Quão
difícil é a lição do desapego! E no entanto, a vida não ensina
outra coisa momento a momento.
O
tempo passa e escorre entre nossos dedos como areia. Nós parecemos
um boi moroso, circulando calado e cabisbaixo em sua estreita rotina
sufocante, a carregar sua carga pesada na esperança de acumular para
o fim de sua jornada, mas depois, prostrado, doente, triste até o
fundo da alma, ao verificar sua carga, percebe que estava repleta de
ilusões e futilidades vazias.
E o
boi fica a olhar o ar vazio diante de si e abana sua cauda
tristemente…
Pessoas
e coisas, tudo vem e vai, aparece e desaparece em nosso caminho. Um
eterno vai e vem como as ondas do mar.
Fomos
feitos para beijar as andorinhas, mas não para retê-las. Fomos
feitos para aspirar o perfume das rosas, mas não para guardá-lo.
Somos
viajantes, estamos aqui de passagem para outros destinos. Nossa
estadia aqui é passageira, teremos que voltar forçosamente para
nosso destino. Por que atulharmos de coisas que não podemos levar
para lá? Tais coisas só atravancam nossa estadia, causam um peso
inútil e muitas vezes fazem-nos desviar de nosso roteiro, causando
atrasos, paradas intempestivas e um mundo sem fim de tormentos
desnecessários.
Só
quem cultivou o jardim da alma eterna e espalhou em seu caminho as
sementes do conhecimento, do bem, do sacrifício, da luz e da
humildade, poderá ser iluminado com a chama divina que provém do
seio de Deus eternamente ao voltar para seu destino permanente.
O
mundo repete sempre o refrão de sua ilusão demoníaca a todos que
chegam e partem. Ao olhar um cemitério o olhar falso e distorcido do
mundo não enxerga a mais severa advertência do destino, porém
permanece em sua cegueira milenar, mas alguns olham para o céu e
conhecem o caminho para as estrelas. São amigos da solidão, amantes
dos livros e apaixonados pela sabedoria.
Eles
amam o desapego, pois conhecem a tolice de seu convite. Não
palmilham o caminho torto das massas. Não ouvem a voz do momento
ínfimo que passa no perpétuo giro das coisas, mas ouvem o chamado
de Deus que ressoa silencioso e pertinaz dentro de si, convidando à
Sua maravilhosa luz eterna.