Luz.

Luz.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

O dia e a noite.

O dia é filho da luz para os homens.
O dia é filho das trevas para os anjos.
O dia movimenta os caminhos do mundo
para findar em seu cansaço dolente.

A noite é filha das estrelas distantes.
A noite é filha da luz para os anjos.
O dia cansa braços e pernas e faz
a alma chorar sua prisão perpétua.

A noite abre as portas da alegria
para quem ama o silêncio mavioso,
um dom dos anjos a se espalhar
junto a escuridão da noite.

O dia grita e retumba por toda
parte como um louco desesperado.
A noite sussurra como uma mãe
carinhosa ao ouvido de seu bebê.

O dia acumula dinheiro, mas
assassina a alma eterna.
A noite acumula luz e
ressuscita a alma divina.

O dia é filho do tempo
que passa frio e apressado.
A noite é filha da eternidade e
caminha ao passo das estrelas.


O dia envenena a alma,
esfria o coração e faz
voltar para o céu o beijo
das fadas e dos anjos.

Este beijo é a única coisa
que nos restou entre os
destroços de nossa alma.
Morta, enterrada e coberta

de lama e mil imundícies,
nas clareiras medonhas do
mal que nos assola e seduz
no combate venenoso do dia.