Luz.

Luz.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Uma lição inesperada.


 Sempre lembro isto; aconteceu há muitos, muitos anos...
 Em uma viagem de ônibus de São Paulo a uma cidade do interior de Minas Gerais o destino bateu à porta de minha vida. Como sempre acontece nas grandes ocasiões, seu mensageiro é o inesperado.
É sempre assim, quando o destino tem alguma mensagem ele não usa trombetas, prefere antes chegar sorrateiro...
Os dias vem e vão na série descolorida dos anos. Mas o destino sempre traz em seu bojo genuínas alegrias, porém estamos com a alma tão cansada e o coração tão pesado com fardos inúteis que não reparamos em sua sutil mensagem. Depois, reclamamos da secura de nossa vida...
As rodas do pesado veículo transportavam algumas almas na rodovia ensolarada em uma bela manhã. Cidades apareciam e desapareciam através do vidro da janela... Da janela de onde eu via pessoas indo e vindo como formigas presas na rotina dos dias...
Meu olhar pousava sereno na paisagem cambiante até que o veículo saiu da rodovia e aportou em um ponto de parada. Meus olhos circulavam ao redor até que pousaram em um grupo de homens com toda a aparência de gente da roça: aparência humilde, ingênua e bondosa. Estavam uns ao redor de uma caminhonete antiga repleta de caixas de morango e outro homem estava à porta de um supermercado conversando com uma moça do caixa. Pude ouvir a conversa. Ouvi a moça pedir uma caixa de morango e o homem bastante encabulado esforçar-se por explicar delicadamente que eram para ser vendidos. A moça desistiu, o homem voltou à caminhonete, mas ao invés de partir voltou com várias caixas de morango e deu uma para cada moça dos caixas, eram aproximadamente 10 moças.
O veículo voltou à rodovia, outras cidades apareciam e desapareciam, mas minha alma já não era a mesma de alguns momentos, o destino havia me ensinado uma lição que nunca esqueci. Aprendi com aquela gente simples a nunca deixar o egoísmo interesseiro sobrepor-se à bondade, a discernir até aonde vai o valor das coisas materiais. Aqueles homens simples trocaram moedas do mundo por moedas do céu.

E assim o destino bateu à porta de minha vida trazendo não o ouro dos tolos, mas a jóia da sabedoria.
Voltei à rotina de meus dias, mas a alma havia mudado, uma luz foi acesa para toda a vida.
Eu bem vejo o que há por trás do véu do destino. Meu olhar penetra em sua rede impalpável e potente; vejo a vontade de Deus soberana e poderosa a convidar minha alma, a ensinar o caminho real na ilusão do dia...

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