Inteligência privilegiada, cultura vasta, perspicácia e sagacidade naturais. Atributos grandiosos e raros formavam a capacidade intelectual de um dos maiores gênios da humanidade.
Schopenhauer, seguramente um dos maiores pensadores de todos os tempos, além de um genial pensador era um escritor de primeira categoria. Sua prosa era rica, precisa, objetiva. Ele era capaz de descrever seu pensamento claro, realista e objetivo, sem sacrificar a beleza literária, coisa rara em um pensador.
Schopenhauer foi um dos principais responsáveis, senão o principal, por trazer a filosofia para o ar livre, para a realidade humana cotidiana no século dezenove. A partir de sua época a filosofia européia passou a pensar mais de acordo à estuante e movimentada realidade humana, abandonando o pensamento de gabinete.
Apesar do sopro de frescor e clareza realista que sua obra genial infundiu ao mundo, podemos apontar falhas em seu pensamento. Schopenhauer era humano e como tal tinha limitações e falhas como qualquer outro ser humano, apesar de ser um gênio.
Era admirável sua erudição. Sem sombra de dúvida uma das mentes mais cultas do século dezenove.
Ao analisarmos seu pensamento podemos notar como a personalidade de uma pessoa influi seu pensamento, este princípio psicológico é válido tanto para pessoas comuns como para o gênio.
Schopenhauer era arredio, triste e extremamente pessimista. Dizem mesmo que ele era grosseiro. Ele abominava mediocridade, ignorância e estupidez. Basta mencionar isto para imaginar os conflitos constantes entre sua mente superior e genial e o atrasado meio ambiente em que vivia, a Alemanha na primeira metade do século dezenove.
Seu pensamento, portanto, ressentiu-se de sua visão pessimista e triste, produto de sua personalidade, sua história, sua vida.
Ele era simpatizante da filosofia budista, conhecia a filosofia hindu. Sua obra contribuiu para aproximar a filosofia oriental e a Europa.
É no que tange à Deus e o evangelho, onde verificamos uma lacuna enorme em seu pensamento. Faltou entendimento a Schopenhauer para estabelecer relações sutis entre os fatos, suficientes para iluminar sua alma e aproximá-la da realidade espiritual eterna.
Este é um vício comum a muitos pensadores racionais. A história da filosofia está repleta deste vício.
Podemos observar que a barreira principal entre a realidade divina eterna e a razão humana, não é intelectual e sim moral: provém do orgulho humano, uma praga maldita a envenenar corações.
Deus se aproxima e convida a todos para seu banquete de luz e amor, mas o perverso coração humano prefere fazer ouvidos moucos e dar trela ao mal. O resultado é desastroso para o próprio coração humano. Pois vivemos engajados à justiça de Deus. Esta justiça é inexorável, tudo o que se planta terá que ser colhido, queira ou não.
Esta é a realidade eterna. Não cogitar sobre isto é bater a cabeça na parede para sempre, sem observar a porta aberta ao lado.
Este estado de alienação perversa e orgulhosa é comum à maioria da humanidade, daí a contínua situação dolorosa que se abate na existência humana.
Deus é a realidade máxima. Ninguém poderá fugir a isto para sempre. Seu poder invencível vence todas as barreiras, arrasa todos os obstáculos.
Schopenhauer, como a maioria dos pensadores, não podia entender isto e até se opunha a esta realidade, iludido que estava com sua visão mundana, muito distante da sabedoria infinita de Deus.
Ele morreu em meados do século dezenove. Podemos conjeturar sua passagem à realidade espiritual, seu despertar doloroso e pasmo no mundo espiritual, onde impera a verdade nua. Podemos conjeturar o conflito entre suas ideias e a realidade espiritual eterna; podemos imaginar seu sofrimento e o consequente arrependimento diante da imensidão espiritual, onde impera absoluta a sabedoria infinita de Deus e o amor sem fim de nosso mestre maior Jesus.
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