômenos que pertencem ao supernormal e algumas maravilhosas indenizações da natureza, que sublima o espírito e provoca um crescimento gigantesco de manifestações intelectuais no coração de uma psique tormentosa. Desvalorizou desse modo um tipo humano que podia ter uma função na economia da vida social. Com essa incompreensão, a ciência inverteu sua tarefa: valorizar as forças da vida. Grande responsabilidade, para quem fala de cátedra, com autoridade: o não saber ver essas mais altas fases da evolução biológica que, no entanto, é tão corajosamente defendida; o ter compreendido que isto é apenas um fragmento da verdade, só para abaixar o espírito ao nível do corpo e não para elevar o homem à dignidade espiritual. Está na hora desse organismo de intelectuais e de conhecimento chamado ciência — se quer ser ciência — assumir a direção consciente deste grande fenômeno, a evolução. Ao invés de perder-se em rivalidades estéreis de domínio, assumir a direção da seleção humana; educar o homem para uma consciência eugenética, criando a qualidade antes da quantidade; subir para a direção inteligente das forças naturais onde reside a premissa da felicidade do indivíduo e da raça. Aprendei a compreender a vida como uma imigração que vem do além. Purgando o ambiente espiritual, a Terra se tornará automaticamente inabitável para os seres involuídos; os destinos mais atrozes permanecerão espontaneamente nos mundos inferiores. Indispensável se faz uma profilaxia moral contra tudo o que é coletivamente antivital. Somente uma consciência das distantes vantagens da raça, um altruísmo ponderado e consciente podem atenuar progressivamente a patogênese, que nenhuma tarapêutica a posteriori poderá corrigir. Se a dor pode ser redenção, nem por isso se devem semear suas causas. Que a ciência conquiste o conceito científico de virtude, embeleze-se, e ao mesmo tempo, delineie sua figura racional. Quando o supertipo biológico aparecer esporadicamente, não o considere elemento antivital, mas lhe ajude o transformismo; estenda a mão benévola aos seres que sofrem e lutam sozinhos, para a criação de uma raça nova; valorize esses recursos que podem ser da maior importância para a progressiva domesticação da besta humana, quando não bastarem as religiões e leis para arrancar-lhe a ferocidade. A classe daqueles que pensam, em todos os campos, tem o dever de guiar o mundo, o dever de executar a própria função de central psíquica do organismo coletivo; o dever de tornar-se intérprete da Lei e de indicar o caminho, para que a sociedade e seus dirigentes saibam e sigam. Se não for secundada a explosão das paixões que trazem o bem, a fé e a coragem; se não compreender-se quem guia o homem no áspero caminho de suas ascensões; se não acatar-se tudo o que cimenta a convivência social, que fareis em nome da civilização e do progresso, para que os ideais não sejam sonhos?
domingo, 23 de agosto de 2015
"A Marciana." Meu livro.
"Amigo, seu livro ficou lindo. Amei o nome da marciana! Fiquei muito emocionada com as lindas palavras. Por algum momento parecia que a história era pra mim. Eu sou assim mesmo, vivo no mundo da imaginação. Por isto, seu livro é fantástico e me fez imaginar. Desirée, pelo menos, foi ideia minha. Quando li, meu semblante brilhava de felicidade. Meus olhos nadavam num rio e meu coração pulsava como uma banda em dia festivo. Essa é uma história muito imaginativa de pleno amor. Chegou ao fim e eu não podia acreditar. Realmente termina no capítulo 18? Fiquei em dúvida. O jeito é eu ler esta linda obra novamente.
Gostei de algumas passagens, essa é uma:
"O encontro de duas almas gêmeas é o porto definitivo da felicidade. Todo o universo colabora para este encontro..."
E muitas outras…”
Este é o comentário feito por minha “amiga virtual,” moradora nos Estados Unidos, a quem eu conheci na W.E.B. sobre meu e-book publicado recentemente.
Há muitos anos carrego dentro de mim este filho de meu pensamento. Foi no decorrer de nossas conversas via skype que senti a motivação para escrevê-lo.
Há tempos penso em criar uma obra de ficção científica com um novo molde artístico e literário. Segui as pegadas deixadas pelos grandes do passado, das quais se afastaram autores e leitores da geração atual, pressionados uns e outros pela onda de vulgaridade que invadiu o mundo hodierno.
É lamentável o descaso de muitos escritores com os cânones da literatura. Para muitos, a justa reivindicação à liberdade desanda facilmente em licença à anarquia.
Poucos conseguem encontrar o ponto de equilíbrio entre os cânones absolutamente necessários à psicologia do leitor e a sagrada liberdade criativa do autor. Este ponto de equilíbrio é uma característica dos gênios universais.
Quando escreve, um autor deve sair do seu eu e abraçar seu mundo criativo amoldado na forma do texto, no qual desenrolará a ideia em todas suas páginas. Esta será criação sua, mas terá uma vida própria. Esta vida própria terá que encarnar a ideia e imitar a Vida maior que pulula abundante em todos os recantos do universo.
Os grandes autores da humanidade atingiram o mais alto patamar da beleza. Souberam captar a sublime beleza eterna que provém do seio de Deus e subjaz em tudo. É a mais transcendente e magnífica experiência que um artista pode usufruir. Para isto é preciso comungar com todas as estrelas do céu, abrir a alma e coração às fontes encantadas onde vivem as fadas e os anjos. Ouvir a lira mágica que entoa a sinfonia dos astros.
A técnica é a contraparte exterior deste fenômeno, o qual se liga às primeiras fontes da luz eterna de Deus, o primeiro autor de tudo o que se escreve, nas formosas palavras de Victor Hugo.
Por isto, é deplorável o descaso da apressada e alienada geração atual -amiga das trevas e da ignorância- com os cânones literários.
Para servir aos deuses da arte sagrada é necessário assumir outros parâmetros, muito distante do perturbado mundo e suas loucuras.
Os grandes gênios da literatura universal souberam ouvir a voz terna, maviosa e serena que fala dentro de nós no silêncio sagrado de nosso coração. É a voz de Deus que transmite a divina linguagem do amor em seu próprio idioma e o artista traduz para toda a humanidade. Um jogo sagrado de palavras, frases, emoções e sentimentos que permeiam por caminhos ocultos entre Deus e nós, resgatam nossa alma do peso de nossas misérias acabrunhantes e elevam nosso coração junto a nossa alma aos páramos supremos da luz eterna Divina, onde reina a beleza absoluta para sempre.
Foi este o parâmetro que optamos da primeira à última página de nosso e-book “A Marciana” publicado recentemente.
Foi preciso o “empurrão” de um coração feminino para que esta obra viesse à luz, por que a porta da luz só abre à humildade. A humildade é a chave que abre a porta da luz e somente o coração de uma mulher tem humildade suficiente para isto.
As palavras do comentário acima retratam bem a sensibilidade, a ternura e o amor que só o belo sexo pode expressar com tanto encanto.
Gostei de algumas passagens, essa é uma:
"O encontro de duas almas gêmeas é o porto definitivo da felicidade. Todo o universo colabora para este encontro..."
E muitas outras…”
Este é o comentário feito por minha “amiga virtual,” moradora nos Estados Unidos, a quem eu conheci na W.E.B. sobre meu e-book publicado recentemente.
Há muitos anos carrego dentro de mim este filho de meu pensamento. Foi no decorrer de nossas conversas via skype que senti a motivação para escrevê-lo.
Há tempos penso em criar uma obra de ficção científica com um novo molde artístico e literário. Segui as pegadas deixadas pelos grandes do passado, das quais se afastaram autores e leitores da geração atual, pressionados uns e outros pela onda de vulgaridade que invadiu o mundo hodierno.
É lamentável o descaso de muitos escritores com os cânones da literatura. Para muitos, a justa reivindicação à liberdade desanda facilmente em licença à anarquia.
Poucos conseguem encontrar o ponto de equilíbrio entre os cânones absolutamente necessários à psicologia do leitor e a sagrada liberdade criativa do autor. Este ponto de equilíbrio é uma característica dos gênios universais.
Quando escreve, um autor deve sair do seu eu e abraçar seu mundo criativo amoldado na forma do texto, no qual desenrolará a ideia em todas suas páginas. Esta será criação sua, mas terá uma vida própria. Esta vida própria terá que encarnar a ideia e imitar a Vida maior que pulula abundante em todos os recantos do universo.
Os grandes autores da humanidade atingiram o mais alto patamar da beleza. Souberam captar a sublime beleza eterna que provém do seio de Deus e subjaz em tudo. É a mais transcendente e magnífica experiência que um artista pode usufruir. Para isto é preciso comungar com todas as estrelas do céu, abrir a alma e coração às fontes encantadas onde vivem as fadas e os anjos. Ouvir a lira mágica que entoa a sinfonia dos astros.
A técnica é a contraparte exterior deste fenômeno, o qual se liga às primeiras fontes da luz eterna de Deus, o primeiro autor de tudo o que se escreve, nas formosas palavras de Victor Hugo.
Por isto, é deplorável o descaso da apressada e alienada geração atual -amiga das trevas e da ignorância- com os cânones literários.
Para servir aos deuses da arte sagrada é necessário assumir outros parâmetros, muito distante do perturbado mundo e suas loucuras.
Os grandes gênios da literatura universal souberam ouvir a voz terna, maviosa e serena que fala dentro de nós no silêncio sagrado de nosso coração. É a voz de Deus que transmite a divina linguagem do amor em seu próprio idioma e o artista traduz para toda a humanidade. Um jogo sagrado de palavras, frases, emoções e sentimentos que permeiam por caminhos ocultos entre Deus e nós, resgatam nossa alma do peso de nossas misérias acabrunhantes e elevam nosso coração junto a nossa alma aos páramos supremos da luz eterna Divina, onde reina a beleza absoluta para sempre.
Foi este o parâmetro que optamos da primeira à última página de nosso e-book “A Marciana” publicado recentemente.
Foi preciso o “empurrão” de um coração feminino para que esta obra viesse à luz, por que a porta da luz só abre à humildade. A humildade é a chave que abre a porta da luz e somente o coração de uma mulher tem humildade suficiente para isto.
As palavras do comentário acima retratam bem a sensibilidade, a ternura e o amor que só o belo sexo pode expressar com tanto encanto.
sábado, 22 de agosto de 2015
Desajustes. Texto da obra "Vida e Sexo." Emmanuel. Psicografia: Chico Xavier.
"Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita."
Do item 16 do Cap. X, de "o evangelho segundo o espiritismo".
É comum observar-se que o casamento promissor repentinamente adoece. Desvelam-se empeços dos cônjuges no ramerrão do cotidiano. Conflitos, moléstias, desníveis, falhas de formação e temperamento. Em certos lances da experiência, é a mulher que se consorciou acreditando encontrar no esposo o retrato psicológico do pai, a quem se vinculou desde o berço; em outros, é o homem a exigir da companheira a continuidade da genitora, a quem se jungiu desde a vida fetal. Ocorre, porém, que o matrimonio é uma quebra de amarras através da qual o navio da existência larga o cais dos laços afetivos em que, por muito tempo, jazia ancorado. Na viagem, que se inicia a dois, parceiro e parceira se revelarão, um à frente do outro, tais quais são e como se encontram na realidade, evidenciando, em toda a extensão, os defeitos e as virtudes que, porventura, carreguem. Desajustes e inadaptações costumam repontar, ameaçando a estabilidade da embarcação doméstica. Atirada ao navegar nas águas da experiência, é razoável se convoque o auxílio de técnicos capazes de sanar as lesões no barco em perigo, como sejam médicos e psicólogos, amigos e conselheiros, cuja contribuição se revestirá sempre de inapreciável valor; entretanto, ao desenrolar de obstáculos e provas, o conhecimento da reencarnação exerce encargo de importância por trazer aos interessados novo campo de observações e reflexões, impelindo-os à tolerância, sem a qual a reharmonização acena sempre mais longe. Homem e mulher, usando a chave de semelhante entendimento, passam mecanicamente a reconhecer que é preciso desvincular e renovar sentimentos, mas em bases de compreensão e serenidade, amor e paz. Urge perceber que o "nós" da comunhão afetiva não opera a fusão dos dois seres que o constituem. Cada parceiro, no ajuste, continua sendo um mundo por si. E nem sempre os característicos de um se afinam com o outro. Daí a conveniência do mútuo aceite, com a obrigação da melhoria do casal. Para isso, não bastarão providências de superfície. Há que internar o raciocínio em considerações mais profundas para que as raízes do desequilíbrio sejam erradicadas da mente. Forçoso admitir o companheiro ou a companheira como são ou como se aboletam na embarcação doméstica. E, feito isso, inicie-se a obra da edificação ou da reedificação recíprocas. Obvio que conclusões e atitudes não se impõem no campo mental; entretanto, não se arrependerá quem se disponha a estudar os princípios da reencarnação e da responsabilidade individual no próprio caminho. Obtém-se da vida o que se lhe dá, colhe-se o material de plantio. Habitualmente, o homem recebe a mulher, como a deixou e no ponto em que a deixou no passado próximo, isto é, nas estâncias do tempo que se foi para o continuísmo da obra de resgate ou de elevação no tempo de agora, sucedendo o mesmo referentemente à mulher. O parceiro desorientado, enfermo ou infiel, é aquele homem que a parceira, em existências anteriores, conduziu à perturbação, à doença ou à deslealdade, através de atitudes que o segregaram em deploráveis estados compulsivos; e a parceira, nessas condições, consubstancia necessidades e provas da mesma espécie. Tão-somente na base da indulgência e do perdão recíprocos, mais facilmente estruturáveis no conhecimento da reencarnação, com as imbricações que se lhe mostram consequentes na equipe da família, conseguirão o companheiro e a companheira do lar o triunfo esperado, nas lides e compromissos que abraçam, descerrando a si mesmos a porta da paz e a luz da libertação.
