Luz.

Luz.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O útil e o inútil.

O inútil é que é útil.
O útil não serve para muita coisa.
O útil critica o inútil, mas ele não
sabe o que diz. O útil nada entende.
O útil detesta o inútil, mas ele nada entende.
O inútil ri da correria vã do útil.
O útil odeia a serenidade do inútil,
ele prefere morrer  esmagado  ao
peso de sua correria insana e  inútil.
O útil pensa que sabe alguma coisa,
mas ele nada entende, pobre útil!
O útil venera a multidão louca,
o inútil é apaixonado por sua  solidão.
O útil  quer comprar o mundo para
erguer um pedestal à deusa vaidade,
o qual ruirá sob o guante do tempo
que transforma tudo em poeira.
O inútil quer amar e sonhar com
as estrelas que pairam acima de
nosso miserável mundo infame.
O útil está amarrado ao chão
que macula  e degrada nossa alma.
O inútil está ligado ao céu, que
jorra sua luz cintilante até os
confins do universo infinito.
O útil corre, o inútil pensa.
A corrida fortalece o corpo,
O pensamento edifica mundos.
O útil rasteja nas estradas ilusórias
do tempo que passa e leva tudo.
O inútil voa para as constelações,
a caminho da eternidade de Deus.