É fim de ano, novamente o carro do destino trouxe tudo
outra vez em seu giro eternal.
O eterno ciclo dos dias começa outra vez para terminar em
dezembro e iniciar novamente seu eterno fado.
As feiticeiras aparecem em bandos na virada do ano, suas
faces macilentas e feias esboçam um cínico sorriso jubilando-se com a maldade
humana.
Satã e seus comparsas juntam-se a elas. Formam uma única
massa escura e sombria...
Nuvens escuras sobrepõem-se sobre a massa negra de rostos
perversos, duros e frios.
A Terra fica mais poluída. A massa lodosa espalha seu
veneno pestilencial...
Do lado de cá, multidões de multidões vegetam em sua
triste alegria animal.
O canto das trevas retumba seus acordes deletérios
alimentando a fome perversa contida no fundo dos corações dos homens.
Demônios escravizam homens! Homens escravizam demônios! É
o amargo destino das coisas.
Em algum canto da Terra uma criança dorme cercada por
margaridas e violetas. Um cachorrinho brinca ao seu lado. Um gato estica-se
preguiçosamente...
A brisa afaga as violetas e margaridas para depois
continuar seu caminho.
O astro rei beija o rosto infantil com seus raios
amarelos, espargindo brilhos dourados.
Ninguém pode perturbar seu sono benfazejo. Uma multidão
de anjos vem e vão cercando sua cabecinha.
Quem vai sondar seu sonho? Quem vai desvelar o tesouro de
sua alma?
Seu coração pequenino guarda o tesouro que jamais será
banido do universo.
Deus vela seu sono, por isto, satã e as feiticeiras se
calam, impotentes.
O sublime cordeiro de Deus também vela, Ele acaricia seu cabelo...
Suas mãos espargem chuva de raios brilhantes enquanto Ele
acaricia a criança.
Os raios que choviam queimaram as densas camadas de nuvens que cobriam a multidão de demônios e feiticeiras: gritos, algazarra e fugas
velozes...
A criança dorme cercada por margaridas e violetas...
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