Do item 16 do Cap. X, de "o evangelho segundo o espiritismo".
É comum observar-se que o casamento promissor repentinamente adoece. Desvelam-se empeços dos cônjuges no ramerrão do cotidiano. Conflitos, moléstias, desníveis, falhas de formação e temperamento. Em certos lances da experiência, é a mulher que se consorciou acreditando encontrar no esposo o retrato psicológico do pai, a quem se vinculou desde o berço; em outros, é o homem a exigir da companheira a continuidade da genitora, a quem se jungiu desde a vida fetal. Ocorre, porém, que o matrimonio é uma quebra de amarras através da qual o navio da existência larga o cais dos laços afetivos em que, por muito tempo, jazia ancorado. Na viagem, que se inicia a dois, parceiro e parceira se revelarão, um à frente do outro, tais quais são e como se encontram na realidade, evidenciando, em toda a extensão, os defeitos e as virtudes que, porventura, carreguem. Desajustes e inadaptações costumam repontar, ameaçando a estabilidade da embarcação doméstica. Atirada ao navegar nas águas da experiência, é razoável se convoque o auxílio de técnicos capazes de sanar as lesões no barco em perigo, como sejam médicos e psicólogos, amigos e conselheiros, cuja contribuição se revestirá sempre de inapreciável valor; entretanto, ao desenrolar de obstáculos e provas, o conhecimento da reencarnação exerce encargo de importância por trazer aos interessados novo campo de observações e reflexões, impelindo-os à tolerância, sem a qual a reharmonização acena sempre mais longe. Homem e mulher, usando a chave de semelhante entendimento, passam mecanicamente a reconhecer que é preciso desvincular e renovar sentimentos, mas em bases de compreensão e serenidade, amor e paz. Urge perceber que o "nós" da comunhão afetiva não opera a fusão dos dois seres que o constituem. Cada parceiro, no ajuste, continua sendo um mundo por si. E nem sempre os característicos de um se afinam com o outro. Daí a conveniência do mútuo aceite, com a obrigação da melhoria do casal. Para isso, não bastarão providências de superfície. Há que internar o raciocínio em considerações mais profundas para que as raízes do desequilíbrio sejam erradicadas da mente. Forçoso admitir o companheiro ou a companheira como são ou como se aboletam na embarcação doméstica. E, feito isso, inicie-se a obra da edificação ou da reedificação recíprocas. Obvio que conclusões e atitudes não se impõem no campo mental; entretanto, não se arrependerá quem se disponha a estudar os princípios da reencarnação e da responsabilidade individual no próprio caminho. Obtém-se da vida o que se lhe dá, colhe-se o material de plantio. Habitualmente, o homem recebe a mulher, como a deixou e no ponto em que a deixou no passado próximo, isto é, nas estâncias do tempo que se foi para o continuísmo da obra de resgate ou de elevação no tempo de agora, sucedendo o mesmo referentemente à mulher. O parceiro desorientado, enfermo ou infiel, é aquele homem que a parceira, em existências anteriores, conduziu à perturbação, à doença ou à deslealdade, através de atitudes que o segregaram em deploráveis estados compulsivos; e a parceira, nessas condições, consubstancia necessidades e provas da mesma espécie. Tão-somente na base da indulgência e do perdão recíprocos, mais facilmente estruturáveis no conhecimento da reencarnação, com as imbricações que se lhe mostram consequentes na equipe da família, conseguirão o companheiro e a companheira do lar o triunfo esperado, nas lides e compromissos que abraçam, descerrando a si mesmos a porta da paz e a luz da libertação.
Kardec e Napoleão. Texto do livro "Cartas e crônicas." Irmão X. Psicografia: Chico Xavier.
Logo após o Brumário (9 de Novembro de 1799), quando Napoleão se fizera o primeiro Cônsul da República Francesa, reuniu-se, na noite de 31 de Dezembro de 1799, no coração da latinidade, nas esferas Superiores, grande assembléia, de espíritos sábios e benevolentes, para marcarem a entrada significativa do novo século. Antigas personalidades de Roma Imperial, pontífices e guerreiros das Gálias, figuras notáveis da Espanha, ali se congregavam à espera do expressivo acontecimento. Legiões dos Césares, com os seus estandartes, falanges de batalhadores do mundo gaulês e grupos de pioneiros da evolução hispânica, associados a múltiplos representantes das Américas, guardavam linhas simbólicas de posição de destaque. Mas não somente os latinos se faziam representados no grande conclave. Gregos ilustres, lembrando as confabulações da Acrópole gloriosa, israelitas famosos, recordando o Templo de Jerusalém, deputações eslavas e germânicas, grandes vultos da Inglaterra, sábios chineses, filósofos hindus, teólogos budistas, sacrificadores das divindades olímpicas, renomados sacerdotes da Igreja Romana e continuadores de Maomet ali se mostravam, como em vasta convocação de forças da ciência e da cultura da Humanidade. No concerto das brilhantes delegações que aí formavam, com toda a sua fulguração representativa, surgiam Espíritos de velhos batalhadores do progresso que voltariam à liça carnal ou que a seguiriam, de perto, para o combate à ignorância e a miséria, na laboriosa preparação da nova era da fraternidade e da luz. No deslumbrante espetáculo da Espiritualidade Superior, com a refulgência de suas almas, achavam-se Sócrates, Platão Aristóteles, Apolônio de Tiana, Orígenes, Hipócrates, Agostinho, Fénelon, Giordano Bruno, Tomás de Aquino, S.Luis de França, Vicente de Paulo, Joana D’Arc, Tereza d’Avila, Catarina de Siena, Bossuet, Spinoza, Erasmo, Mílton, Cristóvão Colombo, Gutenberg, Galileu, Pascal, Swedenborg e Dante Alighieri para mencionar apenas alguns heróis e paladinos da renovação terrestre; e, em planos menos brilhantes, encontravam-se, no recinto maravilhoso, trabalhadores de ordem inferior, incluindo muitos dos ilustres guilhotinados da Revolução, quais Luís XVI, Maria Antonieta, Robespierre, Danton, Madame Roland, André Chenier, Bailly, Camile Desmoulins, e grandes vultos como Voltaire e Rousseau. Depois da palavra rápida de alguns orientadores eminentes, invisíveis clarins soaram na direção do plano carnal e, em breves instantes, do seio da noite, que velava o corpo ciclópico do mundo europeu, emergiu, sob a custodia de esclarecidos mensageiros, reduzido cortejo de sombras, que pareciam estranhas e vacilantes, confrontadas com as feéricas irradiações do palácio festivo. Era um grupo de almas, ainda encarnadas, que, constrangidas pela Organização Celeste, remontavam à vida espiritual, para a reafirmação de compromissos. À frente, vinha Napoleão, que centralizou o interesse de todos os circunstantes. Era bem o grande corso, com os seus trajes habituais e com o seu chapéu característico. Recebido por diversas figuras da Roma antiga, que se apressavam em oferecer-lhe apoio e auxilio, o vencedor de Rivoli ocupou radiosa poltrona que, de antemão, lhe fora preparada. Entre aqueles que o seguiram, na singular excursão, encontravam-se respeitáveis autoridades reencarnadas no Planeta, como Beethoven, Ampère, Fúlton, Faraday, Goethe, João Dálton, Pestalozzi, Pio VII, além de muitos outros campeões da prosperidade e da independência do mundo. Acanhados no veículo espiritual que os prendia à carne terrestre, quase todos os recém vindos banhavam-se em lágrimas de alegria e emoção. O Primeiro-Cônsul da França, porém, trazia os olhos enxutos, não obstante a extrema palidez que lhe cobria a face. Recebendo o louvor de várias legiões, limitava-se a responder com acenos discretos, quando os clarins ressoaram, de modo diverso, como se pusessem a voar para os cimos, no rumo do imenso infinito... Imediatamente uma estrada de luz, à maneira de ponte levadiça, projetou-se do Céu, ligando-se ao castelo prodigioso, dando passagem a inúmeras estrelas resplendentes. Em alcançando o solo delicado, contudo, esses astros se transformavam em seres humanos, nimbados de claridade celestial. Dentre todos, no entanto, um deles avultava em superioridade e beleza. Tiara rutilante brilhava-lhe na cabeça, como que a aureolar-lhe de bênçãos o olhar magnânimo, cheio de atração e doçura. Na destra, guardava um cetro dourado, a recamar-se de sublimes cintilações... Musicistas invisíveis, através dos zéfiros que passavam apressados, prorromperam num cântico de hosanas, sem palavras articuladas. A multidão mostrou profunda reverência, ajoelhando-se muitos dos sábios e guerreiros, artistas e pensadores, enquanto todos os pendões dos vexilários arriavam, silenciosos, em sinal de respeito. Foi então que o corso se pôs em lágrimas e, levantando-se, avançou com dificuldade, na direção do mensageiro que trazia o báculo de ouro, postando-se genuflexo, diante dele. O celeste emissário, sorrindo com naturalidade, ergueu-o, de pronto, e procurava abraçá-lo, quando o Céu pareceu abrir-se diante de todos, e uma voz enérgica e doce, forte como a ventania e veludosa como a ignorada melodia da fonte, exclamou para o Napoleão, que parecia eletrizado de pavor e júbilo, ao mesmo tempo: - Irmão e amigo ouve a verdade, que te fala em meu espirito! Eis-te à frente do apóstolo da fé, que, sob a égide do Cristo, descerrará para a Terra atormentada um novo ciclo de conhecimento... César ontem, e hoje orientador, rende o culto de tua veneração, ante o pontífice da luz! Renova, perante o Evangelho, o compromisso de auxiliar-lhe a obra renascente!... Aqui se congregam conosco lidadores de todas as épocas. Patriotas de Roma e das Gálias, generais e soldados que te acompanham nos conflitos da Farsália, de Tapso e de Munda, remanescentes das batalhas de Gergóvia e de Alésia aqui te surpreendem com simpatia e expectação... Antigamente, no trono absoluto, pretendias-te descendente dos deuses para dominar a Terra e aniquilar os inimigos... Agora, porém, o Supremo Senhor concedeu-te por berço uma ilha perdida no mar, para que te não esqueças da pequenez humana e determinou voltasses ao coração do povo que outrora humilhaste e escarneceste, a fim de que lhe garantas a missão gigantesca, junto da Humanidade, no século que vamos iniciar. Colocado pela Sabedoria Celeste na condição de timoneiro da ordem, no mar de sangue da Revolução, não olvides o mandato para o qual fostes escolhido. Não acredites que as vitórias das quais fostes investido para o Consulado devam ser atribuídas exclusivamente ao teu gênio militar e político. A Vontade do Senhor expressa-se nas circunstâncias da vida. Unge-te de coragem para governar sem ambição e reger sem ódio. Recorre à oração e à humildade para que te não arrojes aos precipícios da tirania e da violência!... Indicado para consolidar a paz e a segurança, necessárias ao êxito do abnegado apóstolo que descortinará a era nova, serás visitado pelas monstruosas tentações do poder. Não te fascines pela vaidade que buscará coroar-te a fronte... Lembra-te de que o sofrimento do povo francês, perseguido pelos flagelos da guerra civil, é o preço da liberdade humana que deves defender, até o sacrifício. Não te macules com a escravidão dos povos fracos e oprimidos e nem enlameies os teus compromissos com o exclusivismo e com a vingança!... Recorda que, obedecendo a injunções do pretérito, renasceste para garantir o ministério espiritual do discípulo de Jesus que regressa à experiência terrestre, e vale-te da oportunidade para santificar os excelsos princípios da bondade e do perdão, do serviço e da fraternidade do Cordeiro de Deus, que nos ouve em seu glorificado sólio de sabedoria e de amor! Se honrares as tuas promessas, terminará a missão com o reconhecimento da posteridade e escalarás horizontes mais altos da vida, mas, se as tuas responsabilidades forem menosprezadas, sombrias aflições amontoar-se-ão sobre as tuas horas, que passarão a ser gemidos escuros em extenso deserto... Dentro do novo século, começaremos a preparação do terceiro milênio do Cristianismo na Terra. Novas concepções de liberdade surgirão para os homens, a Ciência erguer-se-á a indefiníveis culminâncias, as nações cultas abandonarão para sempre o cativeiro e o tráfico de criaturas livres e a religião desatará os grilhões do pensamento que, até hoje, encarceram as melhores aspirações da alma no inferno sem perdão!... Confiamos, pois, ao teu espírito valoroso a governança política dos novos eventos e que o Senhor te abençoe!... Cânticos de alegria e esperança anunciaram nos céus a chegada do século XIX e, enquanto o Espírito da Verdade, seguido por várias cortes resplandecentes, voltava para o Alto, a inolvidável assembléia se dissolvia... O apóstolo que seria Allan Kardec, sustentando Napoleão nos braços, conchegou-o de encontro ao peito e acompanhou-o, bondosamente, até religá-lo ao corpo de carne, no próprio leito. Em 3 de outubro de 1804, o mensageiro da renovação renascia num abençoado lar de Lião, mas o Primeiro-Cônsul da República Francesa, assim que se viu desembaraçado da influência benéfica e protetora do Espírito de Allan Kardec e de seus cooperadores, que retomavam, pouco a pouco, a integração com a carne, confiantes e otimistas, engalanou-se com a púrpura do mando e, embriagado de poder, proclamou-se Imperador, em 18 de maio de 1804, ordenando a Pio VII viesse coroá-lo em Paris. Napoleão, contudo, convertendo celestes concessões em aventuras sanguinolentas, foi apressadamente situado, por determinação do Alto, na solidão curativa de Santa Helena, onde esperou a morte, enquanto Allan Kardec, apagando a própria grandeza, na humildade de um mestre-escola, muita vez atormentado e desiludido, como simples homem do povo, deu integral cumprimento à divina missão que trazia à Terra, inaugurando a era espírita cristã, que, gradativamente, será considerada em todos os quadrantes do orbe como a sublime renascença da luz para o mundo inteiro.
