Amo a vida. Amo esta potência soberana e complexa,
criadora perene. A vida cria a todo o momento: formas, forças, criaturas,
fatos; ela faz e desfaz, tem domínio absoluto em todas as coisas existentes. A
vida tem tirado o sono de muitos pensadores, intrigado as mentes mais
perspicazes, muito se tem aventado sobre a vida, mas sua complexidade sempre
escapa ilesa das armadilhas falazes ocasionadas pela estreiteza de visão da
bitolada mente humana.
Ela sempre faz revelações a quem sabe compreender sua
linguagem. Esta linguagem é bem diferente daquela falada pelos homens, para
entendê-la deve-se ser amigo das estrelas, companheiro da lua, amar o sorriso
das crianças, o desabrochar das rosas, a carícia dos ventos, a beleza das ondas
em uma praia solitária...
As coisas falam, mas nossos ouvidos não podem ouvir, eles
estão bloqueados pelo barulho do cotidiano ou desgastados pela modorra
cansada...
É por isto que a vida prefere as crianças, elas tem a
alma virgem e os ouvidos puros.
Pobres de nós que não sabemos refrescar nosso olhar
cansado.
Pobres de nós que não sabemos sair da prisão dos dias...
Infelizes somos nós a morrer um pouco todos os dias.
Quem vai nos libertar dos eternos trilhos aos quais está
presa nossa alma como uma locomotiva enferrujada?
É por isto que a vida prefere as crianças. Elas tem o
olhar sempre viçoso. A vida ama quem tem a alma viçosa.
Feliz quem não
matou sua alma criança na luta áspera e fria.
A vida ama quem tem a alma viçosa...
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