O que vai despertar o espírito da humanidade em seu
pesado sono milenar?
O que vai sacudir o jugo das coisas banais e vazias que
adormentam e envenenam multidões gigantescas todos os dias?
O que vai quebrar as correntes que aprisionam o coração e
acabrunham nossa esperança?
Qual estrela pairando majestosa sobre nossa cabeça vai
iluminar a escuridão vazia que atormenta dentro de nós?
Quem vai retardar a hora suprema que chega sorrateira e
lançará nossas ilusões no bojo fatal da morte?
Quem vai suportar o peso imponderável que carrega dentro
de si?
Quem vai ouvir o clamor de nossa agonia cotidiana que
queima dentro de nós dia a dia?
Para onde vai o grito de nossa angústia, o qual sufocamos
para dentro de nós coberto de banalidades e ilusões vazias?
Quem poderá fugir da hora certeira que pesa em seu
destino e afundará sua ilusão dentro de si?
Quem vai soltar o sonho que fenece dentro de si e lança-lo
às estradas luminosas do universo infinito?
Quem vai suportar o peso de sua luz divina, oprimida no
fundo de sua alma por sua miséria perversa?
Quem vai enxugar nossas lágrimas vertidas por nossa mágoa
secreta, que pesa dentro de nós como uma rocha gigante?
Qual vento provindo do espaço coberto de constelações
gigantescas apagará este fogo que arde dentro de nós?
Quem poderá resistir ao convite de sua alma que lampeja
veemente dentro de si?
Quem vai ressuscitar sua alma dentro de si, morta e
enterrada sob o chão das coisas podres?
Quem devolverá para nós aquela paz perdida na multidão venenosa
das mil coisas de todos os instantes?
Qual anjo se apiedará do peso inútil e doloroso que
carregamos dentro de nós?
Quem vai suportar o peso de sua alma sem afundar nos
abismos eternos, onde paira a loucura e a dor para sempre?