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
A lição de Aritogogo. Texto da obra "Pontos e contos." Irmão X. Psicografia: Chico Xavier.
Examinávamos a paisagem das ambições humanas, quando um amigo considerou: - Que o homem atenda aos conselhos da prudência, armazenando em bom tempo, como a formiga, para os dias de necessidade e inverno forte, é compreensível e razoável. A vigilância não exclui a previdência, quando é possível amealhar com o bem; mas, explorar o quadro das misérias alheias, embebedar-se na preocupação de ganhar, escravizar-se ao dinheiro, é criar um inferno de padecimentos intraduzíveis. - Quantos precipícios cavados pelo egoísmo conquistador?! – disse outro – é lastimável observar as angustias semeadas nos caminhos humanos. As guerras não constituem senão o desdobramento das ambições desmedidas. E dizer-se que toda essa marcha de loucuras demanda as zonas da morte! Quão incompreensível a nossa cegueira, nos círculos carnais! Quantos pesadelos desnecessários e quanta ilusão para se desfazer na sepultura!... Um dos companheiros presentes sorriu e acrescentou: - Nesse capitulo, recebi inolvidável lição, há mais de trezentos anos, por intermédio de um chefe indígena em nosso país. - Como assim? – perguntei, sumamente interessado. - Em princípios do século XVII – esclareceu o interlocutor – participava dos serviços de uma embarcação francesa, em transporte de pau-brasil. Periodicamente, dávamos à costa, onde fizéramos agradável camaradagem com os silvícolas, e, naquela época, envergando a qualidade de português do Alentejo, não tive dificuldades para aprender alguns rudimentos da língua aborígine, ao contacto dos nossos. Em razão disso, o chefe da tribo litorânea, que respondia pelo nome de Aritogogo, dedicava-me especial atenção. Na sexta viagem de nosso barco, o velho bronzeado chamou-me em particular, ministrando-me uma das mais belas lições de filosofia que já recebi em toda a minha vida. Observando-nos a afoiteza em carregar o navio com a madeira preciosa, perguntou-me ele, na linguagem que lhe era familiar: - Escute, meu amigo, não há lenha em sua terra? É preciso enfrentar o abismo das águas para alimentar o fogo no lar distante? - Não, Aritogogo – respondi, esboçando um sorriso de pretensa superioridade -, a madeira não se destina a fogão. O pau-brasil fornece tinta para a industria da Europa. - Mas, para que tanta tinta? – tornou ele, assombrado. - Para tingir a roupa dos brancos – expliquei. - Ah! Ah! Vêm buscar a lenha para repartir com o povo – exclamou o cacique -, assim como nós buscamos remédio para os que adoecem e comida para os que têm fome!... -Não, não – esclareci - somos empregados de um industrial. Toda a carga pertence a um só homem. Trata-se de poderoso negociante de tintas, em França. Aritogogo arregalou os olhos, espantado, e indagou: - Que deseja esse homem com tantos paus e tanta tinta? - Fazer fortuna – respondi -, alcançar muito dinheiro, ter muitas casas e muitos servidores... O chefe índio sacudiu a cabeça e tornou a perguntar: - Mas esse homem nunca morrerá? Ri-me francamente da interrogação ingênua e observei: - Morrerá, por certo. - Então? – disse o índio – se ele vai morrer, como nós todos, deve ser tolo em procurar tanto peso para o coração. Tentei corrigi-lhe a concepção, obtemperando: - Esse homem, Aritogogo, está preparando o futuro da família. Naturalmente pretende legar aos filhos uma grande herança, cercá-los de fortuna sólida... Foi aí que o cacique mostrou um gesto singular de desânimo, e falou em tom grave: - Ah! Meu branco, meu branco, vocês estão procurando enganar a Deus. as tribos pacíficas, quando começam a cogitar desse assunto, esbarram nas guerras em que se destroem umas às outras. O único ser, que pode legar uma herança legítima aos nossos filhos, é o dono invisível da Terra e do Céu. O sol, a chuva, o ar, o chão, as pedras, as árvores, os rios são a propriedade de Deus que, por ela, nos ensina as suas leis. Retirar os nossos filhos do trabalho natural é pretender enganar o Eterno. Como podem os brancos pensar nisso? - Nesse momento, porém – continuou o amigo espiritual -, o comandante chamou-me ao posto e despedi-me de Aritogogo para não mais tornar a vê-lo naquela recuada existência. O companheiro espraiou o olhar pelo céu azul, como a procurar a imagem distante do cacique filósofo e concluiu: Desde então, modifiquei minha ideia de ganho, compreendendo onde estão o supérfluo e o necessário, a previdência e o desperdício, a sobriedade e a avareza, a reserva justa e a ambição criminosa. A lição de Aritogogo incorporou-se ao meu espírito para sempre. Com ela, aprendi que dominar o dinheiro e aproveitá-lo a bem de todos, socorrendo necessidade e distribuindo bom ânimo, é obra do homem espiritualizado; mas, deixar-se dominar pelo ouro, na preocupação de ganho transitório, não reparando meios para atingir os fins, açambarcando direitos de outrem e valendo-se de todas as situações para rechear os cofres e multiplicar os lucros, tão somente para manter a superioridade convencional, em prejuízo da consciência, é obra do homem vulgar, escravizado aos gênios perversos.
O coração do Mundo. Texto da obra "Brasil, coração do mundo pátria do evangelho." Irmão X. Psicografia Chico Xavier.
O mundo político e social do Ocidente encontra-se exausto. Desde as pregações de Pedro, o Eremita, até a morte do Rei Luís IX, diante de Túnis, acontecimento que colocara um dos derradeiros marcos nas guerras das Cruzadas, as sombras da idade medieval confundiram as lições do Evangelho, ensanguentando todas as bandeiras do mundo cristão. Foi após essa época, no último quartel do século XV, que o Senhor desejou realizar uma de suas visitas periódicas à Terra, a fim de observar os progressos de sua doutrina e de seus exemplos no coração dos homens. Anjos e Tronos lhe formavam a corte maravilhosa. Dos céus à Terra, foi colocado outro símbolo da escada infinita de Jacob, formado de flores e de estrelas cariciosas, por onde o Cordeiro de Deus transpôs as imensas distâncias, clarificando os caminhos cheios de treva. Mas, se Jesus vinha do coração luminoso das esferas superiores, trazendo nos olhos misericordiosos a visão dos seus impérios resplandecentes e na alma profunda o ritmo harmonioso dos astros, o planeta terreno lhe apresentava ainda aquelas mesmas veredas escuras, cheias da lama da impenitência e do orgulho das criaturas humanas, e repletas dos espinhos da ingratidão e do egoísmo. Embalde seus olhos compassivos procuraram o ninho doce do seu Evangelho; em vão procurou o Senhor os remanescentes da obra de um de seus últimos 13 enviados à face do orbe terrestre. No coração da Umbria haviam cessado os cânticos de amor e de fraternidade cristã. De Francisco de Assis só haviam ficado as tradições de carinho e de bondade; os pecados do mundo, como novos lobos de Gúbio, haviam descido outra vez das selvas misteriosas das iniquidades humanas, roubando às criaturas a paz e aniquilando-lhes a vida. — Helil — disse a voz suave e meiga do Mestre a um dos seus mensageiros, encarregado dos problemas sociológicos da Terra — meu coração se enche de profunda amargura, vendo a incompreensão dos homens, no que se refere às lições do meu Evangelho. Por toda parte é a luta fratricida, como polvo de infinitos tentáculos, a destruir todas as esperanças; recomendei-lhes que se amassem como irmãos, e vejo-os em movimentos impetuosos, aniquilando-se uns aos outros como Cains desvairados. — Todavia — replicou o emissário solícito, como se desejasse desfazer a impressão dolorosa e amarga do Mestre — esses movimentos, Senhor, intensificaram as relações dos povos da Terra, aproximando o Oriente e o Ocidente, para aprenderem a lição da solidariedade nessas experiências penosas; novas utilidades da vida foram descobertas; o comércio progrediu além de todas as fronteiras, reunindo as pátrias do orbe. Sobretudo, devemos considerar que os príncipes cristãos, empreendendo as iniciativas daquela natureza, guardavam a nobre intenção de velar pela paisagem deliciosa dos Lugares Santos. Mas — retornou tristemente a voz compassiva do Cordeiro — qual o lugar da Terra que não é santo? Em todas as partes do mundo, por mais recônditas que sejam, paira a bênção de Deus, convertida na luz e no pão de todas as criaturas. Era preferível que Saladino guardasse, para sempre, todos os poderes temporais na Palestina, a que caísse um só dos fios de cabelo de um soldado, numa guerra incompreensível por minha causa, que, em todos os tempos, deve ser a do amor e da fraternidade universal. E, como se a sua vista devassasse todos os mistérios do porvir, continuou: — Infelizmente, não vejo senão o caminho do sofrimento para modificar tão desoladora situação. Aos feudos de agora, seguir-se-ão as coroas poderosas e, depois dessa concentração de autoridade e de poder, serão os embates da ambição e a carnificina da inveja e da felonia, pelo predomínio do mais forte. A amargura divina empolgara toda a formosa assembléia de querubins e arcanjos. Foi quando Helil, para renovar a impressão ambiente, dirigiu-se a Jesus com brandura e humildade: — Senhor, se esses povos infelizes, que procuram na grandeza material uma felicidade impossível, marcham irremediavelmente para os grandes infortúnios coletivos, visitemos os continentes ignorados, onde espíritos jovens e simples aguardam a semente de uma vida nova. Nessas terras, para além dos grandes oceanos, poderíeis instalar o pensamento cristão, dentro das doutrinas do amor e da liberdade. E a caravana fulgurante, deixando um rastro de luz na imensidade dos espaços, encaminhou-se ao continente que seria, mais tarde, o mundo americano. O Senhor abençoou aquelas matas virgens e misteriosas. Enquanto as aves lhe homenageavam a inefável presença com seus cantares harmoniosos, as flores se inclinavam nas árvores ciclópicas, aromatizando-lhe as eterizadas sendas. O perfume do mar casava-se ao oxigênio agreste da selva bravia, impregnando todas as coisas de um elemento de força desconhecida. No solo, eram os silvícolas humildes e simples, aguardando uma era nova, com o seu largo potencial de energia e bondade. Cheio de esperanças, emociona-se o coração do Mestre, contemplando a beleza do sublimado espetáculo. — Helil — pergunta ele — onde fica, nestas terras novas, o recanto planetário do qual se enxerga, no infinito, o símbolo da redenção humana? — Esse lugar de doces encantos, Mestre, de onde se veem, no mundo, as homenagens dos céus aos vossos martírios na Terra, fica mais para o sul. E, quando no seio da paisagem repleta de aromas e de melodias, contemplavam as almas santificadas dos orbes felizes, na presença do Cordeiro, as maravilhas daquela terra nova, que seria mais tarde o Brasil, desenhou-se no firmamento, formado de estrelas rutilantes, no jardim das constelações de Deus, o mais imponente de todos os símbolos. Mãos erguidas para o Alto, como se invocasse a bênção de seu Pai para todos os elementos daquele solo extraordinário e opulento, exclama então Jesus: — Para esta terra maravilhosa e bendita será transplantada a árvore do meu Evangelho de piedade e de amor. No seu solo dadivoso e fertilíssimo, todos os povos da Terra aprenderão a lei da fraternidade universal. Sob estes céus serão entoados os hosanas mais ternos à misericórdia do Pai Celestial. Tu, Helil, te corporificarás na Terra, no seio do povo mais pobre e mais trabalhador do Ocidente; instituirás um roteiro de coragem, para que sejam transpostas as imensidades desses oceanos perigosos e solitários, que separam o velho do novo mundo. Instalaremos aqui uma tenda de trabalho para a nação mais humilde da Europa, glorificando os seus esforços na oficina de Deus. Aproveitaremos o elemento simples de bondade, o coração fraternal dos habitantes destas terras novas, e, mais tarde, ordenarei a reencarnação de muitos Espíritos já purificados no sentimento da humildade e da mansidão, entre as raças oprimidas e sofredoras das regiões africanas, para formarmos o pedestal de solidariedade do povo fraterno que aqui florescerá, no futuro, a fim de exaltar o meu Evangelho, nos séculos gloriosos do porvir. Aqui, Helil, sob a luz misericordiosa das estrelas da cruz, ficará localizado o coração do mundo! Consoante a vontade piedosa do Senhor, todas as suas ordens foram cumpridas integralmente. Daí a alguns anos, o seu mensageiro se estabelecia na Terra, em 1394, como filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, e foi o heróico Infante de Sagres, que operou a renovação das energias portuguesas, expandindo as suas possibilidades realizadoras para além dos mares. O elemento indígena foi chamado a colaborar na edificação da pátria nova; almas bem-aventuradas pelas suas renúncias se corporificaram nas costas da África flagelada e oprimida e, juntas a outros Espíritos em prova, formaram a falange abnegada que veio escrever na Terra de Santa Cruz, com os seus sacrifícios e com os seus sofrimentos, um dos mais belos poemas da raça negra em favor da humanidade. Foi por isso que o Brasil, onde confraternizam hoje todos os povos da Terra e onde será modelada a obra imortal do Evangelho do Cristo, muito antes do Tratado de Tordesilhas, que fincou as balizas das possessões espanholas, trazia já, em seus contornos, a forma geográfica do coração do mundo.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Sócrates. Texto do livro "Crônicas de além túmulo." Irmão X.
