A vida é sempre uma viagem. Seja um átomo, ou um ser humano, todos são filhos do Amor de Deus viajando rumo ao seio de nosso Pai infinitamente amoroso. O Universo maior, aquele cosmo gigantesco o qual contém uma infinidade de universos, é por si só uma criação portentosa assombrosa. Uma multidão sem fim de criaturas, fenômenos, forças e elementos existem e viajam sempre. O ser humano é apenas mais uma criatura no Universo infinito de Deus.
A condição humana é singular se comparada às outras criaturas irmãs, pois todos fomos criados pelo mesmo Pai infinitamente bondoso. Esta singularidade é o que faz a diferença entre nós e as outras criaturas, aquilo que determina a superioridade da humanidade em relação ao resto das criaturas: o pensamento, um dos mais ricos e importantes atributos humanos. O pensamento é uma atributo da alma, é por ele que percebemos a realidade espiritual, é por ele que percebemos o sutil mundo da alma e sua riqueza inesgotável.
O pensamento é um tipo de disco rígido onde a alma guarda o resultado de sua experiência pessoal durante sua viagem. Suas dores, suas derrotas, suas tristezas, suas alegrias, suas vitórias, tudo fica registrado no imo da alma e é acessado pelo pensamento.
O pensamento é uma flor preciosa, uma portentosa criação divina por meio do qual a alma se reconhece a si mesma e se revela a si mesmo a vastidão imensurável da criação de Deus.
A alma se perderia em seu desespero ao perceber sua insignificância no esquema perfeito das coisas, se ela pudesse enxergar a extensão imensurável do percurso de sua viagem. A alma seria esmagada pelo peso de sua solidão se sentisse o vazio eterno que coisa alguma pode substituir. É por isto que a sabedoria de Deus criou a alma humana tão propensa à sociabilidade. Um recurso para que todos se ajudem e possam de alguma forma compensar o vazio que todos tem dentro de si e tentam encobrir com mil coisas fúteis.
Mas este não é o melhor caminho. O melhor caminho é a estrada percorrida pelos santos, gênios e todas as almas de alto quilate: a senda sagrada da solidão.
Para os tolos a solidão é macabra. Para os fúteis ela é insuportável; para os ignorantes ela é medonha, mas para os sábios ela é a porta que conduz ao iluminado mundo do pensamento, imensuravelmente distante da baixeza, da vulgaridade, da mesquinhez ridícula da existência humana comum, em seu círculo estreito de interesses egoístas e maldosos.
Esta porta abre para o Universo divino, o qual é o porto definitivo onde aportarão um dia todos os filhos de Deus em sua viagem à eternidade, à beleza e ao amor.