Luz.

Luz.

sábado, 28 de setembro de 2013

Texto do livro histórias e anotações; de irmão x. Psicografia: Chico Xavier

X

Vinte Anos

Irmão X

Realmente, meu amigo, em dezembro de 1934, abandonei o corpo apressadamente, à maneira do inquilino despejado de casa, por força de sentença inapelável que, em meu caso, era o decreto da morte.
E você pergunta por minhas impressões da Vida Espiritual por todo esse tempo que, à frente da Eternidade, não tem qualquer significação.
Sinceramente, não tenho muito a dizer.
O homem que se desencarna sem as asas do gênio sublimado na fé e na virtude assemelha-se, de algum modo, ao navegador do século XVI que, descobrindo terras novas, plantava o domicílio no litoral, incapaz de romper os laços com a retaguarda, de modo a seguir gradativamente, na direção da floresta.
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Novidades por novidades tenho visto inúmeras.
Assim como o selvagem dos trópicos pode ser transportado até as vizinhanças do pólo, a fim de extasiar-se com o glorioso espetáculo da aurora boreal, sem compreender-lhe o jogo de luz, assim também tenho contemplado paisagens maravilhosas de outros mundos, sem, contudo, entender-lhes a magnificência.
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Terminado o estímulo da excursão educativa, eis-me de volta ao solo áspero de minhas próprias experiências, no qual devo cultivar os valores do porvir.
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Você será naturalmente induzido a indagar quanto ao pretérito. Atravessando a criatura múltiplas existências, de outras vezes terei igualmente regressado ao campo espiritual e, por isso, não posso estar pisando um terreno desconhecido...
Ainda assim, não suponha que algumas peregrinações na carne possam valer grande cousa, quando nosso esforço na própria elevação não seja indiscutivelmente muito grande.
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Viajamos no oceano das forças físicas, tornando a velhos continentes da recapitulação por alguns lustros apenas e regressamos ao litoral, a fim de prosseguir na construção das bases de progresso e segurança que nos habilitarão, um dia, aos altos cimos.
Por enquanto, é preciso vencer obstáculos e sombras, dificuldades e inibições no país de mim mesmo, para caminhar da animalidade que me caracteriza a Humanidade real de que ainda me vejo distante. E, nesse trabalho, não há muito gosto de alinhar notificações e surpresas, porque, tanto aí quanto aqui, não é fácil modificar a química do pensamento, com vistas à própria renovação.
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Desnecessário comentar nossas organizações e deveres.
Toda uma literatura copiosa e brilhante, nos mais diversos centros do mundo, revelam hoje os processos evolutivos da Terra Melhorada, onde presentemente me encontro, sem o pesado escafandro das células enfermiças e, por essa razão, você deve saber que vivem errantes aqui somente os que aí pervagavam, entre a ociosidade e a indisciplina, que apenas se precipitam nas trevas infernais os que, no mundo, já haviam organizado um inferno na própria cabeça e que os heróis passam por nós, de relance, com destino às Alturas em que se colocaram.
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Quanto a nós, pecadores penitentes e almas de boa vontade, estamos marchando, passo a passo, na superação de nós mesmos, entre o céu que sonhamos e o inferno que nos cabe evitar.
Ainda assim, o comboio da morte, todos os dias, derrama viajores em nossa estação. Não raro, por isso, observo antigos companheiros do mundo chegando aqui sob as farpas do sofrimento, mastigando resíduos de extremas desilusões. São amigos que choram o ouro largado no chão, que suspiram pelo poder ou pela evidência social de que o sepulcro os despoja, que deploram o tempo perdido em atividades inúteis ou que enlouquecem, tentando debalde reaver o corpo bem cuidado que o túmulo apodreceu...
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Não julgue que a recuperação seja obra de improviso.
Resignação, coragem, compreensão, paciência e valor moral não constituem artigos adquiríveis no estoque alheio. Representam qualidades que todos somos constrangidos a edificar no mundo que nos é próprio, ao preço de nossa renunciação e de nossas lágrimas.
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A única nota diferente que possuo em meu círculo individual é a que se refere à minha adesão intelectual ao Evangelho, sob a luz do Espiritismo. Digo “intelectual” porque ainda estou trabalhando o coração, como o lapidário burila a pedra, a fim de ofertá-lo efetivamente ao Senhor.
E não diga que a minha conversão surge tarde demais, porque assim como o esforço de vocês no bem é valioso investimento de recursos para a existência daqui, a nossa tarefa nessa direção capitaliza em nosso favor preciosas oportunidades para o estágio que aí nos compete de futuro, de vez que, em tempo oportuno, estarei de novo entre os homens, tanto quanto você estará igualmente entre os espíritos desencarnados.
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Como reparamos, vinte nos de vida espiritual são poucos dias para a restauração e para o reajuste, porque a dor e a experimentação, a prova e a luta ainda permanecem conosco, à feição de instrutoras, que não podemos menosprezar.
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Não se aflija nem desconsole, porém,. Diante de minha confidência fraternal.
Trabalhe e estude, ame e instrua-se, fazendo o melhor que puder no mundo e, se você retém qualquer dúvida em torno de minhas afirmativas, em breve, você mesmo estará aqui, depois de escalar pela casa da morte, a fim de melhor sentir a vida com o próprio coração e apreciar a realidade com os próprios olhos.