Foi no Instituto Celeste de Pitágoras que vim encontrar, nestes últimos tempos, a figura veneranda de Sócrates, o ilustre filho de Sofronisco e Fenareta. A reunião, nesse castelo luminoso dos planos erráticos, era, nesse dia, dedicada a todos os estudiosos vindos da Terra longínqua. A paisagem exterior, formada na base de substâncias imponderáveis para as ciências terrestres da atualidade recordava a antiga Hélade, cheia de aromas, sonoridades e melodias. Um solo de neblinas evanescentes evocava as terras suaves e encantadoras, onde as tribos jônias e eólias localizaram a sua habitação, organizando a pátria de Orfeu, cheia de deuses e de harmonias. Árvores bizarras e floridas enfeitavam o ambiente de surpresas cariciosas, lembrando os antigos bosques da Tessália, onde Pan se fazia ouvir com as cantilenas de sua flauta, protegendo os rebanhos junto das frondes vetustas, que eram as liras dos ventos brandos, cantando as melodias da Natureza. O palácio consagrado a Pitágoras tinha aspecto de severa beleza, com suas colunas gregas à maneira das maravilhosas edificações da gloriosa Atenas do passado. Lá dentro, agasalhava-se toda uma multidão de Espíritos ávidos da palavra esclarecida do grande mestre, que os cidadãos atenienses haviam condenado à morte, 399 anos antes de Jesus-Cristo. Ali se reuniam vultos venerados pela filosofia e pela ciência de todas as épocas humanas, Terpandro, Tucídides, Lísis, Ésquines, Filolau, Timeu, Símias, Anaxágoras e muitas outras figuras respeitáveis da sabedoria dos homens. Admirei-me, porém, de não encontrar ali nem os discípulos do sublime filósofo ateniense, nem os juízes que o condenaram à morte. A ausência de Platão, a esse conclave do Infinito, impressionava-me o pensamento, quando, na tribuna de claridades divinas, se materializou aos nossos olhos o vulto venerando da filosofia de todos os séculos. Da sua figura irradiava-se uma onda de luz levemente azulada, enchendo o recinto de vibração desconhecida, de paz suave e branda. Grandes madeixas de cabelos alvos de neve molduravam-lhe o semblante jovial e tranquilo, onde os olhos brilhavam infinitamente cheios de serenidade, alegria e doçura. As palavras de Sócrates contornaram as teses mais sublimes, porém, inacessíveis ao entendimento das criaturas atuais, tal a transcendência dos seus profundos raciocínios. À maneira das suas lições nas praças públicas de Atenas, falou-nos da mais avançada sabedoria espiritual, através de inquirições que nos conduziam ao âmago dos assuntos; discorreu sobre a liberdade dos seres nos planos divinos que constituem a sua atual morada e sobre os grandes conhecimentos que esperam a Humanidade terrestre no seu futuro espiritual. É verdade que não posso transmitir aos meus companheiros terrenos a expressão exata dos seus ensinamentos, estribados na mais elevada das justiças, levando-se em conta a grandeza dos seus conceitos, incompreensíveis para as ideologias das pátrias no mundo atual, mas, ansioso de oferecer uma palavra do grande mestre do passado aos meus irmãos, não mais pelas vísceras do corpo e sim pelos laços afetivos da alma, atrevi-me a abordá-lo: - Mestre - disse eu -, venho recentemente da Terra distante, para onde encontro possibilidade de mandar o vosso pensamento. Desejaríeis enviar para o mundo as vossas mensagens benevolentes e sábias? - Seria inútil - respondeu-me bondosamente -, os homens da Terra ainda não se reconheceram a si mesmos. Ainda são cidadãos da pátria, sem serem irmãos entre si. Marcham uns contra os outros, ao som de músicas guerreiras e sob a proteção de estandartes que os desunem, aniquilando-lhes os mais nobres sentimentos de humanidade. - Mas. . . - retorqui - lá no mundo há uma elite de filósofos que se sentiriam orgulhosos de vos ouvir! ... - Mesmo entre eles as nossas verdades não seriam reconhecidas. Quase todos estão com o pensamento cristalizado no ataúde das escolas. Para todos os espíritos, o progresso reside na experiência. A História não vos fala do suicídio orgulhoso de Empédocles de Agrigento, nas lavas do Etna, para proporcionar aos seus contemporâneos a falsa impressão de sua ascensão para os céus? Quase todos os estudiosos da Terra são assim; o mal de todos é o enfatuado convencimento de sabedoria. Nossas lições valem somente como roteiro de coragem para cada um, nos grandes momentos da experiência individual, quase sempre difícil e dolorosa. Não crucificaram, por lá, o Filho de Deus, que lhes oferecia a própria vida para que conhecessem e praticassem a Verdade? O pórtico da pitonisa de Delfos está cheio de atualidade para o mundo. Nosso projeto de difundir a felicidade na Terra só terá realização quando os Espíritos aí encarnados deixarem de ser cidadãos para serem homens conscientes de si mesmos. Os Estados e as Leis são invenções puramente humanas, justificáveis, em virtude da heterogeneidade com respeito à posição evolutiva das criaturas; mas, enquanto existirem, sobrará a certeza de que o homem não se descobriu a si mesmo, para viver a existência espontânea e feliz, em comunhão com as disposições divinas da natureza espiritual. A Humanidade está muito longe de compreender essa fraternidade no campo sociológico. Impressionado com essas respostas, continuei a interrogá-lo: - Apesar dos milênios decorridos, tendes a exprimir alguma reflexão aos homens, quanto à reparação do erro que cometeram, condenando-vos à morte? - De modo algum. Méletos e outros acusadores estavam no papel que lhes competia, e a ação que provocaram contra mim nos tribunais atenienses só podia valorizar os princípios da filosofia do bem e da liberdade que as vozes do Alto me inspiravam, para que eu fosse um dos colaboradores na obra de quantos precederam, no Planeta, o pensamento e o exemplo vivo de Jesus Cristo. Se me condenaram à morte, os meus juízes estavam igualmente condenados pela Natureza; e, até hoje, enquanto a criatura humana não se descobrir a si mesma, os seus destinos e obras serão patrimônios da dor e da morte. . - Poderíeis dizer algo sobre a obra dos vossos discípulos? - Perfeitamente - respondeu-me o sábio ilustre -, é de lamentar as observações malavisadas de Xenofonte, lamentando eu, igualmente, que Platão, não obstante a sua coragem e o seu heroísmo, não haja representado fielmente a minha palavra junto dos nossos contemporâneos e dos nossos pósteros. A História admirou na sua Apologia os discursos sábios e bem feitos, mas a minha palavra não entoaria ladainhas laudatórias aos políticos da época e nem se desviaria para as afirmações dogmáticas no terreno metafísico. Vivi com a minha verdade para morrer com ela. Louvo, todavia, a Antístenes, que falou com mais imparcialidade a meu respeito, de minha personalidade que sempre se reconheceu insuficiente. Julgáveis então que me abalançasse, nos últimos instantes da vida, a recomendações no sentido de que se pagasse um galo a Esculápio? Semelhante expressão, a mim atribuída, constitui a mais incompreensível das ironias. - Mestre, e o mundo? - indaguei. - O mundo atual é a semente do mundo paradisíaco do futuro. Não tenhais pressa. Mergulhando-me no labirinto da História, parece-me que as lutas de Atenas e Esparta, as glórias do Pártenon, os esplendores do século de Péricles, são acontecimentos de há poucos dias; entretanto, soldados espartanos e atenienses, censores, juízes, tribunais, monumentos políticos da cidade que foi minha pátria, estão hoje reduzidos a um punhado de cinzas!. . . A nossa única realidade é a vida do Espírito. - Não vos tentaria alguma missão de amor na face do orbe terrestre, dentro dos grandes objetivos da regeneração humana? - Nossa tarefa, para que os homens se persuadam com respeito à verdade, deve ser toda indireta. O homem terá de realizar-se interiormente pelo trabalho perseverante, sem o que todo o esforço dos mestres não passará do terreno do puro verbalismo. E, como se estivesse concentrado em si mesmo, o,grande filósofo sentenciou: - As criaturas humanas ainda não estão preparadas para o amor e para a liberdade... Durante muitos anos, ainda, todos os discípulos da Verdade terão de morrer muitas vezes!. . . E enquanto o ilustre sábio ateniense se retirava do recinto, junto de Anaxágoras, dei por terminada a preciosa e rara entrevista.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Texto da obra "O céu e o inferno." Allan Kardec.
FERDINAND BERTIN
Um médium do Havre evocou o Espírito de pessoa dele conhecida, que respondeu: — “Quero comunicar-me, porém não posso vencer o obstáculo existente entre nós. Sou forçado a deixar que se aproximem estes infelizes sofredores.” Seguiu-se então a seguinte comunicação espontânea: “Estou num medonho abismo! Auxilia-me... Oh! meu Deus! quem me tirará deste abismo? Quem socorrerá com mão piedosa o infeliz tragado pelas ondas? Por toda parte o marulho das vagas, e nem uma palavra amiga que me console e ajude neste momento supremo. Entretanto, esta noite profunda é bem a morte com seus horrores, quando eu não quero morrer!... Oh! meu Deus! não é a morte futura, é a passada! Estou para sempre separado dos que me são caros... Vejo o meu corpo, e o que há pouco sentia era apenas a lembrança da angustiosa separação... Tende piedade de mim, vós que conheceis o meu sofrimento; orai por mim, pois não quero mais sentir as lacerações da agonia, como tem acontecido desde a noite fatal!... É essa, no entanto, a punição, bem a pressinto... Conjuro-vos a orar!... Oh! o mar... o frio... vou ser tragado pelas ondas!... Socorro!... Tende piedade; não me repilais! Nós nos salvaremos os dois sobre esta tábua!... Oh! afogo-me! As vagas vão tragar-me sem que aos meus reste o consolo de me tornarem a ver... Mas não! que vejo? meu corpo balouçado pelas ondas... As preces de minha mãe serão ouvidas... Pobre mãe! se ela pudesse supor seu filho tão miserável como realmente o é, decerto pediria mais; acredita, porém, que a morte santificou o passado e chora-me como mártir e não como infeliz castigado!... Oh! vós que o sabeis, sereis implacáveis? Não, certo intercedereis por mim.
François Bertin.”
