Sou um grande amigo da solidão. Imitando o genial Thoreau, também acho que não existe melhor companhia do que a solidão.
Se estou só, minha alma sente-se livre e satisfeita. A harmonia, a paz, o silêncio são elementos essenciais para que desabroche a beleza perene que subjaz a tudo. Para mim basta aparecer uma pessoa para “quebrar” minha harmonia interior.
Não suporto multidão. A multidão causa-me um grande mal estar.
“O nosso grande mal é nunca podermos estar só.” Disse alguém, e tinha razão. A falta de contato com a luz interior que todos tem dentro de si afasta a maioria da fonte divina que jaz no fundo de todos nós, camuflada pela avalanche de coisas fúteis e banais, impostas a ferro e fogo pela massa ignorante de todos os tempos, as quais atulham a porta de nosso coração e não deixam a luz passar.
A massa ignorante é uma fera ciosa e invejosa que ama sua ignorância estúpida e não tolera que a libertem de seu lodaçal crasso. Ela se volta carrancuda e feroz a quem quiser libertar seus escravos cegos e hipnotizados pelas coisas exteriores, às quais a fera é apaixonada. Ela ama as trevas e quer impor seu amor a todos.
Dia a dia a alma das pessoas fica cada vez atulhada de coisas inúteis e alienantes, produtos e refugos universais de nossa civilização fria, perversa e sem alma.
O mundo não suporta a solidão, por isto inventa mil coisas fúteis para afastar quem ousar enveredar por este caminho. A massa ignorante e estúpida odeia a solidão.
Mas quem vai ligar para o que pensa a massa?
O gênio, os santos, nunca ligaram. Todos eles amavam a solidão.
Só mesmo com o cabelo todo branco, a pele cheia de rugas, a expressão cansada, triste, amargurada por doenças e mil incômodos, às portas da morte, a alma das massas vai deixar cair uma lágrima de arrependimento por descobrir tão tardiamente a fonte de luz maravilhosa que sempre carregaram dentro de si a vida inteira, mas não enxergaram isto, cegos que estavam fascinados pelo turbilhão vazio das mil coisas exteriores, ocas, fúteis e tortas, filhos espúrios, falsos e maldosos de nossa demoníaca civilização universal.