O imponderável, como o próprio nome indica -sem peso- é uma das maiores contradições existenciais.
O imponderável pesa como uma carga de toneladas na vida humana.
As pessoas têm o infeliz hábito de desconsiderar o imponderável em suas vidas e pagam um alto preço por isto.
Vivemos em um mundo concreto, mas governado pelo imponderável até os mínimos detalhes.
A razão e a ciência são incompletas em suas averiguações pretensiosamente rigorosas. Isto ilude demasiadamente seus seguidores. Como disse alguém, a razão é uma boa serva, mas é uma má senhora.
O universo é uma construção biológica-física, mas só um cego não percebe o imponderável poderoso por trás de todos os fenômenos da criação.
Quem não percebe o quanto pesa em sua vida o imponderável? Quem não sente na própria pele a força invencível do imponderável? O qual inexoravelmente sobrepõe-se sobre nossa vontade, por mais prudentes que sejamos. A vida muitas vezes altera nosso destino de forma imprevista e aniquila em um minuto nossos mais inteligentes e previdentes planos.
O imponderável é muitas vezes chamado de destino. Desde a mais alta antiguidade aqueles que pensam compreenderam que existe uma inteligência poderosa no governo das coisas. Tanto os povos primitivos quanto os maiores pensadores da humanidade perceberam a existência de uma entidade invisível e poderosa, a qual rege tudo o que existe com sua sapiência.
Há um outro aspecto do imponderável, o qual abre um leque muito amplo de possibilidades. Falamos do imponderável que todos têm dentro de si: a alma.
A alma é imponderável, mas pesa terrivelmente. Ela é invisível, mas é capaz de ferir até as profundezas, como a mais concreta arma. A balança não detecta sua massa, mas seu peso pode afundar o mais forte dos mortais em um minuto. Ai de quem pensar que pode resistir à sua força invencível! Terá que arrastar-se por toda a vida sob o peso de seu guante até morrer sedento e faminto de calor, beleza e amor.
Pois o imponderável é amor e beleza antes de qualquer coisa. Amor e Beleza formam um portal por onde todas as coisas passarão um dia na estrada dolorosa e solitária, no caminho longo e vastíssimo do destino, criado pelo imponderável, a qual todas as criaturas terão que palmilhar passo a passo até a volta definitiva ao seio de Deus, início e fim de tudo.