Desconhecido inteiramente esse nome, não sugeria sequer à memória do médium uma vaga lembrança, pelo que supôs fosse de algum desgraçado náufrago que se lhe viesse manifestar espontaneamente, como sucedia várias vezes. Mais tarde soube ser, efetivamente, o nome de uma das vítimas da grande catástrofe marítima ocorrida nessas paragens a 2 de dezembro de 1863. A comunicação foi dada a 8 do mesmo mês, 6 dias, portanto, depois do sinistro. O indivíduo perecera fazendo tentativas inauditas para salvar a equipagem e no momento em que se julgava ao abrigo da morte. Não tendo qualquer parentesco com o médium, nem mesmo conhecimento, por que se teria manifestado a este em vez de o fazer a qualquer membro da família? É que os Espíritos não encontram em todas as pessoas as condições fluídicas imprescindíveis à manifestação. Este, na perturbação em que estava, nem mesmo tinha a liberdade da escolha, sendo conduzido instintiva e atrativamente para este médium, dotado, ao que parece, de aptidão especial para as comunicações deste gênero. Também é de supor que pressentisse uma simpatia particular, como outros a encontraram em idênticas circunstâncias. A família, estranha ao Espiritismo, talvez infensa mesmo a esta crença, não teria acolhido a manifestação como esse médium. Posto que a morte remontasse a alguns dias, o Espírito lhe experimentava ainda todas as angústias. Evidente, portanto, que não tinha consciência da situação; acreditava-se vivo, lutando com as ondas, mas ao mesmo tempo se referindo ao corpo como se dele estivesse separado; grita por socorro, diz que não quer morrer e fala logo após da causa da sua morte, reconhecendo nela um castigo. Toda essa incoerência denota a confusão das ideias, fato comum em quase todas as mortes violentas. Dois meses mais tarde, a 2 de fevereiro de 1864, o Espírito de novo se comunicou espontaneamente pelo mesmo médium, dizendo-lhe o seguinte: “A piedade que tivestes dos meus tão horríveis sofrimentos aliviou-me. Compreendo a esperança, entrevejo o perdão, mas depois do castigo da falta cometida. Sofro continuamente, e, se por momentos permite Deus que eu entreveja o fim da minha desventura, devo-o às preces de caridosas almas apiedadas da minha situação. Oh! esperança, raio celeste, quão bendita és quando te sinto despontar-me na alma!... Mas, oh! o abismo escancara-se, o terror e o sofrimento absorvem o pensamento de misericórdia. A noite, sempre a noite!... a água, o bramir das ondas que me tragaram, são apenas pálida imagem do horror em que se envolve o meu Espírito... Fico mais calmo quando posso permanecer junto de vós, pois assim como a confidência de um segredo ao peito amigo nos alivia, assim a vossa piedade motivada pela confidência da minha penúria, acalma o sofrimento e dá repouso ao meu Espírito... “Fazem-me bem as vossas preces, não me as recuseis. Não quero reapossar-me desse hórrido sonho que se transforma em realidade quando o vejo... Tomai o lápis mais vezes. Muito me aliviará o comunicar convosco.” Dias depois, numa reunião espírita em Paris, dirigiram-se a este Espírito as seguintes perguntas, por ele englobadas numa única comunicação e mediante outro médium, na forma abaixo. Eis as perguntas: Quem vos levou a comunicar espontaneamente pelo outro médium? De que tempo datava a vossa morte quando vos manifestastes? Quando o fizestes parecíeis duvidar ainda do vosso estado, ao mesmo tempo que externáveis angústias de uma morte horrível: tendes agora melhor compreensão dessa situação? Dissestes positivamente que a vossa morte era uma expiação: podereis dizer-nos o motivo dessa afirmativa? Isso constituirá ensinamento para nós e ser-vos-á um alívio. Por uma confissão sincera fareis jus à misericórdia de Deus, a qual solicitaremos em nossas preces. Resposta: — Em primeiro lugar parece impossível que uma criatura humana possa sofrer tão cruelmente. Deus! Como é penoso ver-se a gente constantemente envolta nas vagas em fúria, provando incessante este suplício, este frio glacial que sobe ao estômago e o constringe! “Mas, de que serve entreter-vos com tais cenas? Não devo eu começar por obedecer às leis da gratidão, agradecendo-vos a vós todos que vos interessastes pelos meus tormentos? Perguntastes se me manifestei muito tempo depois da morte? “Não posso responder facilmente. Refletindo, avaliareis em que situação horrível estou ainda. Penso que para junto do médium fui trazido por força estranha à minha vontade e — coisa inexplicável — servia-me do seu braço com a mesma facilidade com que me sirvo neste momento do vosso, persuadido de que ele me pertencesse. Agora experimento mesmo um grande prazer, como que um alívio particular, que... mas ah! ei-lo que vai cessar. Mas, meu Deus! terei forças para fazer a confissão que me cumpre?” Depois de ser muito animado, o Espírito ajuntou: — “Eu era muito culpado, e o que mais me tortura é ser tido por mártir, quando em verdade o não fui... Na precedente existência eu mandara ensacar várias vítimas e atirá-las ao mar... Orai por mim!”
Comentário de S. Luís a esta comunicação: "Esta confissão trará grande alívio ao Espírito, que efetivamente foi bem culpado! Honrosa, porém, foi a existência que vem de deixar: — era amado e estimado de seus chefes. Essa circunstância era o fruto do seu arrependimento e das boas resoluções que tomou antes de voltar à Terra, onde, tanto quanto fora cruel, desejara ser humano. O devotamento que demonstrou era uma reparação, sendo-lhe porém preciso resgatar as passadas faltas por uma expiação final — a da morte que teve. Ele mesmo quis purificar-se pelo sofrimento das torturas que a outros infligira, e reparai que uma ideia o persegue: o pesar de ser tido como mártir. Será tomada em consideração essa humildade. Enfim, ele deixou o caminho da expiação para entrar no da reabilitação, no qual por vossas preces podereis sustentá-lo, fazendo que o trilhe a passo mais firme e resoluto."
Um médium do Havre evocou o Espírito de pessoa dele conhecida, que respondeu: — “Quero comunicar-me, porém não posso vencer o obstáculo existente entre nós. Sou forçado a deixar que se aproximem estes infelizes sofredores.” Seguiu-se então a seguinte comunicação espontânea: “Estou num medonho abismo! Auxilia-me... Oh! meu Deus! quem me tirará deste abismo? Quem socorrerá com mão piedosa o infeliz tragado pelas ondas? Por toda parte o marulho das vagas, e nem uma palavra amiga que me console e ajude neste momento supremo. Entretanto, esta noite profunda é bem a morte com seus horrores, quando eu não quero morrer!... Oh! meu Deus! não é a morte futura, é a passada! Estou para sempre separado dos que me são caros... Vejo o meu corpo, e o que há pouco sentia era apenas a lembrança da angustiosa separação... Tende piedade de mim, vós que conheceis o meu sofrimento; orai por mim, pois não quero mais sentir as lacerações da agonia, como tem acontecido desde a noite fatal!... É essa, no entanto, a punição, bem a pressinto... Conjuro-vos a orar!... Oh! o mar... o frio... vou ser tragado pelas ondas!... Socorro!... Tende piedade; não me repilais! Nós nos salvaremos os dois sobre esta tábua!... Oh! afogo-me! As vagas vão tragar-me sem que aos meus reste o consolo de me tornarem a ver... Mas não! que vejo? meu corpo balouçado pelas ondas... As preces de minha mãe serão ouvidas... Pobre mãe! se ela pudesse supor seu filho tão miserável como realmente o é, decerto pediria mais; acredita, porém, que a morte santificou o passado e chora-me como mártir e não como infeliz castigado!... Oh! vós que o sabeis, sereis implacáveis? Não, certo intercedereis por mim.
François Bertin.”
Desconhecido inteiramente esse nome, não sugeria sequer à memória do médium uma vaga lembrança, pelo que supôs fosse de algum desgraçado náufrago que se lhe viesse manifestar espontaneamente, como sucedia várias vezes. Mais tarde soube ser, efetivamente, o nome de uma das vítimas da grande catástrofe marítima ocorrida nessas paragens a 2 de dezembro de 1863. A comunicação foi dada a 8 do mesmo mês, 6 dias, portanto, depois do sinistro. O indivíduo perecera fazendo tentativas inauditas para salvar a equipagem e no momento em que se julgava ao abrigo da morte. Não tendo qualquer parentesco com o médium, nem mesmo conhecimento, por que se teria manifestado a este em vez de o fazer a qualquer membro da família? É que os Espíritos não encontram em todas as pessoas as condições fluídicas imprescindíveis à manifestação. Este, na perturbação em que estava, nem mesmo tinha a liberdade da escolha, sendo conduzido instintiva e atrativamente para este médium, dotado, ao que parece, de aptidão especial para as comunicações deste gênero. Também é de supor que pressentisse uma simpatia particular, como outros a encontraram em idênticas circunstâncias. A família, estranha ao Espiritismo, talvez infensa mesmo a esta crença, não teria acolhido a manifestação como esse médium. Posto que a morte remontasse a alguns dias, o Espírito lhe experimentava ainda todas as angústias. Evidente, portanto, que não tinha consciência da situação; acreditava-se vivo, lutando com as ondas, mas ao mesmo tempo se referindo ao corpo como se dele estivesse separado; grita por socorro, diz que não quer morrer e fala logo após da causa da sua morte, reconhecendo nela um castigo. Toda essa incoerência denota a confusão das ideias, fato comum em quase todas as mortes violentas. Dois meses mais tarde, a 2 de fevereiro de 1864, o Espírito de novo se comunicou espontaneamente pelo mesmo médium, dizendo-lhe o seguinte: “A piedade que tivestes dos meus tão horríveis sofrimentos aliviou-me. Compreendo a esperança, entrevejo o perdão, mas depois do castigo da falta cometida. Sofro continuamente, e, se por momentos permite Deus que eu entreveja o fim da minha desventura, devo-o às preces de caridosas almas apiedadas da minha situação. Oh! esperança, raio celeste, quão bendita és quando te sinto despontar-me na alma!... Mas, oh! o abismo escancara-se, o terror e o sofrimento absorvem o pensamento de misericórdia. A noite, sempre a noite!... a água, o bramir das ondas que me tragaram, são apenas pálida imagem do horror em que se envolve o meu Espírito... Fico mais calmo quando posso permanecer junto de vós, pois assim como a confidência de um segredo ao peito amigo nos alivia, assim a vossa piedade motivada pela confidência da minha penúria, acalma o sofrimento e dá repouso ao meu Espírito... “Fazem-me bem as vossas preces, não me as recuseis. Não quero reapossar-me desse hórrido sonho que se transforma em realidade quando o vejo... Tomai o lápis mais vezes. Muito me aliviará o comunicar convosco.” Dias depois, numa reunião espírita em Paris, dirigiram-se a este Espírito as seguintes perguntas, por ele englobadas numa única comunicação e mediante outro médium, na forma abaixo. Eis as perguntas: Quem vos levou a comunicar espontaneamente pelo outro médium? De que tempo datava a vossa morte quando vos manifestastes? Quando o fizestes parecíeis duvidar ainda do vosso estado, ao mesmo tempo que externáveis angústias de uma morte horrível: tendes agora melhor compreensão dessa situação? Dissestes positivamente que a vossa morte era uma expiação: podereis dizer-nos o motivo dessa afirmativa? Isso constituirá ensinamento para nós e ser-vos-á um alívio. Por uma confissão sincera fareis jus à misericórdia de Deus, a qual solicitaremos em nossas preces. Resposta: — Em primeiro lugar parece impossível que uma criatura humana possa sofrer tão cruelmente. Deus! Como é penoso ver-se a gente constantemente envolta nas vagas em fúria, provando incessante este suplício, este frio glacial que sobe ao estômago e o constringe! “Mas, de que serve entreter-vos com tais cenas? Não devo eu começar por obedecer às leis da gratidão, agradecendo-vos a vós todos que vos interessastes pelos meus tormentos? Perguntastes se me manifestei muito tempo depois da morte? “Não posso responder facilmente. Refletindo, avaliareis em que situação horrível estou ainda. Penso que para junto do médium fui trazido por força estranha à minha vontade e — coisa inexplicável — servia-me do seu braço com a mesma facilidade com que me sirvo neste momento do vosso, persuadido de que ele me pertencesse. Agora experimento mesmo um grande prazer, como que um alívio particular, que... mas ah! ei-lo que vai cessar. Mas, meu Deus! terei forças para fazer a confissão que me cumpre?” Depois de ser muito animado, o Espírito ajuntou: — “Eu era muito culpado, e o que mais me tortura é ser tido por mártir, quando em verdade o não fui... Na precedente existência eu mandara ensacar várias vítimas e atirá-las ao mar... Orai por mim!”
Comentário de S. Luís a esta comunicação: "Esta confissão trará grande alívio ao Espírito, que efetivamente foi bem culpado! Honrosa, porém, foi a existência que vem de deixar: — era amado e estimado de seus chefes. Essa circunstância era o fruto do seu arrependimento e das boas resoluções que tomou antes de voltar à Terra, onde, tanto quanto fora cruel, desejara ser humano. O devotamento que demonstrou era uma reparação, sendo-lhe porém preciso resgatar as passadas faltas por uma expiação final — a da morte que teve. Ele mesmo quis purificar-se pelo sofrimento das torturas que a outros infligira, e reparai que uma ideia o persegue: o pesar de ser tido como mártir. Será tomada em consideração essa humildade. Enfim, ele deixou o caminho da expiação para entrar no da reabilitação, no qual por vossas preces podereis sustentá-lo, fazendo que o trilhe a passo mais firme e resoluto."
Belo texto do "Evangelho segundo o espiritismo." Allan Kardec.
Cáritas. Martirizado em Roma.
Lyon, 1861.
Chamo-me Caridade, sou o caminho principal que conduz a Deus; segui-me, porque eu sou a meta a que vós todos deveis visar. Fiz nesta manhã o meu passeio habitual, e com o coração magoado venho a dizer-vos: Oh, meus amigos, quantas misérias, quantas lágrimas, e quanto tendes de fazer para secá-las todas! Inutilmente tentei consolar as pobres mães, dizendo-lhes ao ouvido: Coragem! Há corações bondosos que velam por vós, que não vos abandonarão; paciência! Deus existe, e vós sois as suas amadas, as suas eleitas. Elas pareciam ouvir-me e voltavam para mim os seus grandes olhos assustados. Eu lia em seus pobres semblantes que o corpo, esse tirano do Espírito, tinha fome, e que, se as minhas palavras lhes tranquilizavam um pouco o coração, não lhes saciavam o estômago. Então eu repetia: Coragem! Coragem! E uma pobre mãe, muito jovem, que amamentava uma criancinha, tomou-a nos braços e ergueu-a no espaço vazio, como para me rogar que protegesse aquele pobre pequeno ser, que só encontrava num seio estéril alimento insuficiente. Mais adiante, meus amigos, vi pobres velhos sem trabalho e logo sem abrigo, atormentados por todos os sofrimentos da necessidade, e envergonhados de sua miséria, não se atrevendo, eles que jamais mendigaram, a implorar piedade dos passantes. Coração empolgado de compaixão, eu, que nada tenho, me fiz mendiga para eles, e vou para toda parte estimular a beneficência, inspirar bons pensamentos aos corações generosos e compassivos. Eis porque venho até vós, meus amigos, e vos digo: lá em baixo há infelizes cuja cesta está sem pão, a lareira sem fogo, o leito sem cobertas. Não vos digo o que deveis fazer; deixo a iniciativa aos vossos bons corações; pois se eu vos ditasse a linha de conduta, não teríeis o mérito de vossas boas ações. Eu vos digo somente: sou a caridade e vos estendo as mãos pelos vossos irmãos sofredores. Mas, se peço, também dou, e muito; eu vos convido para um grande festim, e ofereço a árvore em que vós todos podereis saciar-vos. Vede como é bela, como está carregada de flores e de frutos! Ide, ide, colhei, tomai todos os frutos dessa bela árvore que se chama beneficência. Em lugar dos ramos que lhe arrancardes, porei todas as boas ações que fizerdes e levarei a árvore a Deus, para que Ele a carregue de novo, porque a beneficência é inesgotável. Segui-me, pois, meus amigos, afim de que eu vos possa contar entre os que se alistam sob a minha bandeira. Sede intrépidos: eu vos conduzirei pela via da salvação, porque eu sou a Caridade!
