Thomas Mann é o último representante de uma rara e pouco numerosa série de escritores de primeira categoria. A partir de sua morte o nível mundial da literatura, que já vinha caindo desde a virada do século 19 para o 20, despencou totalmente nos dias atuais. Por certo, sempre haverá aqui e ali algum grande escritor genuíno, daqueles que não se sujeitam a prostituir seu talento em troca de vantagens passageiras; daqueles que tem um sincero e apaixonado amor à arte. É graças a pessoas assim que a chama do ideal não extingue-se totalmente nas trevas da ignorância humana. Esses raros artistas legítimos sabem da importância de escrever com correção e elegância, não importando-se com a atual ignorância da maioria, muitas vezes completamente despreocupada com cânones literários. Nos dias atuais a onda bárbara de vulgaridade invadiu tudo, não ficando a literatura isenta de sua influência desastrosa.
O grande mal disso é que as gerações atuais estão tornando-se cada vez mais estúpidas. Basta observar o comportamento dos adolescentes para notar as infelizes consequências desta onda de vulgaridade.
Os escritores tem uma missão muito importante com resultados e consequências muito além do que imaginam. O ato de escrever, seja o que for, é de uma responsabilidade que poucos compreendem em toda sua extensão. Ao escrever, transmite-se determinada mensagem com determinado conteúdo ao leitor. Essa mensagem e conteúdo fixam-se no subconsciente e motivam, mesmo inconscientemente, o comportamento do leitor a agir de acordo com a mensagem e conteúdo recebido na leitura. Um livro, um texto escrito via internet, vão influenciar de forma permanente milhões de mentes durante um período, dependendo da qualidade da obra, imprevisível.
Estudando a história observamos a influência permanente dos escritores. No caso específico do ocidente, basta observar o caso da Grécia antiga até os dias de hoje. Quem será capaz de superar Sófocles, Homero. Ésquilo e outros? São esses escritores que influenciam outros escritores a escrever e lançar ideias que transformam o mundo sempre.
Voltando a Thomas Mann, ele tem atributos admiráveis: um raro talento para escrever com prolixidade, mas sem entendiar ou cansar o leitor. Como bom alemão, muito diferente dos franceses, sua prosa é longa, mas tem uma beleza, um encanto que cativam o leitor ao máximo. É daquelas obras inesquecíveis, que lamenta-se parar de ler.