Ando à procura do deus do amor.
Podeis rir ou zombar de mim.
O que me importa?
Sois amigos do mundo e suas
Ilusões vazias e frias.
Preferis correr como loucos
para agarrar bolhas de sabão...
Vosso espírito é um túmulo
frio, alvacento, viscoso e duro,
a camuflar o cadáver de vossa alma.
Estais mortos para a luz.
Por isto não me importo.
Por que vou ouvir um cadáver?
Vou seguir os passos das crianças.
Vou sorrir aos casais apaixonados.
Vou falar às rosas e os lírios.
Vou ouvir o canto dos rouxinóis.
Vou enviar beijos às estrelas.
Vou ouvir o canto dos anjos.
Vou louvar a Deus todos os dias.
Vós outros andais sempre a
tagarelar uns aos outros.
Não suportais a solidão, legítima
amiga da sabedoria divina.
Por isto não dou ouvidos a vós.
Vou antes seguir meu coração,
na esperança feliz e tranquila
sem desespero, apesar da luta
ingrata imposta a todos pelo destino.
Meu coração é um grande filho
da esperança que nunca morre.
A esperança é a filha dileta dos
deuses.
Por isto ando à procura do deus do
amor!
Vós
outros andais a procurar
mercadorias, coisas inúteis as quais
o tempo vai perecer e desgastar.
Andais a trocar uma ilusão por outra.
Prefiro ouvir a voz de minha alma,
na solidão em meu recanto precioso,
onde fala a voz de Deus.
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