Lyon, 1861.
Chamo-me Caridade, sou o caminho principal que conduz a Deus; segui-me, porque eu sou a meta a que vós todos deveis visar. Fiz nesta manhã o meu passeio habitual, e com o coração magoado venho a dizer-vos: Oh, meus amigos, quantas misérias, quantas lágrimas, e quanto tendes de fazer para secá-las todas! Inutilmente tentei consolar as pobres mães, dizendo-lhes ao ouvido: Coragem! Há corações bondosos que velam por vós, que não vos abandonarão; paciência! Deus existe, e vós sois as suas amadas, as suas eleitas. Elas pareciam ouvir-me e voltavam para mim os seus grandes olhos assustados. Eu lia em seus pobres semblantes que o corpo, esse tirano do Espírito, tinha fome, e que, se as minhas palavras lhes tranquilizavam um pouco o coração, não lhes saciavam o estômago. Então eu repetia: Coragem! Coragem! E uma pobre mãe, muito jovem, que amamentava uma criancinha, tomou-a nos braços e ergueu-a no espaço vazio, como para me rogar que protegesse aquele pobre pequeno ser, que só encontrava num seio estéril alimento insuficiente. Mais adiante, meus amigos, vi pobres velhos sem trabalho e logo sem abrigo, atormentados por todos os sofrimentos da necessidade, e envergonhados de sua miséria, não se atrevendo, eles que jamais mendigaram, a implorar piedade dos passantes. Coração empolgado de compaixão, eu, que nada tenho, me fiz mendiga para eles, e vou para toda parte estimular a beneficência, inspirar bons pensamentos aos corações generosos e compassivos. Eis porque venho até vós, meus amigos, e vos digo: lá em baixo há infelizes cuja cesta está sem pão, a lareira sem fogo, o leito sem cobertas. Não vos digo o que deveis fazer; deixo a iniciativa aos vossos bons corações; pois se eu vos ditasse a linha de conduta, não teríeis o mérito de vossas boas ações. Eu vos digo somente: sou a caridade e vos estendo as mãos pelos vossos irmãos sofredores. Mas, se peço, também dou, e muito; eu vos convido para um grande festim, e ofereço a árvore em que vós todos podereis saciar-vos. Vede como é bela, como está carregada de flores e de frutos! Ide, ide, colhei, tomai todos os frutos dessa bela árvore que se chama beneficência. Em lugar dos ramos que lhe arrancardes, porei todas as boas ações que fizerdes e levarei a árvore a Deus, para que Ele a carregue de novo, porque a beneficência é inesgotável. Segui-me, pois, meus amigos, afim de que eu vos possa contar entre os que se alistam sob a minha bandeira. Sede intrépidos: eu vos conduzirei pela via da salvação, porque eu sou a Caridade!
sábado, 15 de agosto de 2015
É dia de Sol!
É dia de Sol!
Deixai as crianças correrem pelos gramados do mundo.
É dia de Sol.
Deixai os namorados passearem de mãos entrelaçadas em todas as praças do planeta.
É dia de Sol!
Desaferrolhai-vos dos trilhos do cansaço de todo dia e lançai-vos à liberdade sadia!
É dia de Sol.
Afastai para longe de ti o peso de tua tristeza e buscai a alegria pura das crianças.
É dia de Sol!
Desatrelai-vos do peso de tua carga na esteira dos dias que passam e nunca mais voltam.
É dia de Sol!
Colhei as rosas de todos os jardins do mundo e oferecei a todas as mulheres.
É dia de Sol!
Cantai vossa canção e oferecei vossa voz a todas as outras para que o mundo cante a mesma música.
É dia de Sol!
Abandonai o mofo da rotina e parti correndo aos campos perfumados da novidade.
É dia de Sol!
Deixai os acomodados encostados às paredes do mundo e lançai-vos à correnteza vibrante da Vida.
É dia de Sol!
Deixai os frios morrerem congelados e aquentai-vos no calor vivificante de nosso astro rei.
É dia de Sol!
Sorrias a todas as crianças do mundo. Acariciai a face de todos os bebês.
É dia de Sol!
Dançai a valsa do amor e não te detenhas até estares afinado com a sinfonia dos astros.
É dia de Sol!
Colhei a messe do amor e da alegria, compartilhai com o mundo e Deus te abrirá as portas da felicidade.
Deixai as crianças correrem pelos gramados do mundo.
É dia de Sol.
Deixai os namorados passearem de mãos entrelaçadas em todas as praças do planeta.
É dia de Sol!
Desaferrolhai-vos dos trilhos do cansaço de todo dia e lançai-vos à liberdade sadia!
É dia de Sol.
Afastai para longe de ti o peso de tua tristeza e buscai a alegria pura das crianças.
É dia de Sol!
Desatrelai-vos do peso de tua carga na esteira dos dias que passam e nunca mais voltam.
É dia de Sol!
Colhei as rosas de todos os jardins do mundo e oferecei a todas as mulheres.
É dia de Sol!
Cantai vossa canção e oferecei vossa voz a todas as outras para que o mundo cante a mesma música.
É dia de Sol!
Abandonai o mofo da rotina e parti correndo aos campos perfumados da novidade.
É dia de Sol!
Deixai os acomodados encostados às paredes do mundo e lançai-vos à correnteza vibrante da Vida.
É dia de Sol!
Deixai os frios morrerem congelados e aquentai-vos no calor vivificante de nosso astro rei.
É dia de Sol!
Sorrias a todas as crianças do mundo. Acariciai a face de todos os bebês.
É dia de Sol!
Dançai a valsa do amor e não te detenhas até estares afinado com a sinfonia dos astros.
É dia de Sol!
Colhei a messe do amor e da alegria, compartilhai com o mundo e Deus te abrirá as portas da felicidade.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Texto de "A Grande Síntese." Psicografia de Pietro Ubaldi. Apogeu máximo do conhecimento.
Nossa longa viagem está terminada. Tudo já foi demonstrado, tudo está concluído até as últimas consequências. A semente está lançada no tempo, para que germine e frutifique. Dei meu verdadeiro testemunho, minha obra está completa. O pensamento desceu, imobilizou-se na palavra escrita: não podereis mais destruí-lo. Está demais antecipado, para ser todo imediatamente compreendido. Nem todos os séculos são capazes de compreender totalmente uma ideia, mas é necessário que, com a psicologia, a perspectiva mude para vê-la sob novos ângulos. Vosso julgamento está viciado por uma visão imediatista, mas os anos correrão; quando tiverdes visto o futuro, compreendereis esta Síntese em profundidade e a enquadrareis na história do mundo. Para alguns, esses conceitos ainda estarão fora do concebível. Outros recusarão um trabalho de compreensão, porque não desfrutam dele vantagem imediata. Outros procurarão afastar a verdade porque ela perturba o ciclo animalesco de suas vidas e continuarão a dormir, a esses falará a dor. O cerco aperta-se e amanhã será muito tarde. A convicção não é tanto filha de cálculos lógicos e racionais, mas um estado de amadurecimento interior, que só se consegue por meio de provas, lutando e sofrendo. Inútil, pois, falar a respeito desta Síntese para demonstrar a erudição, se não é “sentida” como orientação, se não for assimilada como vida. É verdade que a alma coletiva dos povos sente, por intuição mais do que pela razão. A filosofia, o sistema político e a forma social que mais convenham para realização dos fins da própria evolução varrem tudo o que não corresponda ao trabalho que o momento histórico exige. Mas, assim como é inútil criar sistemas lógicos e esperar que sejam compreendidos quando incompatíveis com o momento histórico, minha concepção é uma visão fecunda que antecipa a realização, é síntese não apenas do que pode ser conhecido, mas também das arrojadas aspirações da alma humana. Falei ao mundo, a todos os povos. Disse a verdade universal, verdadeira em todos os lugares e em todos os tempos. Valorizei o homem e a vida, deles fazendo uma construção eterna; através de todos os campos, até os mais disparatados, tudo fiz convergir para a unidade; de todo vosso disperso conhecimento humano, fiz um estreito monismo. Nesta síntese, ciência, filosofia e fé são uma só coisa. Tornei a dar-vos a paixão do bem e do infinito. A tudo o que vossa vida possa abraçar, dei u’a meta: arte, direito, ética, luta, conhecimento, dor, tudo canalizei e fundi no mesmo caminho das ascensões humanas. Vós vos moveis no infinito. A vida é uma viagem e nela só possuís vossas obras. A cada hora se morre, a cada hora se renasce, mas sempre como filhos de vós mesmos. A evolução, pulsando segundo o ritmo do tempo, não pode parar. Vedes através de falsa perspectiva psíquica. É preciso conceber não as coisas, mas a trajetória de seu transformismo; não os fenômenos, mas os períodos fenomênicos; tendes de colocar-vos dinamicamente na fluidez do movimento, realizar-vos neste mundo de coisas transitórias, como seres indestrutíveis, num tempo que só pode levar a uma continuação, lançados para um futuro eterno, que vos abre as portas da evolução. Após milênios e milênios, não sereis mais as crianças de hoje, e alcançareis formas de consciência que hoje nem sequer sabeis imaginar. Mostrei-vos o destino e o tormento dos grandes que vos precederam na jornada. Eles vos dizem o que será o homem amanhã. Não podeis parar. Vimos o funcionamento orgânico da grande máquina do universo em seus aspectos, nas fases de seu devenir. É um movimento imenso e tendes que funcionar como parte do grande organismo. Uma grande atração governa o universo por inteiro: Amor. Ele canta na arquitetura das linhas, na sinfonia das forças, nas correspondências dos conceitos, sempre presente. Chama-se atração e coesão no nível da matéria; impulso e transmissão no nível energia; impulso de vida e de ascensão no nível espírito. É a harmonia na ordem cinética, em que reside nossa respiração e a respiração do universo. Ousamos desvelar o mistério e olhar sem véus a Lei, que é o pensamento de Deus. Em todos os campos vimos os momentos desse conceito que governa tudo. Que os bons não tenham medo de conhecer a verdade. O quadro está ultimado, a visão é completa. Dei-vos um conceito da Divindade muito menos antropomórfico, muito mais transparente em sua íntima essência, muito mais purificado das reduções feitas pela representação humana; um conceito mais luminoso, adequado à vossa alma moderna mais amadurecida. Assim o mistério pode emergir em termos de ciência e de razão, saindo dos véus do símbolo. Caminhamos do mineral ao gênio, para contemplar a vitória do homem; choramos e ansiamos com ele na cansativa conquista do bem contra o mal, no caminho de sua ascensão. Ouvimos uma sinfonia grandiosa, em que, da matéria ao espírito, tudo canta o hino da vida. Oramos em sintonia com todas as criaturas irmãs. A concepção move-se no infinito. Os únicos limites que vos dei são os impostos pelo vosso concebível. Nosso estudo foi a adoração da Divindade. Dei-vos uma verdade universal e progressiva, em que podem coordenar-se todas as verdades relativas. Dei-vos conclusões que não se podem negar, sem negar toda a ciência, todo o universo. A premissa é gigantesca; não pode ser abalada. Cada palavra é um apelo à vossa racionalidade, não podeis negá-la. Sempre afirmei, muito mais do que neguei. O ponto de partida desse organismo conceptual não é egocêntrico nem antropomorfico, mas implica, em sua gênese, numa transferência para fora de vosso plano de concepção. Conclamei-vos às grandes verdades do espírito; recompletei vossa vida dividida ao meio pelo materialismo; restituí-vos como cidadãos eternos ao infinito. A ciência tem grande responsabilidade: ter destruído a fé sem saber reedificá-la. Com seus próprios meios, ergui-vos até a Síntese; dei-vos uma ética racional baseada em vastíssima plataforma científica. Dei ao supersensório um peso real objetivo. Mostrei-vos a realidade que está além da ilusão, a substância que reside no transitório, o absoluto que existe nas modificações do relativo. Ergui a ciência até a demonstração das verdades metafísicas. Reuni os extremos inconciliáveis, a matéria e o espírito, equilibrando e fundindo num só plano de trabalho a Terra e o céu. Encaminhei o homem à sua futura consciência cósmica. No âmago de meu pensamento, sempre se moveu a visão da lei de Deus. Não podeis negar neste escrito, em que se agitam todas as esperanças e todas as dores humanas, uma palpitação de vida substancial; não podeis deixar de sentir, por trás da demonstração objetiva, uma paixão pelo bem, uma sinceridade absoluta, uma potência de espírito que vivifica tudo. Este escrito possui uma alma que lhe dá vitalidade. Podereis negar ou discutir nele o supranormal. Mas este é normal em todas as outras criações de pensamento, normal nelas é a inspiração, sem a qual não se atingem as verdades eternas; normal a intuição super-racional. É normal um abismo de mistério na consciência, da qual nada sabeis. Cada alma vibrará e responderá de acordo com sua capacidade de vibrar e responder. Aqui fala também o coração, exortando-vos a subir. Aqui reside imenso amor pelos homens, como Cristo sentiu na cruz; há um desejo violento de beneficiar, iluminando. Este livro quer ser um ato de bondade e de bem, num plano vastíssimo. Na férrea racionalidade está contido o ímpeto de uma alma que vê o futuro e sabe que a tempestade vos espera. Compreender é simples e natural na fase intuitiva. Só