Sempre lembro isto; aconteceu há muitos, muitos
anos...
Em uma viagem de ônibus de São Paulo a uma
cidade do interior de Minas Gerais o destino bateu à porta de minha vida. Como
sempre acontece nas grandes ocasiões, seu mensageiro é o inesperado.
É sempre assim, quando o
destino tem alguma mensagem ele não usa trombetas, prefere antes chegar
sorrateiro...
Os dias vem e vão na série
descolorida dos anos. Mas o destino sempre traz em seu bojo genuínas alegrias,
porém estamos com a alma tão cansada e o coração tão pesado com fardos inúteis
que não reparamos em sua sutil mensagem. Depois, reclamamos da secura de nossa
vida...
As rodas do pesado veículo
transportavam algumas almas na rodovia ensolarada em uma bela manhã. Cidades apareciam
e desapareciam através do vidro da janela... Da janela de onde eu via pessoas indo
e vindo como formigas presas na rotina dos dias...
Meu olhar pousava sereno na
paisagem cambiante até que o veículo saiu da rodovia e aportou em um ponto de
parada. Meus olhos circulavam ao redor até que pousaram em um grupo de homens
com toda a aparência de gente da roça: aparência humilde, ingênua e bondosa.
Estavam uns ao redor de uma caminhonete antiga repleta de caixas de morango e
outro homem estava à porta de um supermercado conversando com uma moça do
caixa. Pude ouvir a conversa. Ouvi a moça pedir uma caixa de morango e o homem
bastante encabulado esforçar-se por explicar delicadamente que eram para ser
vendidos. A moça desistiu, o homem voltou à caminhonete, mas ao invés de partir
voltou com várias caixas de morango e deu uma para cada moça dos caixas, eram
aproximadamente 10 moças.
O veículo voltou à rodovia,
outras cidades apareciam e desapareciam, mas minha alma já não era a mesma de
alguns momentos, o destino havia me ensinado uma lição que nunca esqueci. Aprendi
com aquela gente simples a nunca deixar o egoísmo interesseiro sobrepor-se à
bondade, a discernir até aonde vai o valor das coisas materiais. Aqueles homens
simples trocaram moedas do mundo por moedas do céu.
E assim o destino bateu à
porta de minha vida trazendo não o ouro dos tolos, mas a jóia da sabedoria.
Voltei à rotina de meus dias,
mas a alma havia mudado, uma luz foi acesa para toda a vida.
Eu bem vejo o que há por trás
do véu do destino. Meu olhar penetra em sua rede impalpável e potente; vejo a
vontade de Deus soberana e poderosa a convidar minha alma, a ensinar o caminho
real na ilusão do dia...
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