Acabei de reler “Meditações”
de Marco Aurélio. Uma das obras mais sábias que li em minha vida. A obra denota cultura,
superioridade moral, amor à filosofia e valorização do espírito. Porém, é um
livro triste. Ao findar a leitura fica-se com um ressaibo na alma, um
sentimento de amargura invade o coração.
É um fato que as almas
verdadeiramente sábias são tristes. Não é difícil compreender isto. Estas almas
são perspicazes, enxergam a verdade sem o véu da ignorância e ilusão que
obscurece a visão da maioria. Percebem claramente a baixeza humana por trás das
motivações de qualquer ação humana. São moral e intelectualmente superiores à
maioria, feitos com um material melhor. Assim era Marco Aurélio.
Marco Aurélio foi imperador de
Roma no século dois depois de Cristo. Outros em seu lugar facilmente resvalariam
– como prova a história - no lodo das vaidades e ambições mundanas. Perdoemos
sua perseguição aos cristãos, assim como perdoamos a Paulo de Tarso antes da conversão
cristã.
Marco Aurélio era estoico.
Poucas vezes uma pessoa simpatizou tão bem a uma filosofia, como ele ao
estoicismo.
O estoicismo é uma filosofia
séria e corajosa, mas fria, resvala facilmente à insensibilidade. Seus
preceitos são racionais e superiores, porém falta calor, emoção. A humanidade jamais
sentirá totalmente satisfeita com qualquer filosofia à qual falta as virtudes
do coração, por mais sábia que seja.
Há dentro de nós um coração pulsante e quente.
Um coração que ama, sofre e sente. Este coração precisa ser alimentado pelo
sentimento, caso contrário morrerá faminto aos pés da fria razão.
Portanto, saudemos a alegria,
ainda que sofrida, ainda que na forma de esperança.
Se hoje tudo desaba em nossa
vida, se a dor aflige, vamos cultivar a fé que remove montanhas, pois a fé é a
companheira dileta da esperança.
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