aceitei a ciência, as pesquisas, a racionalidade, como um meio que vossa psicologia me impôs. A quem queira atacar esta doutrina para demoli-la, vou a seu encontro de braços abertos, para dizer-lhes: és meu irmão, só isto importa de verdade. Eu sei: estes conceitos estão afastados do mundo feito de mentira e de desconfiança, que vos parecem inaceitáveis e inconcebíveis. Mas minha linguagem precisa ser substancialmente diferente. Este constitui um apelo desesperado de sabedoria, para o mundo. No coração dos homens e de seus sistemas, domina o egoísmo e a violência; não o bem, mas o mal. A civilização moderna lança as sementes com grande velocidade e aguarda a produção intensiva de sua dor futura. Será a dor de todos. Poderá tornar-se maré demolidora que destruirá a civilização. Os meios estão prontos para que hoje um incêndio se alastre por todo o mundo. Falei aos povos e aos chefes, religiosos e civis, em público e em particular. Depois da conciliação política entre Estado e Igreja, na Itália, urge esta conciliação maior, espiritual, entre ciência e fé no mundo. Se um princípio coordenador não organizar a sociedade humana, esta se desagregará no choque dos egoísmos. Falei num momento crítico, numa curva da história, na aurora de nova civilização. Podereis não ouvir e não compreender, mas não podereis mudar a Lei. Se a civilização, agora, tem bases muito mais amplas que nos tempos do império romano e não é mais um simples foco num mundo desconhecido, ainda existem enormes desníveis de civilidade, de cultura e de riqueza. A Lei leva ao nivelamento e à compensação. Enquanto houver um só bárbaro na Terra, ele tenderá a rebaixar a civilização ao seu próprio nível, invadir e destruir, para aprender. As raças inferiores depressa desfarão a sua impressão sobre superioridade técnica européia; dela se apossarão para pular à garganta do velho patrão. A todas as crenças, digo: o que é divino, permanecerá; o que é humano, cairá; qualquer afirmação temporal é uma perda espiritual; cada vitória na Terra é uma derrota no céu. Evitai os absolutismos e preferi o caminho da bondade. Não se aplica a imposição ao pensamento, a força não o atinge e produz afastamento. Dai exemplo de desapego das coisas da Terra. Vossas verdades relativas são apenas pontos de vista progressivos e diferentes do mesmo Princípio único. O futuro não consistirá na exclusão recíproca, mas na coordenação de vossas aproximações da verdade. Não discutais, a convicção não se impõe com ameaças, mas difunde-se com o exemplo e com o amor. À ciência digo que, enquanto não for fecundada pelo amor evangélico, será uma ciência de inferno. Inútil é o progresso mecânico que faz da Terra um jardim, se nesse jardim morar uma fera. A Terra é um inferno porque vós sois demônios. Tornai-vos anjos e a Terra será um paraíso. Não temam os justos e os aflitos que olham, tremendo, a algazarra humana que busca glória, riqueza e prazer, porque se esta, por um momento, vence e goza, a Lei está vigilante, “Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”. Digo-vos: jamais agridais, não sejais vós os agentes de vossa justiça, mas a Divindade; perdoai. Fazei sempre o bem e o fareis a vós mesmos; deixai a reação à Lei, não vos prendais ao ofensor com a vingança. Não espalheis jamais pensamentos, palavras, atos de destruição; não movimenteis as forças negativas da demolição, pois, de retorno, elas cairão sobre vós mesmos. Sede sempre construtivos. Em qualquer campo, seja vossa preocupação em apenas criar e jamais demolir; nada possui tanta força demolidora quanto um organismo completo em função. O velho cai por si, sem lutas de reação, porque todas as correntes da vida se precipitam para as novas formas. Não vos rebeleis, mas aceitai todo o trabalho que vosso destino vos oferece. Este já é perfeito e contém todas as provas adequadas, mesmo se pequenas. Se é assim, não procureis alhures grandiosos heroísmos. Os pequenos pesos que se suportam por muito tempo, representam muitas vezes um esforço, uma paciência, uma utilidade maior. As provas implicam no trabalho lento de sua assimilação; a construção do espírito tem de ser executada em cada minúcia; a vida é toda vivida momento a momento, a cada instante há um ato e um fato que se liga à eternidade. Lembrai-vos de que o destino não é malvado, mas sempre justo, mesmo se as provas são pesadas. Recordai-vos de que jamais se sofre em vão, pois a dor esculpe a alma. A lei do próprio destino obedece a equilíbrios profundos e é inútil rebelar-se. Há dores que parecem matar, mas jamais se apresentam sem esperança; nunca sereis onerados acima de vossas forças. A reação das inexauríveis potências da alma é proporcional ao assalto. Tende fé, ainda que o céu esteja negro, o horizonte fechado e tudo pareça acabado, porque lá sempre está à espera uma força que vos fará ressurgir. O abandono e sua sensação fazem parte da prova, porque só assim podereis aprender a voar com as próprias asas. Mesmo quando dormis ou ignorais, o destino vela e sabe: é uma força sempre ativa na preparação de vosso amanhã, que contém as mais ilimitadas possibilidades. Esses ideais foram ensinados na Terra. Mártires morreram por eles. Mas, o que não foi explorado pela hipocrisia do homem? Às vezes, os ideais, para serem divulgados, utilizam justamente esta sua capacidade de sofrer a exploração, tal como o fruto que se deixa devorar para que a semente seja levada para longe. Há a classe dos construtores e há a classe dos demolidores; dos parasitas que, pela mentira, operam uma contínua degradação de todos os valores espirituais. Há quem construa à custa de tormentosos esforços e há quem utilize para si, pendurando-se como peso morto, para baixar tudo ao próprio nível. Um é espírito que vivifica, outro é matéria que sufoca. O princípio puro, então infecciona-se, adquire sabor de mentira: processo de degradação de ideais. Ai dos culpados, dos demolidores do esforço dos mártires! Ai de quem faz da missão uma profissão e coloca o espírito como base de poder humano! Ai de quem mente e induz a mentir; de quem com o abuso, induza ao abuso; de quem dando exemplo de injustiça bem sucedida, proponha-a como uma norma de vida! Realizada uma ação, não podeis mais anulá-la até que se esgotem e sejam reabsorvidos seus efeitos. Ai da sociedade que deixar esquecidos seus melhores elementos, não os colocando na posição que possam render em vista de seus merecimentos, e abandona seus valores mais altos à apatia e à incompreensão. São inúteis os reconhecimentos póstumos e tardio o remorso por um tesouro perdido. Ai das religiões que não cumprirem sua tarefa de salvar os valores espirituais do mundo! O espírito não pode morrer e ressurgirá alhures, fora delas. Ai dos dirigentes que não obedecerem ao Alto e não atenderem à voz da justiça que reside na própria consciência! Ai de quem desperdiçar seu tempo e não fizer de sua vida uma missão! Um julgamento final vos aguarda a todos, não por obra de um Deus exterior a vós, a quem se possa enganar ou enternecer. Ele é uma lei onipresente no espaço e no tempo cuja reação não há distância nem demora que possa deter, de quem não se escapa, porque está dentro de vós e de todas as coisas. Pode evitar-se ou enganar a lei da gravidade? Assim não se evita nem se engana a reação da Lei, a justiça divina. Deixo-vos. Minha última palavra a quem sofre. Esse é grande na Terra, porque regressa a Deus. Destruí a dor e destruireis a vós mesmos, “Felizes os que choram, porque serão consolados”. Não temais a morte, que vos liberta. Vós e vossas obras, tudo é indestrutível por toda a eternidade. Minha última palavra é de amor, de paz, de perdão, para todos. Minha obra está terminada. Se durante anos e anos, uma humanidade diferente, muito maior e melhor, olhando para trás, pesquisar esta semente lançada com muita antecipação para ser logo fecundada e compreendida, admirando-se como tenha sido possível adiantar-se aos tempos, tenha ela um pensamento de gratidão para o ser humano que, sozinho e desconhecido, realizou este trabalho, por meio de seu amor e de seu martírio. A sinfonia está escrita. O cântico emudece, para ressurgir em outras formas, noutros lugares. A voz apaga-se. O pensamento se afasta de sua manifestação exterior, na profundeza, para seu centro, no infinito.
Texto do livro "O Evangelho segundo o espiritismo" de Allan Kardec.
VIII – A Melancolia
FRANÇOIS DE GENÉVE
Bordeaux
25 – Sabeis por que uma vaga tristeza se apodera por vezes de vossos corações, e vos faz sentir a vida tão amarga? É o vosso Espírito que aspira à felicidade e à liberdade, mas, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, se cansa em vãos esforços para escapar. E, vendo que esses esforços são inúteis, cai no desânimo, fazendo o corpo sofrer sua influência, com a languidez, o abatimento e uma espécie de apatia, que de vós se apoderam, tornando-vos infelizes.
Acreditai no que vos digo e resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a vontade. Essas aspirações de uma vida melhor são inatas no Espírito de todos os homens, mas não a busqueis neste mundo. Agora, que Deus vos envia os seus Espíritos, para vos instruírem sobre a felicidade que vos está reservada, esperai pacientemente o anjo da libertação, que vos ajudará a romper os laços que mantém cativo o vosso Espírito. Pensai que tendes a cumprir, durante vossa prova na Terra, uma missão de que já não podeis duvidar, seja pelo devotamento à família, seja no cumprimento dos diversos deveres que Deus vos confiou.
E se, no curso dessa prova, no cumprimento de vossa tarefa, virdes tombarem sobre vós os cuidados, as inquietações e os pesares, sede fortes e corajosos para os suportar. Enfrentai-os decisivamente, pois são de curta duração e devem conduzir-vos junto aos amigos que chorais, que se alegrarão com a vossa chegada e vos estenderão os braços, para vos conduzirem a um lugar onde não têm acesso às amarguras terrenas.
FRANÇOIS DE GENÉVE
Bordeaux
25 – Sabeis por que uma vaga tristeza se apodera por vezes de vossos corações, e vos faz sentir a vida tão amarga? É o vosso Espírito que aspira à felicidade e à liberdade, mas, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, se cansa em vãos esforços para escapar. E, vendo que esses esforços são inúteis, cai no desânimo, fazendo o corpo sofrer sua influência, com a languidez, o abatimento e uma espécie de apatia, que de vós se apoderam, tornando-vos infelizes.
Acreditai no que vos digo e resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a vontade. Essas aspirações de uma vida melhor são inatas no Espírito de todos os homens, mas não a busqueis neste mundo. Agora, que Deus vos envia os seus Espíritos, para vos instruírem sobre a felicidade que vos está reservada, esperai pacientemente o anjo da libertação, que vos ajudará a romper os laços que mantém cativo o vosso Espírito. Pensai que tendes a cumprir, durante vossa prova na Terra, uma missão de que já não podeis duvidar, seja pelo devotamento à família, seja no cumprimento dos diversos deveres que Deus vos confiou.
E se, no curso dessa prova, no cumprimento de vossa tarefa, virdes tombarem sobre vós os cuidados, as inquietações e os pesares, sede fortes e corajosos para os suportar. Enfrentai-os decisivamente, pois são de curta duração e devem conduzir-vos junto aos amigos que chorais, que se alegrarão com a vossa chegada e vos estenderão os braços, para vos conduzirem a um lugar onde não têm acesso às amarguras terrenas.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Meu E-book. Amostra.
Esta é a amostra de meu e-book.
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Em nome de Antonio da Silva Freire.
Depois, basta enviar uma imagem do recibo de depósito, juntamente com o endereço de email para poetafran01@outlook.com e será enviado o e-book.
O valor para pessoas do Brasil é R$ 8,00
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A MARCIANA
POETA FRAN
Brasil.
Cananéia, Estado de São Paulo.
Agosto de 2015.
Poetafran01@outlook.com
índice
Prefácio………………………………………………página 2
Capitulo 1……………………………………………página 3
Capítulo 2……………………………………………página 4
Capítulo 3……………………………………………página 6
Capítulo 4……………………………………………página 10
Capítulo 5……………………………………………página 14
Capítulo 6……………………………………………página 18
Capítulo 7…………………………………………...página 31
Capítulo 8…………………………………………...página 38
Capítulo 9…………………………………………...página 41
Capítulo 10………………………………………….página 46
Capítulo 11………………………………………….página 53
Capítulo 12………………………………………….página 58
Capítulo 13………………………………………….página 60
Capítulo 14………………………………………….página 63
Capítulo 15………………………………………….página 65
Capítulo 16………………………………………….página 67
Capítulo 17………………………………………….página 72
Capítulo 18………………………………………….página 76
PREFÁCIO
Eis o fruto de meu pensamento, o qual vicejou em minha alma durante anos até o dia de vir à luz.
