Luz.

Luz.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

"Confia em Mim"


Quem sobreviveria às tempestades que desabam sobre nossa vida, se a bondade de Deus não ofertasse a nós a estrela guia da fé?
Quantos corações esta estrela guia salvou da derrocada total?
Quantas almas ela reergueu da ruína? Quantos corações  despedaçados ela curou? Quantos atormentados ela reviveu? Esta estrela ameniza e ilumina os mais duros destinos, ela resplandece sobre nossa cabeça como um farol divino a iluminar nossa acabrunhante miséria, rebento falacioso de nossa perversidade matreira.
Vivi a vida toda sob a égide desta estrela.

Lembro bem um dia há muitos anos...
O carro deslizava seus pneus sobre a pista da rodovia que liga São Paulo ao Rio de Janeiro naquela madrugada de domingo.
Quem visse de fora olharia minha silhueta através do vidro e enxergaria apenas uma pessoa dirigindo um veículo na rodovia com pouco tráfego àquela hora da madrugada. Não poderia ela imaginar como ia minha alma!
Aborrecido com muitos problemas e dívidas, eu estava a caminho de uma cidade do interior com o carro cheio de mercadorias, roupas masculinas fabricadas em uma pequena oficina doméstica que eu tinha.
Eu dirigia atento aos muitos postos da polícia rodoviária, pois estava com o imposto do veículo atrasado. Era raro ter fiscalização nas madrugadas de domingo, como ocorre em qualquer cidade.
O carro corria veloz, deixando para trás muitas cidades onde o sono benfazejo acalentava o sonho de muita gente.
Aquela casa bonita que eu acabava de ver passar ligeiramente parecia me dizer alguma mensagem enigmática, como um oráculo misterioso.
Cidades viam e iam como nossas dores e alegrias, intercaladas pela natureza maravilhosa de nosso Pai eterno, a qual embelezava o panorama com seu verde luxurioso e seu manto de folhagens, árvores, matas, bosques, enchendo os olhos e a alma dos abençoados mortais que amam a sapientíssima obra de Deus.
Eu já estava na metade do percurso quando ao passar por uma curva deparei com um grupo de policiais rodoviários. Era uma batida de surpresa em um ponto estratégico. Um dos policiais fez sinal para eu parar.
A primeira ideia que me veio à mente era de que eu estava completamente perdido: imposto  do carro atrasado, mercadorias sem nota fiscal; teria que deixar carro e mercadorias, isto abalaria irremediavelmente minha situação. Era a falência total. Eu já antevia terríveis sofrimentos. Mas Deus vela sempre...
Encostei o carro ao lado do policial. Neste momento ouvi nitidamente uma voz interior dizer: “Confia em mim.” O policial cumprimentou-me e pediu os documentos do carro. Abri o porta-luvas, peguei a carteirinha onde estava o documento e já ia entregar ao policial quando ele olhou para o porta mala e perguntou o que havia naqueles sacos plásticos. “Cuecas,” foi minha resposta; continuei a tirar o documento da carteirinha...
-Esqueça isto! Disse o policial. As cuecas são de boa qualidade? Qual é o preço?
-Sim! Estendi meu braço, peguei alguns pacotes e entreguei a ele.
Ele agradeceu-me e desejou-me boa viagem.

Nunca senti Deus tão próximo de mim como naquele momento!
Meus olhos enchem-se de lágrimas ao descrever aquele momento sagrado!
Meu coração jubilou até as mais profundas fibras.
Que palavras podem expressar a alegria imensa de minha alma?
Mil palavras não exprimiriam a ventura de minha alma, ao sentir tão perto de si o amor infinito, a previdência sapiente, o carinho, a bondade infinita de nosso Pai Eterno.
Meu Pai celeste! Perdoa minha humanidade. Que estas lágrimas que caem de meus olhos neste momento possam suprir a falta de palavras para expressar minha gratidão, já que o vocabulário humano não dispõe de uma expressão adequada para exprimir a grandeza infinita de Teu amor.
Amor que abraça toda a criação e sustenta Imensidões  gigantescas de Universos, saturando tudo  com Tua misericórdia imensurável.