Há dois anos e meio que posto o produto de minhas
elucubrações em meus blogs. O resultado disto foi muito além de minhas
expectativas.
Comecei a escrever simplesmente por amor à arte de
escrever, uma paixão que carrego dentro de mim há muito tempo.
Acho delicioso escrever durante o silêncio da madrugada.
Muitas vezes aproveito minhas constantes insônias para a criação.
É um ato de amor que poucos entendem. A criação exige
paixão. Sem paixão não se pode criar nada grandioso.
Quem não ama aquilo que faz não pode compreender a beleza
de realizar algo que preenche totalmente a alma.
É um sentimento deliciosíssimo, uma sensação de exultação
íntima regozijante. Sinto como se minha alma compartilhasse a alegria que
desponta no imo de todas as estrelas do universo.
Parece que um anjo toma conta de meu pensamento e me
inspira ideias, as quais lanço ao mundo como um preito à luz que provém de Deus
e ilumina a humanidade para sempre.
A humanidade tem fome de luz. Por mais que se corrompa,
por mais enlameada que esteja no lodaçal da perversidade e depravação, ninguém
pode apagar este amor à luz que viceja no fundo de nossa alma alimentado por
Deus.
Há um recanto sagrado no fundo de nosso coração onde Deus
guarda e protege a rosa do amor e da luz eterna. A perversidade, a ignorância e
a estupidez podem encobri-la por algum tempo, mas não podem impedir esta rosa
de vicejar no coração humano, pois ela é protegida por forças poderosíssimas
que governam a natureza eterna de toda a criação e garantem a vitória
definitiva do bem e da verdade na caminhada trôpega e torta da pobre e alienada
humanidade, amiga do demônio e das trevas.
O relógio marca agora 3.21 da madrugada, levanto e vou até
o quintal. Sinto o friozinho da madrugada. Olho o céu nublado sobre mim onde
vejo algumas estrelas brilhando silenciosamente sobre minha cabeça, como a
revelação velada de segredos sagrados, pelos quais muitas almas iluminadas sofreram
e morreram.
Tudo está silencioso nesta ilha do atlântico sul onde o
destino me fez aportar há alguns anos.
Sinto vontade de caminhar pela praia sob a luz das poucas
estrelas ouvindo o marulhar do oceano, acompanhado do som das ondas, indo e
vindo eternamente.
Meus passos deixam marcas na areia, vou caminhando
solitário na praia silenciosa.
Que vontade é esta de banhar-me no mar sob o frio desta
madrugada de primavera?
Que desejo é este de sentir meu corpo tocado e embebido
pelo oceano que circunda este pedacinho de terra que eu piso?
Lembro que a vida começou no mar. Foi o mar que recebeu o
primeiro sopro de vida descido do céu. Ele guarda segredos invioláveis em suas
profundezas.
Tudo começou no mar. O primeiro passo da Vida a caminho
da luz que nunca perece.
Isto me faz recordar que também eu tenho fome de luz.
Sinto ímpeto de abraçar toda a criação e repartir meu pequeno
quinhão de luz com todos os famintos do universo.