Se teu coração está minando maldade, por que reclamas a
derrocada de tua vida sob a visita da dor?
Se teu olhar revela a sandice de tua alma, por que
lamentas o peso do sofrimento?
Se carregas no ventre um cemitério de despojos sangrentos
de nossos irmãos menores, sem importardes com tua crueldade egoísta, por que
choras sob o chicote de tua dor?
Se te fechas em teu casulo egoísta sem abrirdes teu
coração à bondade caridosa, por que te queixas de tua má sorte?
Se tua mente está amarrada à podridão perversa do mundo,
por que pranteias estardes carcomido por doenças?
Se plantastes a semente da desonestidade em teu caminho,
por que choras colher os espinhos da amargura e do prejuízo?
Se te descuidas da saúde, o mais precioso bem do mundo,
por que deploras tua velhice precoce, cansada e dolorosa?
Se te descuidásseis de cultivar tua inteligência com o
estudo e leitura de livros iluminados, abençoada fonte de luz e conhecimento,
por que protestas tua treva ignorante?
Se abusastes da confiança de um coração feminino, por que
te espantas de tua solidão amarga e teu coração despedaçado?
Se plantastes as ervas daninhas da mentira e falsidade em
teu caminho, por que achas que estais colhendo as flores venenosas da agonia?
Se trocastes insensatamente a luz eterna de Deus por tua
ilusão perversa e diabólica, por que acreditas estar atolado até o pescoço em
um mar de miséria e tormentos?
Se a frieza e indiferença, duas pragas terríveis que
infestam os corações duros, macularam tua alma, por que pensas estardes afogado
no lago terrível que te assombra e te afunda?
Se caminhastes ao passo do diabo, por que te bates
agoniado, desesperado e perdido, enredado na malha severa e inexorável da
justiça de Deus?