Que foi, Israel? Que aconteceu para estares em terra inimiga?
Estás envelhecendo em terra estranha! Por que te contaminas com os mortos, pelo contato com defuntos?
Abandonaste a fonte da sabedoria!
Se tivesses andado no caminho de Deus, agora estarias morando em paz sem fim.
Aprende, pois, onde está o saber viver, onde está o poder, onde a inteligência, para saber também onde está a vida longa e a saúde, onde a luz dos olhos, onde a paz!
Quem há de encontrar onde mora a paz? Quem chegará ao seu esconderijo?
Onde estão os governantes das nações, os domadores de todas as feras da terra?
Os que brincavam com as aves do céu e os que acumulavam tesouros de prata e de ouro – nessas coisas confiam os homens – e cujas riquezas não tinham limite? E os que lavravam a prata com esmero tal que ninguém reproduzia suas obras?
Desapareceram, caíram na fossa dos mortos, e outros surgiram em seu lugar.
Gente nova veio à luz e na terra veio morar, mas o trilho do saber foi incapaz de dominar,
seus atalhos não percebe e nem disso faz questão, mas os filhos depois deles já perderam a direção.
Dela nunca se ouviu em Canaã e em Temã jamais apareceu, nem os filhos de Agar, que pela terra a procuram, ou os mercadores de Mercã e Tema a contar histórias buscando o saber, chegaram a experimentar a sabedoria nem se lembram dos seus caminhos.
Como é grande, ó Israel, a Casa de Deus, espaçoso o lugar de sua propriedade!
É tão grande que não tem fim, é tão alto que não tem teto.
Aí surgiram os gigantes famosos, lá no começo do mundo, de enorme estatura e treinados para a guerra.
Não foi, porém a eles que o Senhor escolheu, nem jamais lhes ensinou o caminho da inteligência.
Eles morreram por não saberem viver, por falta de inteligência eles morreram.
Quem acaso subiu ao céu para alcançar a sabedoria para, do alto das nuvens, arrastá-la aqui para baixo?
Quem atravessou o mar para encontrá-la e deu-lhe um valor igual ao do ouro puro?
Não há quem conheça o seu caminho nem perceba os seus atalhos.
Só Aquele que tudo sabe conhece a sabedoria. Ele mesmo com sua inteligência a encontrou, só Aquele que fez a terra para duração eterna e de quadrúpedes a encheu, só Aquele que manda a luz e ela vai, chama de volta e, tremendo, ela vem: as estrelas brilham alegres cada qual no seu lugar.
Deus chama e elas respondem: “Pronto!”, brilhando com alegria para aquele que as fez.
É este o nosso Deus! Outro não se pode imaginar ao lado dele!
Foi ele quem encontrou todo o caminho da inteligência e, depois, o ensinou a Jacó, seu servo, a Israel, seu querido.
Ela é o livro dos mandamentos de Deus, a Lei decretada para sempre; quem os guarda, fica entre os vivos, quem os despreza morre.
Volta atrás, ó Jacó, e abraça esta Lei, caminha para a claridade à luz que dela vem.
Não dês a outro a tua glória nem entregues tua vantagem a gente estranha.
Felizes somos nós, ó Israel, pois a nós foi revelado o agrado de Deus.
Confia, povo meu, na memória de Israel: Fostes vendidos às nações – não para a destruição –, fostes entregues aos inimigos por terdes irritado a Deus.
Insultastes vosso próprio criador, sacrificando a demônios e não a Deus.
Esquecestes o Deus que vos alimentou, o Deus eterno, provocastes a tristeza de Jerusalém que vos amamentou.
Ela viu cair sobre vós a ira que vem de Deus e disse, então: “Escutai, vizinhas de Sião, Deus me trouxe um grande sofrimento:
Vi a prisão de meus filhos e filhas trazida pelo Eterno.
Com alegria eu os tinha criado, deles me despedi, chorando e gemendo.
Ninguém queira mais comigo se alegrar, que agora estou viúva, abandonada. Se agora fiquei só e vazia, foi por causa dos pecados de meus filhos que se desviaram da Lei de Deus.
Não entenderam seus mandamentos, não andaram pelos caminhos da Lei de Deus, nem entraram pelos trilhos da disciplina e da justiça.
Que venham as vizinhas de Sião e lembrem-se da prisão de meus filhos e filhas trazidos pelo Eterno.
