Luz.

Luz.

sábado, 21 de dezembro de 2013

A velhice e o espírito.

Não há fenômeno tão marcante no momento à existência e importância do espírito como o alto número de casos de suicídios entre idosos.
Por trás de todas as causas motivadoras deste evento desolador está a causa primária oculta, não percebida. Trata-se de forças ocultas da natureza relacionadas a fenômenos profundos.
As causas visíveis e próximas: depressão, sentimento de inutilidade, doenças e outras são causas secundárias.
A pessoa descuidou-se do espírito durante toda sua vida. Ela preocupou-se apenas em satisfazer o corpo, a matéria e suas vaidades vazias, sem notar o tempo que passa e transforma tudo em cinzas. Ela agarrou bolhas de sabão a vida inteira.
O que sempre motivou a ação das pessoas foi o instinto que domina e não a razão que esclarece. Esta força cega é a mesma que motiva o movimento dos animais, faz as plantas vicejar, cria a tempestade que assola, faz as criaturas acasalar. Com a chegada da velhice elas não podem satisfazer ao instinto que faz tudo se movimentar, isto amarga-lhes a existência.
Outro fator preponderante é a vaidade e orgulho. Podemos dizer que a maioria dos suicídios foram cometidos em nome da vaidade e o orgulho ferido. Esta é a principal motivação por trás de todas as outras.
A pessoa não percebe, mas o que motivou sua ação a vida inteira foi a vaidade e orgulho. Quase todos seus interesses sociais foram motivados pela vaidade disfarçada em variados motivos.
Ao chegar a velhice a pessoa sente-se ferida por não poder satisfazer seu ego tão idolatrado em outros tempos, isto a magoa terrivelmente, tão forte é a força do orgulho e vaidade humana.
Na velhice vem à tona o vazio interior, o qual não era percebido porque a pessoa estava sempre ocupada anteriormente. Ela fingia ver, mas nunca encarou frente a frente este vazio interior. A velhice força as pessoas a encará-lo – queira ou não – isto assombra, pois só agora elas percebem, tardiamente, que estavam a agarrar bolhas de sabão... Suas ambições, objetivos, tudo o que a motivava esvaiu-se como fumaça espalhada pelo vento...


Muito diferente é o caso de quem soube valorizar o espírito, o conhecimento, os bens da alma; o verdadeiro tesouro imperecível. Este escolheu o melhor. A velhice é antes a libertação de pesados e aborrecidos laços que impediam sua alma de voar para altos espaços. Um preparo para um novo mundo melhor...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Uma criança dorme...

É fim de ano, novamente o carro do destino trouxe tudo outra vez em seu giro eternal.
O eterno ciclo dos dias começa outra vez para terminar em dezembro e iniciar novamente seu eterno fado.
As feiticeiras aparecem em bandos na virada do ano, suas faces macilentas e feias esboçam um cínico sorriso jubilando-se com a maldade humana.
Satã e seus comparsas juntam-se a elas. Formam uma única massa escura e sombria...
Nuvens escuras sobrepõem-se sobre a massa negra de rostos perversos, duros e frios.
A Terra fica mais poluída. A massa lodosa espalha seu veneno pestilencial...
Do lado de cá, multidões de multidões vegetam em sua triste alegria animal.
O canto das trevas retumba seus acordes deletérios alimentando a fome perversa contida no fundo dos corações dos homens.
Demônios escravizam homens! Homens escravizam demônios! É o amargo destino das coisas.
Em algum canto da Terra uma criança dorme cercada por margaridas e violetas. Um cachorrinho brinca ao seu lado. Um gato estica-se preguiçosamente...
A brisa afaga as violetas e margaridas para depois continuar seu caminho.
O astro rei beija o rosto infantil com seus raios amarelos, espargindo brilhos dourados.
Ninguém pode perturbar seu sono benfazejo. Uma multidão de anjos vem e vão cercando sua cabecinha.
Quem vai sondar seu sonho? Quem vai desvelar o tesouro de sua alma?
Seu coração pequenino guarda o tesouro que jamais será banido do universo.
Deus vela seu sono, por isto, satã e as feiticeiras se calam, impotentes.
O sublime cordeiro de Deus também vela, Ele acaricia seu cabelo...
Suas mãos espargem chuva de raios brilhantes enquanto Ele acaricia a criança.

Os raios que choviam queimaram as densas camadas de nuvens que cobriam a multidão de demônios e feiticeiras: gritos, algazarra e fugas velozes...

A criança dorme cercada por margaridas e violetas...