A ciência tem sua utilidade, seu lugar na existência das coisas. Seria uma pavorosa ignorância não reconhecer
a importância e o papel desempenhado pela ciência na história humana.
Mas, como tudo o que é humano tem pontos fracos e ambíguos,
a ciência tem falhas, apesar do rigor matemático e preciso em suas conclusões.
A ciência é um produto da mentalidade racional e analítica.
Esta mentalidade só enxerga e aceita o que esteja de acordo com seus
princípios, métodos e deduções, rejeitando tudo o que não se enquadra neste
procedimento. É um método eficiente no que tange a averiguar fenômenos menores
e superficiais, mas impróprio para captar fenômenos sutis e profundos, os quais
transcendem o estreito limite imposto pela pobreza intelectual,
unilateralidade, visão acanhada e tantas outras limitações ocasionadas por nossa
baixa e limitadíssima condição humana.
A ciência peca também por ser orgulhosa e fria, defeitos
estes comuns a seus representantes.
Depois do surgimento de Freud e Jung, dois dos maiores
gênios de todos os tempos, iniciou-se uma nova mentalidade científica, a qual
criou uma abertura que proporcionou novos caminhos e possibilidades à razão
científica humana.
Apesar disto, ainda persiste o eterno conflito entre a
ciência e a Vida. A ciência não se ajusta à Vida, embora seja ela própria uma
criação da Vida. O orgulho científico, relacionado ao capricho humano e suas
ilusões vaidosas, impede a ciência de aceitar fenômenos reais, mas sutis e imperceptíveis
à mentalidade científica.
A ciência vive a classificar, contar e analisar as pedrinhas
da matéria em um espaço minúsculo durante um certo tempo demasiado escasso. Ela
tem os olhos focados neste pequeno mundo, um minúsculo grão de areia perdido na
imensidão sem fim do Universo, enquanto a Vida cria gigantescos aglomerados de
mundos e estrelas no espaço infinito, contendo multidões de seres.
A ciência caminha a passos pequenos e trôpegos, neste chão infinitamente
minúsculo, a vida voa livre e veloz pelos espaços imensuráveis...
A ciência vive apertada no tempo limitadíssimo que a
comprime, a Vida flui ilimitadamente na eternidade.
A ciência é pesada e lenta, a Vida é leve e ágil. Enquanto a
ciência para a todo o momento, a vida dispara por todo o cosmo.
Olhar o Universo com os olhos da ciência é o mesmo que uma
formiga querer medir a extensão de toda a Terra.
Enxergar o Universo sob o olhar da Vida é comungar com o
pensamento de Deus...