Reuniu em torno deles uma gente lá de longe, povo atrevido e de língua estranha, que não respeitava os mais velhos nem tinha compaixão das crianças.
Levaram embora o filho único da viúva, ou deixaram a mulher sozinha, sem as filhas”. Mas eu, em que vos posso ajudar?
É Aquele mesmo que vos trouxe a desgraça, quem vai poder libertar-vos do inimigo.
Ide-vos embora, filhos meus, ide embora! Eu aqui fico na solidão.
Tirei minha veste de felicidade e vesti o luto da súplica, para clamar por toda a vida ao Eterno.
Coragem, meus filhos, clamai a Deus! E ele vos há de livrar dos poderosos, vai libertar-vos das mãos dos inimigos.
Eu, da minha parte, espero da mão do Eterno a vossa salvação. Para mim já chegou a alegria que vem do Santo, por causa da misericórdia que logo vos chegará da parte do Eterno, o vosso Salvador.
Entre lágrimas e gemidos eu vos dei adeus; Deus porém, vos há de fazer voltar a mim acompanhados de alegria e festa eternas.
Da mesma forma como as vizinhas de Sião vos viram, há pouco, partir cativos, assim, em breve, elas terão de ver a salvação que de vosso Deus vos chegará, pois é com grande glória e brilho eterno que ele vos libertará.
Suportai, firmes, filhos meus, a ira de Deus que se voltou contra vós. Teu inimigo te perseguiu, logo, porém, poderás ver sua derrota e pisar-lhe o pescoço.
Meus filhos queridos tiveram de passar por um caminho pedregoso, tocados pelo inimigo como gado roubado.
Coragem, filhos meus! Clamai a Deus! Aquele que vos feriu, de vós há de se lembrar.
Como um dia vos veio a ideia de abandonar a Deus, agora, com dez vezes maior disposição, voltai a procurá-lo.
Aquele mesmo que vos trouxe tanto sofrimento, com a vossa salvação, alegria eterna há de trazer.
Coragem, Jerusalém, Aquele que te deu um nome é quem vai te consolar.
Infelizes os que te prejudicaram, e se alegraram com tua queda.
Infelizes as cidades a quem teus filhos serviram como escravos, infeliz aquela que recolheu os teus filhos.
Da mesma forma como ela ficou feliz com tua queda e fez festa com tua derrota, assim também sentirá a tristeza do seu próprio abandono.
Vou cortar lhe a arrogância de ser muito populosa e a sua alegria se transformará em luto.
Um fogo lhe há de vir, mandado pelo Eterno, para durar muito tempo, e por longos anos será morada dos demônios.
Olha para o oriente, Jerusalém, e vê a alegria que te vem da parte de Deus.
Eis que estão chegando os filhos que viste partir, estão vindo, reunidos, desde o nascente até o poente, pela palavra do Santo.
Estão vindo, festejando a glória de Deus.
Tira, Jerusalém, tua roupa de luto e humilhação e veste para sempre a formosura gloriosa, daquela glória que vem de Deus.
Veste o manto da justiça que vem de Deus! Põe na tua cabeça a grinalda gloriosa do Eterno.
Veste o manto da justiça que vem de Deus! Põe na tua cabeça a grinalda gloriosa do Eterno.
Deus vai mostrar o teu esplendor a tudo o que existe debaixo do céu.
De Deus receberás, então, este nome: “Paz-da-Justiça“, “Glória-do-culto-a-Deus”.
Levanta-te, Jerusalém, põe-te no alto! Olha bem para o lado do nascente, poderás ver teus filhos sendo reunidos, pela palavra do Santo, do nascente ao poente, alegres porque Deus se lembrou deles.
Deste lugar um dia eles partiram, tocados a pé pelos inimigos. Agora Deus vai trazê-los de volta carregados solenemente como em cortejo de rei.
É que Deus já mandou cortar todo morro elevado, toda serra antiga, para aterrar os lugares mais fundos e aplainar o chão a fim de que Israel possa passar com segurança, sob a glória de Deus.
Por ordem de Deus todas as árvores e plantas de cheiro hão de fazer sombra para Israel.
Assim é que, festivamente, Deus há de conduzir Israel para a luz de sua glória, por força da justiça e da misericórdia que dele vêm.