 (página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier,
em reunião do mês de dezembro de 1954)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Texto da obra "Relatos da vida," de Irmão x. Psicografia: Chico Xavier.

A Maravilha de Sempre

O mundo antigo, na opinião de eméritos escritores, conheceu sete maravilhas, nascidas de mãos humanas:
O túmulo de Mausolo, em Halicarnasso; a pirâmide de Quéops; o farol de Alexandria; o colosso de Rodes; os jardins suspensos de Semíramis, em Babilônia; a estátua de Zeus, em Olímpia, e o templo de Diana, em Éfeso.
Mas o soberbo sepulcro que Artemísia II mandou erigir à memória do esposo ficou entregue à poeira, ao esquecimento e à destruição. A pirâmide do grande faraó é um monstro glorioso e frio no deserto. O orgulhoso farol de quatrocentos pés de altura eclipsou-se nas brumas do passado. O colosso de Rodes, todo de bronze, foi arrasado por tremores de terra e vendido aos pedaços a famoso usurário. Os magníficos jardins da rainha assíria confundiram-se com o pó. A estátua imponente de Olímpia jaz entre as ruínas que marginam as águas de Alfeu. E o templo suntuoso, consagrado a Diana, em Éfeso, foi incendiado e destruído.
O mundo de hoje possui também as suas maravilhas modernas:
Os arranha-céus de Nova Iorque; a torre Eifel de Paris; a catedral de Milão; o museu do Louvre; o palácio de Versalhes; a construção de Veneza e o canal de Suez, além de outras como o telégrafo, o transatlântico, o avião, o anestésico, o rádio, a televisão e a energia atômica...
Existe, no entanto, certa maravilha de sempre que, acessível a todos, é o tesouro mais vasto de todos os povos da Terra.
Por ela, comungam entre si as civilizações de todos os tempos, no que possuem de mais valioso e mais belo. Exuma os ensinamentos dos séculos mortos e permite-nos ouvir ainda as palavras dos pensadores egípcios e hindus à distância de milênios... Faz chegar até nós a idéia viva de Sócrates, os conceitos de Platão, os versos de Vergílio, a filosofia de Sêneca, os poemas de Dante, as elucubrações de Tomás de Aquino, a obra de Shakespeare e as conclusões de Newton...
Alavanca da prosperidade, é o braço mágico do trabalho. Lâmpada que nunca se apaga, é o altar invisível da educação.
Através dela, os sábios de ontem e de hoje falam às gerações renascentes, instruindo e consolando com a chama intangível da experiência...
E é ainda por ela que, no ponto mais alto da Humanidade, comunica-se Jesus com a vida terrestre, exortando o coração humano.
- Procurai o Reino de Deus e sua justiça... Perdoai setenta vezes sete... Ajudai aos inimigos.
Orai pelos que vos perseguem e caluniam... Brilhe a vossa luz... Amai-vos uns aos outros como eu vos amei...
Essa maravilha de sempre é o LIVRO.

