Estava em São Paulo, para onde viajei.
Depois de percorrer os 250 kms. que separam minha cidade da capital, o carro circulou por ruas e avenidas da gigantesca cidade.
Ao observar o movimento turbilhonante da grande cidade, não pude deixar de refletir em como a existência humana tornou-se complicada e artificial. Como nossa civilização criou tantos embaraços e pesos inúteis que servem unicamente para atravancar nossa caminhada, esfriar nosso coração, sufocar nossa alma e nos fazer gemer perpetuamente sob a carga pesada, até o dia que sucumbimos extenuados na estrada da existência, amargos, tristes e desesperados.
Quase não reconheci que eu também já andei por esta estrada alienante e falsa.
Fui salvo por Deus antes de enlouquecer e perder minha alma, o bem mais precioso do mundo.
Devo muito a Platão, Sócrates, Aristóteles, Cícero, Dante, Santo Agostinho, Shakespeare, Rousseau, Voltaire, Hegel, Jung, Goethe e tantas outras almas de escol, os gigantes do espírito, os mestres do pensamento universal. Suas obras são repositórios de luz e sabedoria, fontes iluminadas de conhecimento.
Eu bebi a água sagrada desta fonte durante toda minha vida, foi a decisão mais sábia de minha história. Até hoje colho os frutos que semeei no passado e vou continuar a colher até meu último suspiro.
Olhei com grande piedade aquelas infelizes pessoas correndo de cá para lá, ansiosas, estressadas e totalmente alienadas.
Foi assim que percebi o preço terrível que nossa civilização fria, dura e perversa cobra por seus benefícios.
Nossa civilização é um monstro cínico e perverso que explora, engana, usa e abusa de quem deveria proteger e amparar.
Mas não podemos deixar de observar que este monstro não morre devido ao amor de suas próprias vítimas. Elas amam o monstro que as devora, elas são apaixonadas por aquele que as enlouquecem, corrompem e infernizam sua vida.
Agradeço mil vezes a Deus ter aberto meus olhos a esta loucura infame. Onde estaria eu se permanecesse neste caminho?
Minha alma, meu tesouro eterno, teria chafurdado na vala imunda onde gemem, choram e gritam desesperados, presos ao monstro por correntes invisíveis, aqueles e aquelas que perderam-se um dia apaixonados pela fera astuta, perversa e fria.