Luz.

Luz.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Fome de luz.

Há dois anos e meio que posto o produto de minhas elucubrações em meus blogs. O resultado disto foi muito além de minhas expectativas.
Comecei a escrever simplesmente por amor à arte de escrever, uma paixão que carrego dentro de mim há muito tempo.
Acho delicioso escrever durante o silêncio da madrugada. Muitas vezes aproveito minhas constantes insônias para a criação.
É um ato de amor que poucos entendem. A criação exige paixão. Sem paixão não se pode criar nada grandioso.
Quem não ama aquilo que faz não pode compreender a beleza de realizar algo que preenche totalmente a alma.
É um sentimento deliciosíssimo, uma sensação de exultação íntima regozijante. Sinto como se minha alma compartilhasse a alegria que desponta no imo de todas as estrelas do universo.
Parece que um anjo toma conta de meu pensamento e me inspira ideias, as quais lanço ao mundo como um preito à luz que provém de Deus e ilumina a humanidade para sempre.
A humanidade tem fome de luz. Por mais que se corrompa, por mais enlameada que esteja no lodaçal da perversidade e depravação, ninguém pode apagar este amor à luz que viceja no fundo de nossa alma alimentado por Deus.
Há um recanto sagrado no fundo de nosso coração onde Deus guarda e protege a rosa do amor e da luz eterna. A perversidade, a ignorância e a estupidez podem encobri-la por algum tempo, mas não podem impedir esta rosa de vicejar no coração humano, pois ela é protegida por forças poderosíssimas que governam a natureza eterna de toda a criação e garantem a vitória definitiva do bem e da verdade na caminhada trôpega e torta da pobre e alienada humanidade, amiga do demônio e das trevas.

O relógio marca agora 3.21 da madrugada, levanto e vou até o quintal. Sinto o friozinho da madrugada. Olho o céu nublado sobre mim onde vejo algumas estrelas brilhando silenciosamente sobre minha cabeça, como a revelação velada de segredos sagrados, pelos quais muitas almas iluminadas sofreram e morreram.
Tudo está silencioso nesta ilha do atlântico sul onde o destino me fez aportar há alguns anos.
Sinto vontade de caminhar pela praia sob a luz das poucas estrelas ouvindo o marulhar do oceano, acompanhado do som das ondas, indo e vindo eternamente.
Meus passos deixam marcas na areia, vou caminhando solitário na praia silenciosa.
Que vontade é esta de banhar-me no mar sob o frio desta madrugada de primavera?
Que desejo é este de sentir meu corpo tocado e embebido pelo oceano que circunda este pedacinho de terra que eu piso?
Lembro que a vida começou no mar. Foi o mar que recebeu o primeiro sopro de vida descido do céu. Ele guarda segredos invioláveis em suas profundezas.
Tudo começou no mar. O primeiro passo da Vida a caminho da luz que nunca perece.
Isto me faz recordar que também eu tenho fome de luz.
Sinto ímpeto de abraçar toda a criação e repartir meu pequeno quinhão de luz com todos os famintos do universo.