Sem ela, ainda que haja Sol no Céu para a Terra, a noite do espírito invadiria o mundo, obscurecendo o pensamento e matando o progresso.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Uma rosa do jardim de Deus.

O que seria de nossa vida sem a esperança?
Esta é uma das mais formosas rosas do jardim de Deus. Ela é a tábua de salvação para todos nós, náufragos nos mares do mundo.
A esperança é irmã dileta da fé. Ela é um anjo oculto a sustentar o coração humano no tempestuoso oceano da vida. Sem o bafejo deste anjo benfeitor a impulsionar as velas de nossa alma, o barco de nossa existência naufragaria na voragem devoradora do destino.
Este anjo oculto afasta-se dos felizes.
Ele é um grande amigo dos corações sofredores, dos abatidos, frustrados; daqueles corações cansados e tristes. É a estes corações que este anjo oculto acolhe.
O destino pode arrancar tudo de alguém, a dor pode devastar uma vida como um furacão, mas é impossível arrancar da alma a rosa da esperança. Esta rosa é uma flor que nunca murcha alimentada por Deus.  É por isto que ela sempre mantém-se viva, aconteça o que acontecer!
É esta rosa que faz um criminoso arrependido desejar uma vida melhor ao olhar através das grades de sua cela.
É ela que poupa do desespero a criança órfã, abruptamente separada do carinho dos pais.
É ela quem consola quem assistiu com o coração aniquilado a partida de alguém sob o chamado de Deus.
Ela é a mãe carinhosa que reanima os corações dilacerados no fogo da dor.
Quantas lágrimas esta rosa oculta estancou!
Quantos corações desesperados e solitários ela consolou!
Muitas vezes a esperança é tudo o que  ficou...
Os mortais não sobreviveriam sem o bafejo da esperança.
Esta rosa sublime está espalhada em todas as coisas do universo. As estrelas, as galáxias sem fim, a natureza inteira, todas as criaturas guardam em si este tesouro oculto.

A criação inteira presta um tributo a esta flor das virtudes divinas, a marca impagável do amor de Deus.

sábado, 7 de setembro de 2013

A nova mentalidade de amanhã.

A nova mentalidade humana da civilização futura terá outra visão das coisas, totalmente diferente da atual e iníqua percepção hodierna.
 A maioria de hoje tem a alma aferrada a seus demônios, isto faz que tenham uma visão das coisas distorcida. Mas, por mais ferrenha que seja a ação das forças do mal elas terão que ceder à pressão das forças do bem sempre mais poderosas.
A civilização do futuro não será maculada pela inconsciência humana como acontece hoje. Não haverá crimes, violência, torpezas, depravações a envenenar consciências.
O ser humano será valorizado e não explorado por seu próximo, como acontece hoje.
Haverá mais respeito a todas as criaturas do mundo, não mais haverá na terra o crime de vender criaturas vivas. Não haverá animais, pássaros e outras criaturas presas em gaiolas ou jaulas.
É um crime contra a lei de Deus prender criaturas em recintos restritos, comercializar criaturas vivas como objetos, isto é uma afronta à justiça de Deus a qual é rigorosamente punida pela infalível justiça divina.
A perversidade e inconsciência humana podem alegar o que quiserem em sua visão cega e torpe, mas jamais modificarão a justiça de Deus. Todos que participam deste crime terão que responder à lei de Deus, a qual punirá cada um.
Quem prende, comercializa e maltrata criaturas vivas criadas por Deus para ser livres acarreta medonhas dores em seu destino.

A vida sempre devolve a cada um o que plantou no tempo. Nada fica impune. A ignorância perversa pode pensar o que quiser, mas terá que colher o que plantou.