Luz.

Luz.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

No topo da montanha.

Subi ao topo da mais alta montanha do mundo. De lá avistei cidades e nações a perderem-se de vista.
Eu vi multidões carregarem o peso de sua ilusão todos os dias.
Eu vi os homens se atormentarem mutuamente no jogo insidioso de suas vidas.
Mulheres beijavam seus bebês e acalentavam-nos ternamente nas praças do mundo.
Crianças brincavam e saltavam alegremente nos gramados do mundo.
Eu vi nosso astro rei a iluminar as carantonhas tristes dos infelizes, para que eles saúdem a rosa da alegria.
As flores do mundo perfumavam o cenário triste das cidades, amortecidas, escurecidas e frias para que o mundo não pereça em sua infeliz alienação distante da natureza.
O ar rarefeito do topo aproxima a alma de Deus  purificando-a de suas máculas mundanas.
O coração se enternece à proximidade das estrelas e se desmancha encantado com a luz.
A alma estremece e vibra dos pés à cabeça, apaixonada por todas as constelações do universo.
O desejo de partir ao infinito se apodera de nosso coração e a alma arranca do fundo de si o grito de liberdade infinita que pesa angustiosamente dentro de si em sua prisão.
O amor, o maior tesouro do universo, vem à tona sem pedir licença.
O amor desabrocha repentinamente e inunda nossa alma por todas suas reentrâncias.
Um jato insopitável de bondade,  alegria e beleza toma conta de nossa alma.
A alma sente um desejo louco de dançar ao ritmo das estrelas.
O tempo desaparece totalmente, abrindo passagem à eternidade de Deus.
O passado morre junto às nossas loucuras e uma nova vida se apodera de nosso destino.
Uma multidão de anjos veio me visitar no topo da montanha.
Eu sorvi o cálice de luz oferecido por mãos de anjos sorridentes.
Eu brinquei com os raios de sol. Minha alma saltou de alegria como a mais feliz criança do mundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário