Luz.

Luz.

terça-feira, 5 de março de 2013

Uma releitura.


Acabei de reler “Meditações” de Marco Aurélio. Uma das obras mais sábias  que li em minha vida. A obra denota cultura, superioridade moral, amor à filosofia e valorização do espírito. Porém, é um livro triste. Ao findar a leitura fica-se com um ressaibo na alma, um sentimento de amargura invade o coração.
É um fato que as almas verdadeiramente sábias são tristes. Não é difícil compreender isto. Estas almas são perspicazes, enxergam a verdade sem o véu da ignorância e ilusão que obscurece a visão da maioria. Percebem claramente a baixeza humana por trás das motivações de qualquer ação humana. São moral e intelectualmente superiores à maioria, feitos com um material melhor. Assim era Marco Aurélio.
Marco Aurélio foi imperador de Roma no século dois depois de Cristo. Outros em seu lugar facilmente resvalariam – como prova a história - no lodo das vaidades e ambições mundanas. Perdoemos sua perseguição aos cristãos, assim como perdoamos a Paulo de Tarso antes da conversão cristã.
Marco Aurélio era estoico. Poucas vezes uma pessoa simpatizou tão bem a uma filosofia, como ele ao estoicismo.
O estoicismo é uma filosofia séria e corajosa, mas fria, resvala facilmente à insensibilidade. Seus preceitos são racionais e superiores, porém falta calor, emoção. A humanidade jamais sentirá totalmente satisfeita com qualquer filosofia à qual falta as virtudes do coração, por mais sábia que seja.
 Há dentro de nós um coração pulsante e quente. Um coração que ama, sofre e sente. Este coração precisa ser alimentado pelo sentimento, caso contrário morrerá faminto aos pés da fria razão.
Portanto, saudemos a alegria, ainda que sofrida, ainda que na forma de esperança.
Se hoje tudo desaba em nossa vida, se a dor aflige, vamos cultivar a fé que remove montanhas, pois a fé é a companheira dileta da esperança.

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