Luz.

Luz.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O desapego.

Quão difícil é a lição do desapego! E no entanto, a vida não ensina outra coisa momento a momento.
O tempo passa e escorre entre nossos dedos como areia. Nós parecemos um boi moroso, circulando calado e cabisbaixo em sua estreita rotina sufocante, a carregar sua carga pesada na esperança de acumular para o fim de sua jornada, mas depois, prostrado, doente, triste até o fundo da alma, ao verificar sua carga, percebe que estava repleta de ilusões e futilidades vazias.
E o boi fica a olhar o ar vazio diante de si e abana sua cauda tristemente…
Pessoas e coisas, tudo vem e vai, aparece e desaparece em nosso caminho. Um eterno vai e vem como as ondas do mar.
Fomos feitos para beijar as andorinhas, mas não para retê-las. Fomos feitos para aspirar o perfume das rosas, mas não para guardá-lo.
Somos viajantes, estamos aqui de passagem para outros destinos. Nossa estadia aqui é passageira, teremos que voltar forçosamente para nosso destino. Por que atulharmos de coisas que não podemos levar para lá? Tais coisas só atravancam nossa estadia, causam um peso inútil e muitas vezes fazem-nos desviar de nosso roteiro, causando atrasos, paradas intempestivas e um mundo sem fim de tormentos desnecessários.
Só quem cultivou o jardim da alma eterna e espalhou em seu caminho as sementes do conhecimento, do bem, do sacrifício, da luz e da humildade, poderá ser iluminado com a chama divina que provém do seio de Deus eternamente ao voltar para seu destino permanente.
O mundo repete sempre o refrão de sua ilusão demoníaca a todos que chegam e partem. Ao olhar um cemitério o olhar falso e distorcido do mundo não enxerga a mais severa advertência do destino, porém permanece em sua cegueira milenar, mas alguns olham para o céu e conhecem o caminho para as estrelas. São amigos da solidão, amantes dos livros e apaixonados pela sabedoria.
Eles amam o desapego, pois conhecem a tolice de seu convite. Não palmilham o caminho torto das massas. Não ouvem a voz do momento ínfimo que passa no perpétuo giro das coisas, mas ouvem o chamado de Deus que ressoa silencioso e pertinaz dentro de si, convidando à Sua  maravilhosa luz eterna.