Pretendemos com ele colaborar para o resgate da alta literatura do passado, a qual ficou de lado, postergada pela avalanche de vulgaridade, mediocridade e estupidez que desabou sobre o mundo atual.
A literatura, como todas as artes, ficou maculada no lodoso mar de ignorância das gerações atuais.
Mas, os deuses da arte velam…
Sempre haverá algum coração solitário para servir à beleza eterna. É a estes corações que a humanidade deve a preservação da chama do ideal, que guia gerações sem fim para a luz eterna de Deus.
A imaginação do artista é o caminho que conduz às estrelas até o porto cintilante da luz.
A arte é a aspiração máxima da alma, a fonte sagrada da beleza magnífica, a iluminar os anseios mais sagrados do infinito em todos os corações.
Ela é a ponte luminosa e encantada que conecta o mundo aos páramos divinos onde reina o amor, a beleza, o bem eterno, no seio de Deus por toda a eternidade.
CAPÍTULO 1
À alma que lê estas páginas eu contarei minha história inusitada. Tão inusitada como se alguém saindo de sua casa em uma manhã para sua rotina de trabalho se deparasse com um habitante de outro mundo em frente ao seu portão.
Minha musa! Inspirai-me para que o peso de minha humanidade não faça soçobrar minha pobre alma durante minha narração.
Vou lançar aos olhos profanos do mundo a história de um amor transcendente, na qual duas almas separadas pela força do destino foram reunidas por esta mesma força poderosa. Quem vai deslindar o mistério sagrado das coisas, velado a sete chaves por Deus?
Deus! Pai supremo de todos os Universos, que cobres toda a criação com Tua misericórdia, filha predileta de Teu amor infinito. Sustentai-me com uma minúscula gota de Tua sapiência sublime, para que eu possa narrar minha história a meus irmãos deste insignificante pedacinho de terra, que gira eternamente como multidões infinitas de outros nas estradas luminosas do céu, seguindo a senda determinada por Tua sapientíssima lei divina.
Esta é a história de meu coração, não procureis detalhes sobre minha pessoa social, a qual ficará em segundo plano suplantada por minha alma.
CAPÍTULO 2
A história começa…
Nasci sob o signo do amor, não por escolha minha, mas foi imposto a mim pelo destino.
Desde garoto sempre fui romântico e sonhador, um amigo das estrelas. As estrelas! Elas sempre me fascinaram. Até hoje adoro caminhar solitário na praia à noite, ouvindo o marulhar das ondas sob a miríade de pontos luminosos, os quais cobrem a vastíssima imensidão do céu como uma massa gigantesca de olhos brilhantes de Deus, vigiando das imensidões este inferno baixo e vulgar.
Um dia, estava sentado na areia à noite observando o mar. Eu via as ondas indo e vindo. Afora o barulho das ondas, tudo estava silencioso naquele começo de noite em um belo dia de verão. Inopinadamente, apareceu diante dos olhos de minha alma a imagem de uma mulher extraordinariamente linda. Sua beleza perpassou diante de minha pupila espiritual e inundou minha alma, espantada e muda diante de sua estonteante beleza.
Ah Musa! Jorra sobre mim teus raios sublimes para que eu possa descrever com precisão uma obra prima de Deus, uma criação magnífica e esplendorosa; um momento sublime da beleza eterna que jorra perpetuamente do seio de Deus e se espalha por toda a criação infinita.
Sustentai-me minha musa, dai-me a verve inspirada daqueles teus servos do passado, os quais serviram tua beleza sagrada por toda a vida e maravilharam a todas as gerações futuras. Dai-me uma gota desta verve onde os grandes artistas do passado sorveram tua beleza magnificente. Dai-me musa o cálice luminoso onde eles sorveram tua sapiência.
Amigos da beleza eterna! Homero, Shakespeare, Dante, Milton, Flaubert, Balzac, Goethe e tantos outros, servos fiéis da musa celeste, dividi comigo vossa inspirada verve, para que eu possa expressar fielmente o que os olhos da minha alma, perplexos e encantados, viram naquele dia.
Eu vi um rosto de formas perfeitas até os mínimos detalhes, uma simetria perfeita, onde os traços se harmonizavam excelsamente. Ela sorria para mim. Seu sorriso tinha a ingenuidade maravilhosa das crianças pequenas aliada à sinceridade típica da infância. Ela tinha um ar de ternura maviosa que era capaz de amansar a pior fera. Não se via qualquer sombra de tristeza ou qualquer indício de inferioridade ou baixeza, tão comum a nós, humanos. Parecia um anjo sorridente.
Seus olhos expressavam mudamente um sentimento divino, tal qual a música celeste que as estrelas, mundos e galáxias cantam por todos os Universos e é captada pelos Beethovens e Mozarts do mundo.
A virtude estava estampada em seu rosto. Não uma virtude falseada, falaz e distorcida pela maldade, tão comum neste inferno, mas uma virtude espontânea e alegre, pura, casta, como um sorriso de um bebê lindo dirigido à sua mãe carinhosa.
Nunca vi em minha vida tanta bondade como aquela que vi estampada naquele lindo rosto.
Eu estava sentado na areia, mas tive uma vontade repentina de me ajoelhar ali mesmo, sob a multidão esplendorosa de estrelas sobre mim no silêncio solitário daquela praia.
Fiquei um bom tempo embevecido com minha enlevada visão, meu coração regozijou até as menores fibras, sentia como se anjos tocassem harpas sublimes no seio de Deus e eu ouvisse pelo canal interior de minha alma.
Minha alma! É lá que está meu eu. É lá que fica guardado o sumo espiritual de minhas experiências, o fruto de minha dor, meus erros, meus acertos, na estrada do tempo sob a determinação sapientíssima e poderosa de Deus, cuja misericórdia infinita, devemos não ser aniquilados sob o peso do mal que nos acabrunha.
Bem! Todos tem que carregar o peso da vida. Contrafeito, tive que levantar e voltar para minha lide diária.
Voltei para minha casa. Moro sozinho. Depois de um banho e executar algumas pequenas tarefas, dormi.
CAPÍTULO 3
No dia seguinte voltei à minha rotina de trabalho, mas aquela imagem permaneceu em meu pensamento todos os dias.
Por mais que eu lutasse para eliminá-la do pensamento, ela voltava sempre. Depois de várias semanas percebi a inutilidade de tal tentativa e simplesmente deixei a preciosa imagem “plantada” em minha retina mental.
Coisa alguma ocorre por acaso. Tudo acontece por algum motivo. A ciência, a experiência e o bom senso comprovam isto.
O que era aquilo? Quais causas sutis produziram este fenômeno? Por que? O tempo haveria de responder a todas estas perguntas.
A linda mulher permanecia cada vez mais firme em meu pensamento dia a dia.
Isto começou a me incomodar, pois percebi o surgimento sorrateiro de um sentimento novo, o qual invadiu sorrateiramente meu coração e fincou a estaca da paixão sem piedade.
Ai de mim! Quando dei por mim meu coração já estava tomado, derreado e invadido por ele: o amor, o mais inexorável tirano do mundo.
Não se escolhe o amor. É sempre ele quem escolhe seus prediletos, para ofertar o banquete celestial da felicidade ou a morte em vida.
Por que fui escolhido? Deus sabe.
Assim eu passava meus dias solitários como sempre, divididos entre meu trabalho, algumas viagens às cidades vizinhas àquela a qual moro no litoral do Brasil e muitas horas diante da tela de meu computador.
Fiz algumas “amizades virtuais”com às quais eu conversava muitas vezes.
Um dia, deparei com a seguinte mensagem no servidor que eu uso para conversas online:
“Para ti guardei o tesouro de meu amor.”
A primeira ideia que me veio à mente era que algum engraçadinho ou engraçadinha estava a zombar de mim, como é tão corrente acontecer na internet.
Ignorei a mensagem.
Oito dias depois apareceu esta mensagem:
“Ofereço a ti a rosa de meu amor colhida na eternidade de Deus somente para ti.”
Ignorei esta também como a anterior. Assim, recebi várias outras neste estilo poético amoroso durante quase um ano.
Eu já me habituara a receber estas mensagens e me perguntava por que alguém despendia tanto tempo em algo tão fútil. Mas, o destino guardava uma surpresa estupenda para mim, a qual revelaria a versão original da vida, totalmente diferente daquela que eu imaginava.
Tal qual acontece a toda a humanidade, eu me comprazia em meu casulo ideológico, totalmente distante da sapiência infinita da vida.
Meu sentimento crescia dia a dia, alimentado pela beleza marcante daquele rosto tão lindo.
Uma voz maviosa começou a sussurrar junto aos ouvidos de minha alma que aquilo não se tratava de uma chacota. Mas eu não atinava o que poderia ser.
Quem sabe quantos agentes e forças desconhecidas atuam em nós nas profundezas desconhecidas de nossa alma?
Pessoa alguma, por mais infantil e leviana que seja, não enviaria mensagens durante um ano a alguém. Isto martelou em meu pensamento durante um bom tempo até o dia em que eu estava conversando com um amigo em um domingo.
Ao perceber a preocupação estampada em meu rosto, fui abordado por meu amigo sobre o motivo.
Expliquei muito por cima, disfarçando ao máximo, ciente que eu estava da impropriedade de uma abordagem clara e direta.
Tudo o que ele conseguiu saber era que eu estava apaixonado por uma linda mulher distante.
Ao tentar descobrir detalhes, ele perguntou naquele tom amistoso e jocoso, comum entre amigos:
“Ora! Ela é de outro planeta?”
Foi como se um raio caísse no chão da sala em que conversávamos naquele momento! Um clarão repentino fez-se em minha alma. Fiquei pasmo! Uma suspeita, uma ideia insólita penetrou até o âmago de meu espírito e implantou-se dentro de mim.
“Ora! Ela é de outro planeta?” Esta frase dita em um tom jocoso foi a luz que eu precisava para iluminar as trevas em que eu debatia-me em vão.
Lembrei de um artigo que li na internet, o qual informava sobre o trabalho de uma equipe universitária que havia criado um transmissor capacitado para enviar ondas de rádio para outros planetas.
CAPÍTULO 4
Aqui começa o capítulo, na realidade o capítulo inicial desta história, a história de dois corações que batiam um pelo outro afastados por imposição do destino, mas aproximados por ação deste mesmo destino. Ah! Sagrado mistério das coisas transcendentes!
Eu resolvi entrar na brincadeira para ver onde daria. Assim, passei a responder as mensagens que eu recebia.
Todas as que recebi tinham um tom de sinceridade que muito me impressionou. Não foram poucas as vezes que me encantou a expressão poética, o tom terno e apaixonado das mensagens, como a expansão espontânea de um amoroso coração apaixonado. Isto colaborou muito para convencer minha razão, aboletada no quarto escuro e estreito de seus argumentos.
Eis uma das mensagens, às quais tanto me encantaram, mas eu imaginava um logro de alguma mistificadora, ou mistificador, querendo embair-me:
“Derramo minha paixão sobre a clareira de teu coração como o sol ilumina a floresta.”
Assim, minha razão foi submetida e o sentimento floresceu dentro de mim na luta silenciosa que decorria em meu íntimo. Pobre razão! A validade de teus argumentos vão por terra quando em conflito com o amor.
Este anjo poderoso e invencível não suporta qualquer tipo de sujeição. É o mais imperioso dos deuses. Ele é capaz de derrubar as montanhas mais altas, atravessa os mais profundos abismos, vence os mais renhidos inimigos, dobra os mais empedernidos corações, põe de joelhos o mais orgulhoso coração humano. Os oceanos não o detém, ele supera todas as barreiras, profliga todos os obstáculos. Ele viaja pelo espaço celeste, caminha entre as estrelas, palmilha por todas as constelações até o infinito.
Quem ama a poesia, a beleza subjacente em todas as coisas, a pureza infantil, as emoções sutis da alma, é amigo predileto do amor. Um coração assim vibra uníssono com o Universo eterno de Deus.
Eu fui vencido por este deus maravilhoso. Ele é minha paixão suprema. Meu coração abriu-se para ele e cantou o hino magnífico que retumba por todas as constelações até os confins do Universo.
Foi assim que mudei minha atitude. De uma reserva prudente e jocosa, passei paulatinamente à uma aceitação desconfiada, mas persistente, até que o tempo, a meditação constante e a luz de Deus venceram-me.
Meus dias mudaram completamente desde que ela entrou em minha vida. Ela invadiu minha solidão, encheu meu coração vazio e frio com o calor esfuziante da paixão. Sua beleza marcou fundo em minha alma. Seu sorriso lindo abriu para mim as portas sublimes, por onde todas as fadas do céu trazem cestos de rosas coloridas para enfeitar o leito das crianças cegas.
Dia a dia nosso contato transformou-se em uma correspondência regular via meu servidor da internet.
Assim que chegava em casa todos os dias, eu imediatamente ligava o computador e meu coração regozijava ao deparar com mais uma mensagem daquela que o tempo haveria de revelar como a companheira eterna de meu coração.
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